sábado, 27 de junho de 2009

Invasão


Olá, pessoal! Saiu a lista oficial dos contos participantes do livro organizado por Ademir Pascale, que será editado pela Giz Editorial: Invasão. Fui um dos selecionados com o meu conto: Sonda. Vai ser uma satisfação participar de mais esse livro. E poder participar com todos esses autores, entre eles, alguns dos amigos que mantenho contato pela Internet, o Rober, o Mario Carneiro Jr. e o Nenezio. Confiram a capa do livro e a lista dos autores:


Anderson dos Santos Costa, Angela NadjaBerg Ceschim Oiticica, Christian David, Daniel Pedrosa, Daniele Helena Bonfim, Danny Marks, Nenezio (Divanir Manzato), Duda Falcão, Edmar Souza Júnior, Eduardo Lesnok, Estevan Lutz, Jocir Prandi, Mariana Albuquerque, Mario Carneiro Jr., Miguel Carqueija e Mélanie Evarino Leite, Ricardo Delfin, Rober Pinheiro, Rômulo Mafra, Ronaldo Costa, Ronaldo Luiz Souza, Vinícius Vieira, Waldick Garrett e Wilson Silva.


Detalhe: ainda não foram divulgados os nomes dos contos, quando isso acontecer atualizo a lista.

Capítulo 5

Hanns entrou na primeira taberna que avistou. Sulth estava visivelmente furiosa. Gotham, por sua vez, sempre assumia o papel de conciliador da equipe. O ambiente da taberna recendia a mofo. Por sorte, uma mesa estava desocupada, do contrário, Hanns poderia se enfurecer. O gigante gritou para o garçom:
— Cerveja! Cerveja, gnomo! — bateu na mesa com a mão pesada. — Não tenho todo o tempo do mundo!
— Deixe de ser estúpido, Hanns! — a elfa, reprimiu a atitude do gigante. — Destrate o garçom e o máximo que terá é uma cerveja quente! Entendeu?
Dois músicos tocavam uma melodia alegre. Um bando de orcs se satisfazia com a dança de uma orc semi-nua no palco. Diante do espetáculo as criaturas armadas até os dentes riam de empolgação empunhando canecos de cerveja.
Um gnomo, o garçom, de quase um metro de altura saltou sobre a mesa redonda em que os três companheiros seriam servidos:
— Então, o que vai ser pros gigantes e pra bela senhorita de cabelos azuis?
O garçom vestia uma roupa verde luminosa bem esquisita.
Gotham antes de fazer qualquer pedido reclamou:
— Primeiro, nós queremos que o mago dessa espelunca diminua a temperatura do ambiente. Está muito calor por aqui!
— Desculpe, senhor, mas já faz algum tempo que tivemos de demitir nosso mago do frio. Os negócios não andam muito bem ultimamente.
— Que lixo! — reclamou Sulth esquecendo do próprio conselho que dera para Hanns.
O gigante lembrando da repreensão sorriu para Sulth mostrando os dentes cariados. De tão indignada que a elfa estava por pouco não pulou no pescoço dele.
— E então, o que vai ser? — insistiu o gnomo com sua voz aguda.
— Uma cerveja pra ele — disse Gotham apontando para Hanns.
Hanns olhou para o amigo e segurou o gnomo pela gravatinha borboleta:
— Eu quero uma bebida bem forte! Desisti da cerveja.
Gotham e Sulth olharam com desaprovação para o companheiro.
— Ainda temos algumas doses de escamas de dragão escarlate. Nas Terras de Lhu não existe nada mais forte.
Hanns olhou pros companheiros e o sorriso cariado abriu-se de contentamento. Bonachão ao extremo bateu com a palma da mão sobre a mesa de madeira:
— É exatamente o que preciso. Traga duas doses!
Gotham e Sulth pediram um caneco de Molha Goela, bebida amarga extraída de um vegetal verde que nascia nas proximidades da poderosa cidade de Carmal. A criaturinha deu um salto acrobático, em um instante estava no balcão cochichando algo no ouvido de um gigante que servia as bebidas.
O cheiro do tabaco e de fritura predominava no lugar. Diversas criaturas humanóides conversavam, bebiam e enchiam as panças: gigantes, homens-lagarto, orcs, guerreiros-hienas, um ou outro mago humano escondido sobre o capuz, gnomos das trevas e também anões que trabalhavam nas minas Korialis.
— Um mago poderia acabar com esse cheiro horrível de peixe frito —reclamou Sulth.
Gotham colaborou com as críticas negativas:
— Climatizar o ambiente seria melhor ainda. Isso aqui parece o interior de um vulcão.
— Vocês são dois recalcados! — xingou Hanns. — Deixem de reclamar e vamos ouvir a música.
O garçom chegou com as bebidas. Hanns emborcou todo o líquido escarlate de uma só vez.
— E então, senhor, não é uma maravilha? — perguntou o gnomo.
— Incrível! Mais duas doses!
Gotham, não gostou nada daquilo. O rosto de Hanns tinha adquirido uma coloração rosada. O amigo já estava bêbado.
O gnomo trouxe mais um duplo de escamas de dragão escarlate. Hanns bebeu com satisfação. Depois de acabar pediu mais.
Antes que o garçom fosse buscar outra dose, Gotham o pegou pela gola da camiseta. Ameaçou o gnomo sem que Hanns pudesse escutar:
— Escute aqui, rapazinho! Diga pro gigante que a bebida acabou! Se ele beber mais uma gota sequer eu quebro o seu pescoço. Entendeu?
— Sim! — o garçom tremeu. Foi até o balcão e voltou logo em seguida.
Hanns já reclamava da incompetência do pequenino.
— Senhor, a bebida acabou! – disse o gnomo, demonstrando preocupação na voz.
— O quê? Mas bebi tão pouco — Hanss começou a soluçar.
— Não precisamos mais de bebidas por agora. Temos de trabalhar. Lembra Hanns? — disse Gotham, mantendo a calma e a paciência.
Não houve resposta. Agora o gigante parecia um pouco desorientado.
— Quanto custou essa brincadeira? — Gotham perguntou.
Gotham pagou as bebidas de Hanns, pois o gigante não tinha condições de contar moeda alguma. Doses de escamas de dragão escarlate eram caríssimas. Prometeu pra si mesmo que na primeira oportunidade rapava os bolsos do colega. Os três saíram do bar.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Capítulo 4

Sulth ao sair da casa de Tull não conteve sua língua e deixou escapar um desaforo:
— Até que enfim, eu não agüentava mais o cheiro daquele porco!
— É melhor você se controlar elfa — aconselhou Gotham olhando para baixo.
Faltava pouco para anoitecer. As pedras vermelhas que serviam de pavimento para as ruas do centro ainda estavam quentes. Sulth podia sentir seus pés fervilhando dentro das sandálias. Mercadores e pedestres abarrotavam a cidade.
— Preciso fumar e beber um trago! — rosnou Hanns.
— Não há tempo pra isso temos um trabalho pra realizar! — disse Gotham.
— Antes o prazer. Depois o trabalho. Alguém sabe onde posso encontrar fumo aqui por perto — Hanns olhou ameaçadoramente pra Sulth.
— Não tenho a mínima idéia — respondeu a elfa.
— Não estamos dispostos a aguentar suas loucuras. Vamos pra torre de Tullging — ordenou Gotham.
— Façam o que bem entenderem! Vou pra taberna tomar alguma coisa. Encontro vocês depois.
Antes que Sulth seguisse o caminho para a torre e os deixasse enchendo o gigante de xingamentos, Gotham a pegou pelo ombro:
— Espere elfa! Vamos com ele. Depois que Hanns tomar um caneco de cerveja será mais fácil controlá-lo.
— Não tenho tanta certeza! Com essa você me deverá um favor! Vamos pra qualquer taberna que esteja em nosso caminho, então!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Capítulo 3

A torre de Tullging não era a maior de Gigamir, mesmo assim a elfa sentiu vertigem ao contemplar sua altura. Teve a sensação de que teriam de escalar o prédio para consumar a tarefa ardilosa.
Em um saquinho preso a cintura, Gotham trazia nozes. Começou a mastigar a especiaria:
— Descreva Tullging para que possamos lhe trazer a cabeça correta!
— Tullging é um ordinário! Um safado, um idiota...
— Exato! Podemos imaginar. Mas queremos outros detalhes. Uma descrição física nos bastará — Sulth disse sem perder a paciência.
— Bem, é um homem-javali.
Os três mercenários ficaram quietos. Essa informação apenas não era suficiente. Depois do silêncio, Tull percebeu que devia falar mais um pouco sobre o seu desafeto.
— Ele possui quase dois metros de altura. É uma anomalia, sem dúvida alguma. Nenhum homem-javali é tão alto quanto ele. Ao contrário de um corpo esbelto e gorduroso feito o meu, conserva uma massa incrível de músculos por toda a parte. Usa brincos no nariz e nas orelhas. Parece um maldito pirata. Além de tudo, é caolho. Substituiu o órgão perdido com uma jóia vermelha de rara beleza.
— Agora sim, não teremos como trazer a cabeça errada — disse Sulth aos companheiros.
Gotham sorriu revelando os dentes cariados repletos de fragmentos de nozes.
— Não esqueçam. Quero que as presas e o olho postiço de Tullging continuem no mesmo lugar. Entenderam? Do contrário, não lhes pago uma moeda de latão.
Os três balançaram afirmativamente as cabeças.
Tull disse com visível satisfação:
— Vou ornamentar a sala de estar com a carranca completa do meu inimigo. Há, Há, Há! — Sobre a pança repousou a mão esquerda tentando controlar o acesso de gargalhadas doentias.
Assim que o homem-javali se acalmou, Gotham disse:
— Precisamos de um adiantamento!
— Darei cinqüenta peças de ouro pra cada um de vocês. Ao entregarem a encomenda recebem o resto.
— Só isso! Arriscaremos nossas vidas por essa miséria — Sulth botou a mão no cabo do punhal.
Tull, indignado, cuspiu no chão sujo desaprovando a contestação da elfa.
— Não de ouvidos a ela, Tull — disse Hanns.
O homem-javali coçou a barriga.
— A garota é inexperiente em negociações. Ainda tem muito o que aprender conosco. Aceitamos sua oferta — falou Gotham.
— Dê logo as moedas — exigiu Hanns.
O homem- javali pegou três sacos de couro embaixo de uma mesa e entregou um para cada.
— Permanecerei acordado esperando por vocês. Saiam da minha frente! Mexam esses traseiros magros!
Os dois gigantes e a elfa deixaram o sobrado fedorento do contratante.

sábado, 6 de junho de 2009

Capítulo 2

Hanns abriu uma pequena bolsa de couro e disse afoito:
— Me dê logo as moedas!
— Tenha calma! — Gotham segurou o pulso do amigo com firmeza. — Onde encontramos nossa cabeça das mil peças de ouro?
As pernas miúdas de Tull tiveram grande dificuldade em levantar o enorme e obeso corpanzil da confortável poltrona. O suor fedorento do homem-javali se espalhou pela peça. Os gigantes não se importaram muito com a fedentina. Mas a elfa, sem esconder a repugnância que sentiu, botou uma das mãos sobre o nariz aquilino.
Tull abriu as janelas da sacada e apontou com suas unhas negras e sujas para uma das muitas torres que se elevavam na cidade dos gigantes:
— Vêem aquela torre?
Gotham levantou das almofadas em que permanecia acomodado e se aproximou de Tull. As orelhas eriçadas, de pêlo negro do homem-javali, alcançavam o umbigo do gigante. Hanns fez o mesmo que o companheiro. Seus movimentos eram desajeitados. Não é fácil se mexer em um local apertado quando sua altura ultrapassa os três metros. A elfa os acompanhou posicionando-se ao lado de Tull na sacada.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Olá, pessoal! Saiu a lista oficial dos contos participantes do livro organizado por Ademir Pascale: Draculea. Fui um dos selecionados com o meu conto: Emplumado.
Vai ser uma satisfação poder participar de um livro que tem diversos nomes de peso representantes da literatura nacional de terror. Confiram a capa do livro e a lista abaixo. Um abraço!

Prefácio: Nelson Magrini
Contos:
1 - Draculea - Ademir Pascale
2 - O Missionário - Estevan Lutz
3 - O Relato do Capitão BlackBurn - César Almeida
4 - Marcas Eternas - Luciana Fátima
5 - O Guardião - J.P. Balbino
6 - Emplumado - Duda Falcão
7 - O Filho da Escuridão - Almir Pascale
8 - Comida de Vampiro - Pedro Vicentini (Tagobar)
9 - Noites de Trevas - Elenir Alves
10 - Aprender Para Dominar - Simone O. Marques
11 - Trágica História - Ricardo Delfin
12 - Os Segredos do Pergaminho - Bruno Resende
13 - Sabor de Absinto - Dione Mara Souto da Rosa
14 - Beijo de Sangue - Alexsandre Moro (MMEA)
15 - Filosofia Vlad - Adriano Siqueira
16 - O Velho Vampiro - M.D. Amado
17 - Fantasmas Vivos - Danny Marks
18 - Andarilhos Noturnos - Felipo Bellini
19 - O Rito do Caminho - Angela NadjaBerg Ceschim Oiticica
20 - Rinaldo - Christian David
21 - O Mal Busca a Verdade - Jean Felipe Felsky
22 - A Descoberta de um Segredo - Raphael Albuquerque Cavalcanti (Raphael O Lord)
23 - Nas Profundesas do Coração - Daniele Helena Bonfim
24 - Imagem - Henrique Cananosque (Vampiro Triste)
25 - Marcela - Evandro Guerra
26 - Tormento - Mario Carneiro Jr.
27 - Escrituras - Ana Dominik