Gotham conhecia uma hospedaria ali por perto que abrigava a bandidagem de Gigamir. Lá poderia salvar o companheiro. Eram poucos os pedestres que se aventuravam nas vielas escuras. Em fase minguante, a cor amarelada do planeta vizinho, não iluminava quase nada a noite. Irol era um planeta belíssimo de se olhar, principalmente na fase cheia. A possibilidade de que outras formas de vida o habitavam não era nada improvável nas discussões filosóficas dos mais importantes magos das Terras de Lhu.
Enfim, eles chegaram a hospedaria. Na recepção, um elfo de pele cinza e cabelos prateados lia um pequeno livreto. Gotham colocou Hanns em um sofá.
O elfo se agitou de trás do balcão e disse:
— Hei! Ele não pode dormir aí!
— Precisamos de um quarto pro nosso companheiro!
O recepcionista observou os ferimentos de Hanns:
— Acho que vocês precisam de uma enfermagem, não de uma hospedaria.
— Ah, isso são ferimentos superficiais. Nosso amigo bebeu muito e caiu das escadas de uma taberna. Veja bem, ele dorme feito uma criança! Não vai incomodar nenhum pouco.
O elfo se deu por convencido e aproveitou para cobrar o aluguel do quarto um pouco mais caro do que o habitual. Sem titubear, Gotham limpou a bolsa de couro de Hanns. Com uma parte da quantia pagou o recepcionista. Outro tanto das moedas serviu para reembolsar seu prejuízo no bar, e o restante por terem de passar por todas as enrascadas propiciadas por Hanns.
O gigante e a elfa deixaram o hotel com a promessa de que viriam buscar o companheiro até o final do dia seguinte.
— Hanns só apronta! Não quero mais saber de trabalhar com ele! — Sulth foi enfática.
Gotham permaneceu em silêncio, considerava Hanns como se fosse um irmão. Depois de se embrenharem nas vielas do centro de Gigamir chegaram ao pé da torre de Tullging.
sábado, 25 de julho de 2009
sábado, 18 de julho de 2009
Capítulo 8
Para curar a bebedeira do colega o quanto antes, Sulth dirigiu-se à prateleira dos chás. Fascinada pela quantidade de produtos diversos acondicionados em tubos de vidro, a elfa quase não percebeu a aproximação do guardião da farmácia.
Um gato descomunal do tamanho de uma pantera miou com ferocidade antes de atacar. Todos os pêlos do corpo do animal ficaram arrepiados. Os olhos amedrontavam qualquer um. Pareciam pedras incandescentes prontas para queimar o inimigo ao simples olhar.
Sulth viu o brilho das garras da criatura. O ambiente não estava totalmente na escuridão. Os ladrões haviam deixado a porta de entrada aberta para que alguma luz vinda do exterior pudesse orientá-los.
O gato furioso pulou na direção da elfa. Hanns em um ato de bravura colocou-se entre o guardião e a mulher. As garras da fera rasgaram a pele do gigante entre o pescoço e o peito. Os dois caíram no chão. Antes que o guardião pudesse rasgar o rosto de Hanns, Gotham acertou um chute de direita na cara do animal. A criatura foi arremessada contra o balcão.
Hanns com o efeito da bebida correndo no corpo praticamente não sentiu os ferimentos. O gigante ignorava a dor e a perda de sangue. Levantou do chão de forma estabanada quase caindo novamente. Com a clava tentou acertar o gato que estava se recompondo da pancada. A arma de Hanns passou do lado da orelha da criatura. O chão de madeira ficou chamuscado e as prateleiras tremeram. Gotham desenrolou com extrema perícia uma corda que levava a cintura e fez um laço em sua ponta.
O guardião felino ronronou de forma ameaçadora enquanto encarava os invasores antes da próxima investida. A criatura atacou de novo. O gigante bêbado não foi capaz de evitar que os dentes afiados do adversário mordessem seu ombro.
Assim que a criatura largou Hanns, Gotham com grande habilidade laçou o pescoço do felino. Hanns continuava sem sentir dor. Mas sua visão estava desaparecendo. Tentou um último golpe, enquanto o gato permanecia preso. Errou a tacada. Gotham pôde ver que as faíscas da clava tinham se extinguido. O gigante bêbado caiu no assoalho de madeira perdendo a consciência. Os objetos nas estantes tremeram mais uma vez.
Com um movimento rápido das garras, o guardião arrebentou a corda que o prendia. Gotham tornou-se o novo alvo. O gato negro pulou na direção do gigante que tão rápido quanto o adversário sacou o machado de duas lâminas que carregava as costas. O machado afiado rachou a cabeça do imprudente atacante em duas partes desiguais. O corpo da criatura, estirado no chão, ainda se contorceu uma última vez antes de perder a vida completamente.
Mais tranquila, depois do susto, Sulth voltou até a prateleira, de onde pegou um vidro de formato esquisito. No rótulo havia uma inscrição em élfico.
— Isso vai ajudar! — a elfa disse, enquanto se aproximava de Hanns.
Retirou a rolha que tampava o recipiente. Um cheiro forte exalou pelo ambiente. Nos ferimentos de Hanns, a elfa passou o ungüento. O sangue aos poucos parou de escorrer.
— Temos de sair daqui! — disse Gotham.
O gigante pegou Hanns e o carregou como se fosse um grande sacou de batatas. Antes de saírem da farmácia, Sulth roubou mais alguns pequeninos frascos e os distribuiu entre os bolsos da calça e da camisa.
Um gato descomunal do tamanho de uma pantera miou com ferocidade antes de atacar. Todos os pêlos do corpo do animal ficaram arrepiados. Os olhos amedrontavam qualquer um. Pareciam pedras incandescentes prontas para queimar o inimigo ao simples olhar.
Sulth viu o brilho das garras da criatura. O ambiente não estava totalmente na escuridão. Os ladrões haviam deixado a porta de entrada aberta para que alguma luz vinda do exterior pudesse orientá-los.
O gato furioso pulou na direção da elfa. Hanns em um ato de bravura colocou-se entre o guardião e a mulher. As garras da fera rasgaram a pele do gigante entre o pescoço e o peito. Os dois caíram no chão. Antes que o guardião pudesse rasgar o rosto de Hanns, Gotham acertou um chute de direita na cara do animal. A criatura foi arremessada contra o balcão.
Hanns com o efeito da bebida correndo no corpo praticamente não sentiu os ferimentos. O gigante ignorava a dor e a perda de sangue. Levantou do chão de forma estabanada quase caindo novamente. Com a clava tentou acertar o gato que estava se recompondo da pancada. A arma de Hanns passou do lado da orelha da criatura. O chão de madeira ficou chamuscado e as prateleiras tremeram. Gotham desenrolou com extrema perícia uma corda que levava a cintura e fez um laço em sua ponta.
O guardião felino ronronou de forma ameaçadora enquanto encarava os invasores antes da próxima investida. A criatura atacou de novo. O gigante bêbado não foi capaz de evitar que os dentes afiados do adversário mordessem seu ombro.
Assim que a criatura largou Hanns, Gotham com grande habilidade laçou o pescoço do felino. Hanns continuava sem sentir dor. Mas sua visão estava desaparecendo. Tentou um último golpe, enquanto o gato permanecia preso. Errou a tacada. Gotham pôde ver que as faíscas da clava tinham se extinguido. O gigante bêbado caiu no assoalho de madeira perdendo a consciência. Os objetos nas estantes tremeram mais uma vez.
Com um movimento rápido das garras, o guardião arrebentou a corda que o prendia. Gotham tornou-se o novo alvo. O gato negro pulou na direção do gigante que tão rápido quanto o adversário sacou o machado de duas lâminas que carregava as costas. O machado afiado rachou a cabeça do imprudente atacante em duas partes desiguais. O corpo da criatura, estirado no chão, ainda se contorceu uma última vez antes de perder a vida completamente.
Mais tranquila, depois do susto, Sulth voltou até a prateleira, de onde pegou um vidro de formato esquisito. No rótulo havia uma inscrição em élfico.
— Isso vai ajudar! — a elfa disse, enquanto se aproximava de Hanns.
Retirou a rolha que tampava o recipiente. Um cheiro forte exalou pelo ambiente. Nos ferimentos de Hanns, a elfa passou o ungüento. O sangue aos poucos parou de escorrer.
— Temos de sair daqui! — disse Gotham.
O gigante pegou Hanns e o carregou como se fosse um grande sacou de batatas. Antes de saírem da farmácia, Sulth roubou mais alguns pequeninos frascos e os distribuiu entre os bolsos da calça e da camisa.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Capítulo 7
Diante da porta da farmácia, Gotham disse:
— Precisamos entrar. Por favor, ladrões ponham suas habilidades em prática.
— Muleeza! — Hanns enrolou a língua.
O gigante bêbado pegou a clava que carregava presa a cintura. Com uma pancada no trinco da porta fez saltar faísca para todos os lados. A clava mágica de Hanns soltava uma espécie de fogo alaranjado quando batia contra alguma coisa. Havia comprado aquela arma de um mago, um dos tantos trambiqueiros espalhados pela cidade. O gigante não sabia, mas logo, a carga mágica do objeto se extinguiria por completo.
Chamuscada e com o trinco esfacelado, a grossa porta de madeira se abriu com um ranger agudo. Por sorte ninguém abriu as janelas do prédio vizinho e a rua estava deserta.
— Seu energúmeno! — Sulth quase enlouqueceu. — Quer nos entregar pros guardas? Por que não abriu a fechadura com estilo. Sem sujeira, sem barulho, um verdadeiro ladrão não age desse jeito. Eu já te ensinei isso mais de uma vez! Tudo precisa ser feito com estardalhaço!
O sorriso cariado de Hanns se abriu:
— Gosto de te ver nervosinha!
Entraram na farmácia. Com o canto dos olhos, Sulth viu algo estranho se movimentando no escuro. Duas luzes vermelhas com o formato de bolas de gude voaram pelo recinto até sumirem atrás de um balcão.
— Precisamos entrar. Por favor, ladrões ponham suas habilidades em prática.
— Muleeza! — Hanns enrolou a língua.
O gigante bêbado pegou a clava que carregava presa a cintura. Com uma pancada no trinco da porta fez saltar faísca para todos os lados. A clava mágica de Hanns soltava uma espécie de fogo alaranjado quando batia contra alguma coisa. Havia comprado aquela arma de um mago, um dos tantos trambiqueiros espalhados pela cidade. O gigante não sabia, mas logo, a carga mágica do objeto se extinguiria por completo.
Chamuscada e com o trinco esfacelado, a grossa porta de madeira se abriu com um ranger agudo. Por sorte ninguém abriu as janelas do prédio vizinho e a rua estava deserta.
— Seu energúmeno! — Sulth quase enlouqueceu. — Quer nos entregar pros guardas? Por que não abriu a fechadura com estilo. Sem sujeira, sem barulho, um verdadeiro ladrão não age desse jeito. Eu já te ensinei isso mais de uma vez! Tudo precisa ser feito com estardalhaço!
O sorriso cariado de Hanns se abriu:
— Gosto de te ver nervosinha!
Entraram na farmácia. Com o canto dos olhos, Sulth viu algo estranho se movimentando no escuro. Duas luzes vermelhas com o formato de bolas de gude voaram pelo recinto até sumirem atrás de um balcão.
quarta-feira, 8 de julho de 2009
Convite de Lançamento - Draculea
sábado, 4 de julho de 2009
Capítulo 6
O gigante bêbado caminhava em ziguezague feito uma barata tonta. A noite já havia descido seu manto negro sobre as ruas de Gigamir. Hanns disse com convicção:
— Agora preciso de fumo.
— Mais essa! — praguejou a elfa.
Hanns liderou o grupo em um destino incerto pelas ruas de Gigamir.
Gotham falou no ouvido de Sulth:
— Precisamos acabar com a bebedeira desse desmiolado.
— Uma farmácia resolverá nosso problema — disse a elfa.
Sulth tinha bons conhecimentos sobre ervas e chás:
— Hanns, venha conosco. Eu sei onde arranjar o fumo que você tanto deseja — a elfa deu uma piscadela pra Gotham.
— Maravilha! Eu gosto de qualidade, ouviu bem?
— Fique tranqüilo, gigante!
A elfa foi à frente. Da rua em que estavam, os três podiam ver a torre de Tullging. As torres da cidade são lugares extremamente adequados para fugir da sujeira que se acumula nos becos. Também, ideais para se proteger da grande quantidade de bandidos que se escondem nas vielas e nas hotelarias de péssima qualidade.
Gotham perdido em devaneios imaginou que um dia pudesse viver em uma torre. E quem sabe, estar rodeado de dezenas de tesouros diferentes. Ter pedras preciosas protegidas por alguma fera terrível da Floresta dos Desejos não era nada mal. O gigante gostava de imaginar coisas interessantes.
As ruas de Gigamir, em sua maioria, eram estreitas: locais escuros e abafados que fediam a lixo e mofo. De avenida espaçosa, existia apenas a que dava acesso ao palácio do rei.
Depois de dobrar uma esquina aqui, outra ali, a elfa disse:
— Chegamos!
Pararam diante de uma farmácia.
— Agora preciso de fumo.
— Mais essa! — praguejou a elfa.
Hanns liderou o grupo em um destino incerto pelas ruas de Gigamir.
Gotham falou no ouvido de Sulth:
— Precisamos acabar com a bebedeira desse desmiolado.
— Uma farmácia resolverá nosso problema — disse a elfa.
Sulth tinha bons conhecimentos sobre ervas e chás:
— Hanns, venha conosco. Eu sei onde arranjar o fumo que você tanto deseja — a elfa deu uma piscadela pra Gotham.
— Maravilha! Eu gosto de qualidade, ouviu bem?
— Fique tranqüilo, gigante!
A elfa foi à frente. Da rua em que estavam, os três podiam ver a torre de Tullging. As torres da cidade são lugares extremamente adequados para fugir da sujeira que se acumula nos becos. Também, ideais para se proteger da grande quantidade de bandidos que se escondem nas vielas e nas hotelarias de péssima qualidade.
Gotham perdido em devaneios imaginou que um dia pudesse viver em uma torre. E quem sabe, estar rodeado de dezenas de tesouros diferentes. Ter pedras preciosas protegidas por alguma fera terrível da Floresta dos Desejos não era nada mal. O gigante gostava de imaginar coisas interessantes.
As ruas de Gigamir, em sua maioria, eram estreitas: locais escuros e abafados que fediam a lixo e mofo. De avenida espaçosa, existia apenas a que dava acesso ao palácio do rei.
Depois de dobrar uma esquina aqui, outra ali, a elfa disse:
— Chegamos!
Pararam diante de uma farmácia.
quarta-feira, 1 de julho de 2009
Museu do Terror
Resolvi criar um novo blog depois de participar do Concurso Escritores de Terror, promovido pelo Mario Carneiro Jr. O meu conto Museu do Terror acabou gerando uma série de ideias que não consigo deixar trancadas na gaveta. Será um blog voltado para a Literatura Fantástica, percorrendo alguns alçapões escuros da linha do terror.
Basta acessar o link:
A imagem selecionada para o topo do blog ainda é provisória.
Um grande abraço aos amigos leitores!

Hylana divulgada no Estronho

M. D. Amado, além de um ótimo escritor é um divulgador da cultura literária. Em seu site Estronho e Esquésito proporciona ao internauta uma viagem a literatura brasileira contemporânea. Na seção dicas de livros encontramos uma série de autores nacionais de talento. Hylana nas Terras de Lhu aparece entre essa lista. Se puderem visitem o site Estronho de M. D. Amado, eu indico. É só clicar no link.
Um abraço.
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