terça-feira, 28 de abril de 2009

Site e edição em pdf de Hylana nas Terras de Lhu

Conforme prometido a versão em pdf de Hylana nas Terras de Lhu está pronta!
Caros leitores, basta que acessem o seguinte link para o site elaborado pelo Selo Multiversos Editorial: http://www.multiversos.net/s.net/
Fiquei muito satisfeito com o resultado final. Valeu, Carlos, por levar fé nesse projeto!

Aqui no blog continuarei postando contos provenientes das Terras de Lhu. A nova história, O Olho de Tullging, será postada no ínicio de junho.

Outra boa notícia é que continuarei no segundo semestre as postagens do Volume II. A heroína e a sua katana voltarão em breve.
Um abraço!

sábado, 25 de abril de 2009

Novidade

Dia 27/04 será lançado o livro Hylana nas Terras de Lhu em versão pdf pelo Selo Multiversos Editorial, organizado por Carlos Rocha. O link para o download estará disponível a partir desse dia. Além disso, o site conterá novos textos informativos sobre as Terras de Lhu e ilustrações.

Caros leitores, obrigado por continuarem acompanhando o blog.

Um abraço!

Capítulo 20 - Final

Glimbertrix passou por Batel Horm, o anão estava inconsciente. Do bico, do corvo líder, o gnomo arrancou o amuleto salvador e com toda a velocidade que era possível subiu as escadarias da torre do sino.
— Vá com o pequenino — disse o sacerdote para a elfa. — Do Bruxo dos Corvos eu posso cuidar sozinho!
No alto da torre, Glimbertrix praticamente deu de cara com o dragão negro. Talvez a criatura tivesse mais de trinta metros de altura. Suas asas abertas encobriam os raios de Loril que se espichavam no horizonte. Gideon ao ver o Olho de Tullging instalado no amuleto puxou conversa com o gnomo:
— Meu pequenino, camarada! Veio trazer pra mim o que desejo?
Glimbertrix não conseguiu encarar o dragão negro. Diante do silêncio do gnomo Gideon estendeu uma das gigantescas mãos.
— Coloque aqui o amuleto! — ordenou o dragão. — Não se demore criaturinha! Desse jeito vou ficar zangado!
O gnomo estava prestes a obedecer ao comando da criatura. Mentati chegou a tempo de impedir o companheiro. Às suas costas deu um grito veemente:
— Não!
Glimbertrix com o amuleto na mão apontou-o para a provável posição do coração de Gideon. Com toda força de vontade possível pediu aos deuses que o amuleto funcionasse. Pediu a Lhu que o protegesse.
Moradores olhando pelas frestas das janelas de suas casas puderam ver o raio vermelho que escapou das mãos do gnomo. Na verdade, aquela luz forte se originou do Olho de Tullging encaixado no centro do amuleto da águia e da serpente.
O coração negro do grande Gideon explodiu após ser atingido pelo raio mortífero. A criatura desabou do ar derrubando partes de algumas casas que ficavam ao redor da praça. Ao cair no chão era como se um terremoto houvesse atingido Dartmor. Depois de contemplar o corpo sem vida do inimigo, Mentati puxou o gnomo pelo ombro. Entraram na torre se refugiando dos olhares inquietos de moradores que começavam a deixar suas casas para ver mais de perto o dragão morto.
O gnomo e a elfa se aproximaram do sacerdote.
— Está acabado? — perguntou o velho.
— Sim — respondeu Glimbertrix mostrando o Olho de Tullging.
A pedra havia assumido uma coloração cinza.
— Na pedra não existe mais energia — decretou o sacerdote.
Mentati, Glimbertrix e o velho ainda foram surpreendidos pelo Bruxo dos Corvos. O humano parecia estar totalmente fora de combate depois do último choque. De joelhos e cabeça baixa dava a impressão de ter se resignado com a sua derrota. Mas não, pulou sobre Glimbertrix tentando estrangular o gnomo.
A elfa usando uma técnica eficaz de combate acertou um ponto exato no pescoço do mago. O aliado do dragão caiu inconsciente. Todos suavam, o templo estava quente como se fosse um grande forno de pedra devido as baforadas de fogo de Gideon que atingiram o seu exterior.
— Temos de ajudar Batel — disse Glimbertrix preocupado.
O velho se dirigiu até o anão. O estado do rosto era lastimável.
— Está ardendo em febre — constatou o velho ao colocar a mão sobre a testa dele. — Cuidarei do amigo de vocês. Minha magia de cura é invejável! Até mesmo Hylana, a filha da Imperatriz, já precisou dos meus conhecimentos. Fiquem tranqüilos. Ele vai se recuperar!
— E quanto ao Bruxo dos Corvos? — quis saber Glimbertrix.
— Vou cuidar dele também!
— Você é bom! — disse Mentati para o sacerdote. — O bruxo não merece nossa caridade.
— Não se engane, minha cara! Esse é o Templo das Divindades. O que prevalece aqui é a neutralidade! Dentro dos meus domínios todos merecem respeito, tanto os bons quanto os maus!
Mentati ficou calada.
— Vocês dois devem partir! — disse o velho do pijama azul. — Nenhum caminho que os conduza para o centro da cidade é seguro. Em breve, espiões da imperatriz vão estar por todos os lados querendo saber de que forma foi morto Gideon. Vou deixar que usem o túnel do templo. O caminho os conduzira para perto da estrada velha.
— Cumpri minha missão! Não existe motivo algum para continuar em Dartmor! Vou embora agora mesmo! — disse Mentati.
O sacerdote conduziu o gnomo e a elfa até o túnel do qual falara.
— Devolva-me o Olho de Tullging, gnomo! — solicitou a elfa.
— Por favor, deixe-me levar o amuleto completo para o meu amigo! Ele foi o contratante dessa empreitada.
— Não!
— Não fará nenhum mal se deixar que ele leve o Olho, elfa! A pedra não serve para mais nada. Sua energia foi totalmente sugada quando o dragão pereceu — interviu a favor do gnomo, o sacerdote.
Depois de alguma reflexão ela concordou:
— Tudo bem, Glimbertrix! Leve a pedra, você provou ser um companheiro fiel.
O gnomo fez um pedido ao velho:
— Sacerdote entregue essas moedas de ouro para Batel Horm. Ele as conquistou depois de tudo o que aconteceu. Sobrará também para o primo dele. Mas não deixe que o Bruxo dos Corvos se aproxime delas. É óbvio que ele não as merece.
— Assim será feito!
— Pegue, Mentati! É tudo o que sobrou — Glimbertrix ofereceu as moedas restantes para a elfa.
— Não vim aqui pelo prêmio. Eu tinha uma missão. E tê-la executado me basta!
O gnomo e a elfa seguiram pelo túnel depois de se despedirem do sacerdote do Templo das Divindades. Caminharam no escuro, tateando pelas paredes úmidas até encontrarem a luz de Loril. Saíram do túnel e se depararam com uma plantação de trigo. De lá puderam avistar a estrada velha. Despediram-se prometendo amizade. Glimbertrix foi se encontrar com Maleus e contar as boas novas. Mentati, por sua vez, voltou para as terras Élficas, lugar onde seria eternizada em canções de bardos.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Capítulo 19

Os corvos se acumularam sobre Batel Horm e Mentati. Suas bicadas eram potentes, capazes de rasgar a pele. O anão estava ficando cansado de ter que estraçalhar aquele mundaréu de pássaros negros. Por enquanto, todos os ferimentos em seu corpo eram cortes leves, mas se o ataque continuasse naquele ritmo não aguentaria por muito tempo.
Lá fora, um guinchar horrível quase fez parar o coração de todos os que estavam no templo. No vitral mais alto do prédio, o grupo pôde ver uma enorme sombra barrar a luz de Loril.
— Meu mestre chegou! — gritou o Bruxo dos Corvos. — Nada poderá salvá-los agora!
Os vitrais do Templo das Divindades explodiram. Cacos coloridos se espalharam pelo ar. O dragão havia soltado uma rajada de fogo sobre a edificação. Todos protegeram a face para evitar a terrível chuva de vidro. A temperatura aumentou drasticamente, fazendo com que o suor escorresse de seus corpos. Muitos corvos foram dardejados pelos cacos de vidro. O rosto de Batel Horm foi atingido pelos objetos pontiagudos e cortantes. O anão soltou o machado e urrou de dor.
Pelas janelas puderam ver o grande dragão negro, Gideon. Era a primeira vez que o sacerdote via um dragão daquele tamanho. Ele havia caminhado por aquelas terras como poucos já haviam feito. Dava pra dizer que nas Terras de Lhu, nos últimos tempos, os dragões eram criaturas raras de se encontrar.
— Estamos fritos — disse Glimbertrix segurando-se nas dobras do casaco azul do sacerdote. — Pobre Batel Horm!
— Não perca as esperanças, gnomo — disse o velho sacerdote. — O templo poderá nos proteger durante algum tempo, enquanto eu ainda tiver forças. Do anão cuidaremos daqui a pouco!
Gideon lançou mais uma baforada de fogo. Mas as chamas não ultrapassaram as janelas, foram barradas por uma poderosa mágica de proteção. Usando toda concentração disponível o sacerdote impedia que o templo se transformasse em uma fogueira gigante.
— Acabem logo com o dragão! Não sei quanto tempo poderei suportar os ataques — ele ordenou.
Glimbertrix reuniu coragem ao perceber que o velho estava resistindo. Correu na direção das escadarias que levavam a torre. Antes de subir gritou para o sacerdote uma pergunta essencial:
— Não sei como usar o amuleto?
— Mire a pedra na direção do coração de Gideon. Tenha fé no poder do amuleto! Agora, vá! — o sacerdote contraía os músculos da face como se estivesse fazendo uma força incrível.
— Não vá tão cedo amiguinho — disse o Bruxo dos Corvos para Glimbertrix.
O mago do vento manipulou o ar fazendo com que o gnomo levitasse do solo de pedra.
— Mentati! Pegue o amuleto e acabe com o dragão! — Glimbertrix jogou o objeto na direção da elfa.
Do ombro do mago voou o maior dos corvos. Aquela ave era o mensageiro líder. Suas penas tinham um brilho formidável que passava do negro ao azul escuro dependendo da incidência de luz sobre o corpo alado. Essa ave era a ligação dos corvos com o bruxo. Valendo-se de um vôo perfeito, o corvo líder agarrou com o bico o amuleto jogado por Glimbertrix. As penas diferenciadas e o tamanho anormal de seu corpo decidiram sua sorte. A pontaria e a visão de Mentati sempre foram motivos de admiração entre o seu povo. Com uma das lâminas afiadas que levava escondida à cintura, a elfa com um arremesso preciso acertou a ave de mau agouro. O corvo parou de bater as asas e caiu sem vida no chão do templo.
O elo mental entre o mago do vento e o corvo líder foi interrompido com a morte da criatura. Com isso, todos os outros corvos ficaram desorientados. As aves pararam de atacar os inimigos e pousaram em locais diferentes do templo. Algumas sobre os bancos de madeira e outras sobre as estátuas do Templo das Divindades.
Abalado com a perda do seu valoroso animal, o mago dos ventos esqueceu de Glimbertrix. O gnomo caiu em pé de uma pequena altura. Seu tornozelo direito torceu, mesmo sentindo dor correu sem jeito até o corvo líder.
— Desista enquanto é tempo, Bruxo dos Corvos! — o sacerdote ameaçou.
Indignado, o mago voou com rapidez na direção do velho. Com seu cajado de madeira retorcida girou um golpe feroz pra cima do adversário. O sacerdote não teve dificuldades em se defender. Seu bastão de cristal arrebentou a arma do oponente. Um choque percorreu o corpo do aliado de Gideon. Ele caiu de joelhos derrotado.

sábado, 18 de abril de 2009

Capítulo 18

No templo, sentado em um dos longos bancos de mogno do local, o sacerdote os aguardava. O dia estava muito próximo de amanhecer. Logo Loril, a estrela amarela que iluminava as Terras de Lhu, romperia noite. Seus raios luminosos invadiriam a escura edificação pelos vitrais coloridos das janelas.
— Encontraram? — perguntou o sacerdote ao mesmo tempo que se levantava.
— Sim — respondeu Mentati. — É hora de conectarmos as peças ao Olho de Tullging.
— Não confie no sacerdote! — sussurrou o mago do vento próximo a orelha pontuda da elfa.
— Chega! Não gosto de intrigas bruxo! — Mentati o empurrou para longe.
Antes que uma discussão se iniciasse, Batel Horm viu um corvo voar da cabeça de pedra do deus do trovão. A ave agourenta grasnou de forma estridente. O voou do pássaro terminou no ombro do mago dos ventos. O humano com um bote de sua mão esquelética tentou apoderar-se do Olho de Tullging que permanecia em um colar em volta do pescoço da elfa. Mentati perita em artes marciais desviou facilmente da investida atrapalhada do falso companheiro.
— Por que não se une comigo, Mentati? Poderíamos ter sido bons amigos! — o mago tinha um olhar malicioso na face obscura.
Nenhum dos presentes estava entendo a reação inesperada do mago. Ele disse furioso, enquanto o corvo grasnava em seu ombro:
— Não me olhem com essas caras de espanto, lacaios!
O brilho do seu olhar era sádico:
— Nenhum de vocês tem a mínima chance contra Gideon, o maior de todos os abençoados anciões de Lhu. Meus corvos já trouxeram a mensagem que eu esperava!
— Que mensagem? — o sacerdote tentou tirar alguma informação do imprudente mago dos ventos.
— Não existe motivo pra esconder qualquer coisa de vocês, pois logo estarão ardendo nas chamas do bafo quente de meu mestre. Os corvos me informaram que Gideon está chegando em Dartmor, por isso não tenho mais nada a temer. Não sobrará pedra sobre pedra dessa cidade fedorenta. A noite do dragão se aproxima, finalmente!
Pelos belos vitrais, a luz de Loril penetrou no Templo das Divindades. Estava amanhecendo na cidade de Dartmor.
— Não esqueçam do meu nome! Ele deve ficar marcado. Sou o Bruxo dos Corvos — disse o mago dos ventos.
Tão logo a luz de Loril se fez presente, uma nuvem de corvos invadiu o templo pela torre do sino. As aves enlouquecidas eram dominadas pela força de vontade do bruxo. O eco de seus grasnados poderia irritar qualquer um.
Batel Horm com seu machado tentava espantar as aves agourentas que queriam bicá-lo. Mentati decidiu entregar o Olho de Tullging e a peça da águia para Glimbertrix que estava mais próximo. Ela confiava no gnomo. Seguia os seus instintos e dificilmente falhava.
— Entregue ao sacerdote. Encaixem as peças do amuleto. Vou dar uma lição nesse traidor — disse a elfa, indignada.
Glimbertrix correu até o velho:
— Por favor, me entregue a peça da serpente! Sou bom em montar engrenagens. Farei isso em um instante.
O velho magricelo e de barbas longas pegou de dentro de um bolso do pijama azul a peça da serpente e a entregou ao gnomo. Levantou o báculo de cristal, era hora de neutralizar o poder daquele bruxo atrevido.
Glimbertrix se escondeu às costas do sacerdote, enquanto concluía a tarefa de armar as peças nos seus devidos lugares. Não foi uma tarefa difícil, já estava acostumado a esse tipo de brincadeira. Durante a infância sempre gostara de montar engenhocas. Primeiro colocou o Olho de Tullging em uma posição no centro da escultura em forma de águia. Depois, ele encaixou as duas peças conectadas dentro da escultura que representava a serpente. Pôde escutar o barulho de um “click”. Enfim, as três partes do amuleto estavam unidas.
Mentati correu na direção do revelado inimigo. Com um salto, a perna direita em riste teve a intenção de chutar o rosto dele. No entanto, atingiu uma espécie de escudo. Um pequeno tornado havia se formado ao redor do humano.
O Bruxo dos Corvos levitou a mais de dois metros de altura e disse:
— Não pensou que meus poderes já tinham acabado, minha bela elfa? E quanto a você sacerdote, acha que poderá enfrentar meus poderes?
— Nesse templo, somente os deuses são maiores do que eu! — respondeu o velho do pijama azul.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Capítulo 17

O prédio da administração era uma construção antiga de três andares. Glimbertrix pegou a chave que o sacerdote lhe dera e colocou na fechadura da porta de madeira.
Os aventureiros invadiram o prédio, e em dois grupos se separaram. O primeiro piso foi vasculhado por Glimbertrix e Batel Horm. O segundo e o terceiro andar por Mentati e o mago do vento. Sem descanso procuraram em todas as salas, até que em um gabinete, do último andar, Mentati encontrou a peça em forma de águia. A segunda metade do amuleto estava pregada a parede. A elfa com uma faca, usando de todo o cuidado possível, tirou o objeto de seu local de repouso.
— Estou com a águia em minhas mãos — disse a elfa para o mago dos ventos.
— Mentati, você acha uma boa idéia entregarmos essa peça tão valiosa ao sacerdote? — a fisionomia do mago era soturna.
— Não vamos entregar. Eu vou montar a peça e manter o amuleto comigo! Não podemos arriscar o destino das Terras de Lhu.
— Tem certeza de que vai conseguir? O sacerdote é poderoso. Viu o que ele fez comigo? — a voz do humano parecia sibilar feito o guizo de uma cascavel.
A conversa foi interrompida quando Batel Horm e Glimbertrix chegaram a sala.
— O amuleto! — vibrou o gnomo ao ver o objeto na mão de Mentati.
— Vamos voltar ao templo — disse a elfa decidida.
Deixaram o gabinete. Seguiram em direção ao templo. Com os ouvidos atentos prestavam atenção no barulho produzido pelas botas dos ciclopes. A cada vez que a marcha dos guardas se aproximava, o grupo desviava por outro caminho.
Finalmente entraram pela porta lateral do Templo das Divindades.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Terror Zine - Horror no Espelho

Saiu a Terror Zine número 8 publicada por Ademir Pascale e Elenir Alves. Um dos meus textos faz parte dessa edição: Horror no Espelho. É o meu primeiro miniconto. Prefiro histórias um pouco mais longas, porém achei interessante esse trabalho. É vapt-vupt, e temos uma idéia completa em um parágrafo. É só clicar na ilustração da capa da Terror Zine da coluna ao lado e acessar o pdf. Além do meu texto que está na página 15 aconselho a leitura das entrevistas com novos escritores do cenário nacional e os outros minicontos. Em especial, gostei dos trabalhos de Daniel Frini (Sindicato), Leonardo Brum (Visita Noturna) e Sérgio Gault vel Hartman (Los Desalmados). Boa leitura!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Capítulo 16

O grupo deixou o Templo das Divindades por uma porta lateral. O sacerdote entregou para Glimbertrix uma chave:
— Pegue isso, gnomo. É uma cópia da chave do prédio do governador. Já faz tempo que me preveni para essa situação. Agora sumam daqui e voltem o quanto antes — ordenou o sacerdote.
— Por que demorou tanto para nos entregar a chave? — perguntou Glimbertrix.
— Velhos não tem boa memória rapaz. Ande logo!
Finalmente o sacerdote trancou a porta. O grupo de aventureiros estava em uma viela escura. Glimbertrix liderou os companheiros procurando abrigo em baixo das marquises das casas e prédios de Dartmor. Era possível escutar os passos das botas dos ciclopes marchando pelas pedras escorregadias da cidade. Sempre que ouviam a aproximação dos guardas seguiam por um caminho oposto.
Porém, não estavam totalmente preparados para a presença de guardas que estavam escondidos nas sombras e na neblina espessa ao lado de uma casa desbotada.
Um dos ciclopes, com o martelo de guerra em riste, ordenou:
— Parados, todos vocês!
Todos ficaram imóveis, menos Glimbertrix que se aproximou dois passos do guarda:
— Eu disse, parado! — a voz do guarda foi mais enérgica dessa vez.
O interior do capuz do gnomo se iluminou.
— Não interrompa nossa peregrinação — ameaçou Glimbertirx. — Ou seu único olho vai virar geléia na gamela do Verme dos Cadáveres.
O ciclope se curvou pedindo desculpas. Com o colega voltou para o esconderijo nas sombras.
Quando estavam longe dos guardas, Batel Horm foi o primeiro a falar:
— Como você consegui se livrar deles, assim tão fácil?
— Deve ter realizado alguma ilusão — se atravessou o mago do vento, depois de tanto tempo sem dizer absolutamente nada.
— Foi isso mesmo. E das boas. Hoje estou inspirado. Não é sempre que minhas ilusões são tão perfeitas.
— Posso saber o que foi que você aprontou dessa vez? — continuava curioso Batel Horm.
— Todos sabem que esses guardas temem qualquer coisa que tenha mais de um olho na face. Possuem um jeito hostil, pois é a melhor maneira de se defenderem dos outros. No fundo, são uns medrosos. Estar vestido com essas roupas, certamente foi uma maneira de induzi-los a acreditar com mais credibilidade na ilusão que criei. É óbvio, para mim, que os ciclopes temam monges que cultuam o Verme dos Cadáveres. Isso, pelo fato de que a divindade possui dezenas de olhos em seu corpo gelatinoso. Então, iludi o boçal transformando minha face em algo repleto de olhos em chamas. Acho que ele ficou bem impressionado.

— Pelo jeito não suportaram a visão! — disse Batel Horm, admirado.
— São uns supersticiosos! — concluiu o mago do vento.
— Chega de conversa! Precisamos chegar logo ao prédio do governador. Enquanto conversamos diminuímos o nosso passo — disse Mentati. — Tenhamos foco, por favor.
O grupo apressou a caminhada. A neblina havia se tornado mais espessa. Finalmente chegaram ao seu destino.

sábado, 4 de abril de 2009

Capítulo 15

O sacerdote pediu que lhe acompanhassem até o outro lado da estátua de Lhu. Deixaram o quarto.
— Essa é a semana do culto ao Verme dos Cadáveres — disse o velho de longas barbas brancas. — Tenho mantos que tornarão vocês intocáveis essa noite.
Ao empunhar o bastão de cristal com um simples gesto, o sacerdote revelou uma porta oculta ao lado da estátua do dragão. Glimbertrix admirou o trabalho perfeito de ilusão que o velho havia realizado sobre a passagem secreta.
O sacerdote do Templo das Divindades desceu uma escadaria e sumiu no escuro. Ninguém se atreveu a acompanhá-lo.
— Não se mexam! Eu já volto! — sua voz ecoou de dentro da passagem.
Pouco depois, o sacerdote voltou com uma pilha de roupas dependuradas nos braços:
— Vistam esses mantos!
Nas costas de cada manto negro estava bordada uma figura bizarra. Era a representação do Verme dos Cadáveres, criatura anelídea com numerosas bocas e olhos.
O grupo vestiu os mantos.
— Você está muito engraçado dentro desse roupão, gnomo! — brincou Batel Hom.
Glimbertrix quase havia sumido dentro da roupa. As mangas lhe escondiam as mãos e a bainha do manto formava uma longa cauda como se fosse um vestido de festa.
— Foi o menor que eu encontrei — disse o sacerdote dirigindo-se a Glimbertrix.
Depois de vestidos, o grupo poderia ser identificado como sendo um bando de monges adeptos ao culto do Verme dos Cadáveres.
— Agora vocês são intocáveis! — decretou o sacerdote orgulhoso da sua idéia. — É hora de nos despedirmos, ao menos por enquanto.