O amuleto em forma de círculo imitava uma cobra de aspecto grotesco que engolia o próprio rabo. Estava esculpida em uma pedra avermelhada.
— Exato, caro gnomo — confirmou o sacerdote. — É a peça da serpente.
— Encontrar o amuleto foi mais fácil do que imaginei — disse Batel Horm.
— Ainda temos de procurar pela segunda metade do amuleto! — Glimbertrix lembrou. — A peça com formato de águia.
— Eu sei onde vocês podem encontrá-la — falou com tranqüilidade o sacerdote. — O governador de Dartmor usa a peça para enfeitar a parede do seu gabinete.
— Que palerma! Não sabe o valor do amuleto — disse Glimbertrix.
— Poucos sabem, gnomo. Por isso não me preocupei em roubá-la! — falou o sacerdote.
— Onde fica esse gabinete? — perguntou Mentati.
— No prédio da administração.
— Eu sei onde é — falou o gnomo.
— Vamos aproveitar que ainda é noite e concluir a missão. Vamos roubar o amuleto logo — disse Batel Horm, já cansado daquela conversa.
— Fiquem em silêncio! — ordenou o sacerdote. — Escutem!
Com medo do que o sacerdote pudesse fazer eles ficaram quietos. Das ruas úmidas e de pedras escorregadias de Dartmor escutaram passos pesados. Parecia que uma marcha era realizada durante a madrugada.
— Guardas! — concluiu Mentati.
— Parece que estão espalhados por toda parte. Deve ter acontecido algo muito grave. Do contrário, o capitão da guarda não ordenaria tal vigília no meio da noite. O que terá acontecido? — o sacerdote perguntou.
Não houve resposta, apesar do grupo ter certeza do motivo que havia mobilizado a tropa naquela madrugada: a morte dos ciclopes que procuravam por Mentati.
— Se quisermos montar o amuleto temos de deixar esse empecilho de lado! — disse o sacerdote para si mesmo. — Tragam a peça da águia até o templo. Algo me diz que as peças do jogo estão se movimentando. A serpente ficará comigo até que vocês voltem!
— Mas... Eu tenho de levar essa peça comigo. Não posso sair daqui sem ela — disse Glimbertrix frustrado.
— Caro, gnomo, não fique angustiado. O amuleto estará seguro dentro do templo. Vocês devem trazer a outra peça para que possamos conectá-la ao Olho de Tullging e a serpente. Só então, teremos a arma capaz de liquidar Gideon, o dragão negro.
— Pelo som das passadas, as ruas estão repletas de ciclopes — vociferou Batel Horm.
— Isso não será problema — falou o sacerdote.
Antes que notassem sua falta, o mago do vento se aproximou novamente do grupo. Uma de suas pálpebras ainda tremia depois do choque.
sexta-feira, 27 de março de 2009
sexta-feira, 20 de março de 2009
Capítulo 13
Glimbertrix para responder a pergunta do velho queria se aproximar dele. Tinha a intenção de entrar no recinto. Mas foi interrompido.
— Não entre aqui criaturinha! — avisou o sacerdote.
O homem de longas barbas brancas levantou da cama e calçou pantufas azuis da mesma cor do pijama que vestia.
Glimbertrix sem querer escancarou a porta. Todos viram a aparência cômica que o pijama conferia ao velho. Batel Horm segurou uma risada entre os dentes.
— Ninguém respeita mais o sono de um velho sacerdote?
— Ora, desculpe! — disse o gnomo envergonhado.
O velho abriu a porta de um armário embutido à parede. Foi quando o mago do vento o ameaçou:
— Se tentar qualquer coisa contra nós, eu acabo com você.
— Não diga asneiras, filho!
Com o auxílio do bordão de cristal, o sacerdote realizou uma magia eficaz de choque. Um raio azul partiu da ponta do objeto e atingiu o mago do vento que tremeu dos pés a cabeça. O homem caiu no chão. Uma cor azulada e branca percorreu pelo seu corpo durante mais alguns segundos. Enfim, a energia se desvaneceu.
— Aprenda, filho. Não seja arrogante na casa dos Deuses — disse o velho em tom de sermão.
Mentati ajudou o mago do vento a levantar. Depois do choque que recebera, o homem manteve-se calado tentando conter a tremedeira do corpo. Seus dentes batiam uns contra os outros, enquanto a mandíbula tremia.
De dentro do armário o sacerdote pegou um pesado manto, também de cor azul, porém um pouco mais escuro do que o resto da vestimenta. Colocou a pesada peça de lã sobre os ombros.
— Está muito frio fora da cama — disse ele.
Era visível o medo que os companheiros adquiriram do sacerdote depois daquele ato mágico que envolvia a energia azulada. Glimbertrix resolveu falar com todo o respeito possível:
— Desculpe nossa intromissão, senhor sacerdote! Vou ser sincero, talvez isso nos ajude.
— É melhor que expliquem direitinho o motivo dessa invasão! Do contrário eu fritarei os miolos de todos vocês. Ouviram bem?
— Sim, senhor! — respondeu Glimbertrix.
Os outros três pareciam enfeitiçados. Nem uma palavra sequer saia de suas bocas.
— Estou a serviço de um homem. Contratei esses camaradas para me ajudarem a encontrar um amuleto.
O gnomo revelava a missão sem receio algum. Parece que estava dominado pela vontade do sacerdote.
— Continue! — o velho fez um gesto rápido com a mão.
Glimbertrix sentia vontade de contar tudo o que sabia:
— O amuleto é uma arma letal.
O gnomo tinha a sensação de que o velho sacerdote investigava sua mente. Continuou a falar sem pausa:
— Juntando as duas partes do amuleto, nós poderemos matar o dragão negro.
O sacerdote o interrompeu:
— Na prática isso não se torna uma tarefa fácil! E além do mais, você está esquecendo que tem de ser acoplado ao amuleto uma pedra vermelha de propriedades especiais.
— Fale-nos um pouco sobre a tal pedra especial — pediu Mentati. Agora conseguindo falar.
— Existem algumas delas espalhadas pelas Terras de Lhu. A última de que tenho notícia servia de enfeite para um homem-javali.
— O Olho de Tullging — disse a elfa.
— Isso mesmo! — o sacerdote se impressionou com o conhecimento dela.
Mentati abriu um botão da gola de sua camisa esverdeada e mostrou a todos uma pedra vermelha, e disse:
— Eu possuo o Olho de Tullging. Tenho instruções de meus superiores para montar o amuleto e com o artefato liquidar o dragão negro.
— O que você sabe sobre os dragões negros, elfa? — quis saber o sacerdote.
— Não muito! Mas sei que esse dragão ancião, do qual Glimbertrix falou, está disposto a abrir um portal mágico. Na teoria que a criatura desenvolve, um túnel será aberto entre as galáxias, tornando possível viajar para outros planetas. Mesmo o Alto Mago Paramidas não sabe como realizar a passagem sem causar distúrbios no espaço-tempo. O dragão pode causar uma explosão catastrófica no momento em que conjurar a magia. Ou seja, a criatura é uma ameaça para todas as formas de vida das Terras de Lhu. Por isso, deve ser eliminado.
— E o que falta para que o dragão realize essa façanha de alto risco? — se atreveu a fazer uma pergunta Batel Horm.
— O próprio Olho de Tullging! Tenho notícias que Gideon, o dragão negro, enviou seus lacaios a caça do Olho na cidade élfica da Folha Dourada. A busca foi frustrada. Seus espiões circulam por algumas cidades de Lhu. Com certeza, é por causa da pedra que os ciclopes me procuravam. Até mesmo a imperatriz deve estar preocupada com as idéias malucas do dragão.
— A imperatriz almeja o poder completo. Duvido que o dragão não seja sua próxima vitima — falou Batel Horm.
— Sem o Olho de Tullging é uma tarefa complicada se livrar de Gideon, mesmo para a imperatriz. Todos sabem que não é fácil acabar com um dragão ancião. Simples armas não funcionam contra eles. Não é à toa que são chamados de abençoados. A maioria das pessoas acredita que eles são apenas lendas. Faz tanto tempo que se exilaram do convívio com as outras criaturas racionais. Vale dizer que os abençoados conhecem um sem número de magias incríveis — concluiu Metati.
— A pedra deve ser protegida por nós meus caros. Ao menos até que alguém se habilite a dar cabo do dragão — decretou o sacerdote.
— Meu contratante é a pessoa certa. Por isso estou aqui. Vou levar para ele o amuleto com a pedra — falou com convicção Glimbertrix.
— Não posso deixar que você leve o amuleto e muito menos o Olho de Tullging, Glimbertrix — disse Mentati. — Fui selecionada para essa tarefa pelos meus superiores. Todas as formas de vida nas Terras de Lhu correm perigo.
— Vim para cumprir minha tarefa, elfa! — o gnomo se tornou ríspido em uma atitude de confronto.
O sacerdote pressentindo uma eminente disputa entre o gnomo e Mentati teve de tomar uma decisão. Aproximou-se de uma escrivaninha no canto do quarto. O móvel estava abarrotado de livros, pergaminhos, penas de ganso para escrever, uma ampulheta e diversos potes de tintas coloridas. Abriu uma gaveta e de lá pegou um objeto.
— Aqui está o que procuram!
Na mão do sacerdote estava uma das partes do amuleto.
— A peça da serpente! — disse admirado Glimbertrix.
O mago do vento se aproveitou da distração do grupo para se afastar do quarto. Saiu sorrateiramente e se posicionou nas sombras ao lado da estátua do homem que segurava uma espada.
— Não entre aqui criaturinha! — avisou o sacerdote.
O homem de longas barbas brancas levantou da cama e calçou pantufas azuis da mesma cor do pijama que vestia.
Glimbertrix sem querer escancarou a porta. Todos viram a aparência cômica que o pijama conferia ao velho. Batel Horm segurou uma risada entre os dentes.
— Ninguém respeita mais o sono de um velho sacerdote?
— Ora, desculpe! — disse o gnomo envergonhado.
O velho abriu a porta de um armário embutido à parede. Foi quando o mago do vento o ameaçou:
— Se tentar qualquer coisa contra nós, eu acabo com você.
— Não diga asneiras, filho!
Com o auxílio do bordão de cristal, o sacerdote realizou uma magia eficaz de choque. Um raio azul partiu da ponta do objeto e atingiu o mago do vento que tremeu dos pés a cabeça. O homem caiu no chão. Uma cor azulada e branca percorreu pelo seu corpo durante mais alguns segundos. Enfim, a energia se desvaneceu.
— Aprenda, filho. Não seja arrogante na casa dos Deuses — disse o velho em tom de sermão.
Mentati ajudou o mago do vento a levantar. Depois do choque que recebera, o homem manteve-se calado tentando conter a tremedeira do corpo. Seus dentes batiam uns contra os outros, enquanto a mandíbula tremia.
De dentro do armário o sacerdote pegou um pesado manto, também de cor azul, porém um pouco mais escuro do que o resto da vestimenta. Colocou a pesada peça de lã sobre os ombros.
— Está muito frio fora da cama — disse ele.
Era visível o medo que os companheiros adquiriram do sacerdote depois daquele ato mágico que envolvia a energia azulada. Glimbertrix resolveu falar com todo o respeito possível:
— Desculpe nossa intromissão, senhor sacerdote! Vou ser sincero, talvez isso nos ajude.
— É melhor que expliquem direitinho o motivo dessa invasão! Do contrário eu fritarei os miolos de todos vocês. Ouviram bem?
— Sim, senhor! — respondeu Glimbertrix.
Os outros três pareciam enfeitiçados. Nem uma palavra sequer saia de suas bocas.
— Estou a serviço de um homem. Contratei esses camaradas para me ajudarem a encontrar um amuleto.
O gnomo revelava a missão sem receio algum. Parece que estava dominado pela vontade do sacerdote.
— Continue! — o velho fez um gesto rápido com a mão.
Glimbertrix sentia vontade de contar tudo o que sabia:
— O amuleto é uma arma letal.
O gnomo tinha a sensação de que o velho sacerdote investigava sua mente. Continuou a falar sem pausa:
— Juntando as duas partes do amuleto, nós poderemos matar o dragão negro.
O sacerdote o interrompeu:
— Na prática isso não se torna uma tarefa fácil! E além do mais, você está esquecendo que tem de ser acoplado ao amuleto uma pedra vermelha de propriedades especiais.
— Fale-nos um pouco sobre a tal pedra especial — pediu Mentati. Agora conseguindo falar.
— Existem algumas delas espalhadas pelas Terras de Lhu. A última de que tenho notícia servia de enfeite para um homem-javali.
— O Olho de Tullging — disse a elfa.
— Isso mesmo! — o sacerdote se impressionou com o conhecimento dela.
Mentati abriu um botão da gola de sua camisa esverdeada e mostrou a todos uma pedra vermelha, e disse:
— Eu possuo o Olho de Tullging. Tenho instruções de meus superiores para montar o amuleto e com o artefato liquidar o dragão negro.
— O que você sabe sobre os dragões negros, elfa? — quis saber o sacerdote.
— Não muito! Mas sei que esse dragão ancião, do qual Glimbertrix falou, está disposto a abrir um portal mágico. Na teoria que a criatura desenvolve, um túnel será aberto entre as galáxias, tornando possível viajar para outros planetas. Mesmo o Alto Mago Paramidas não sabe como realizar a passagem sem causar distúrbios no espaço-tempo. O dragão pode causar uma explosão catastrófica no momento em que conjurar a magia. Ou seja, a criatura é uma ameaça para todas as formas de vida das Terras de Lhu. Por isso, deve ser eliminado.
— E o que falta para que o dragão realize essa façanha de alto risco? — se atreveu a fazer uma pergunta Batel Horm.
— O próprio Olho de Tullging! Tenho notícias que Gideon, o dragão negro, enviou seus lacaios a caça do Olho na cidade élfica da Folha Dourada. A busca foi frustrada. Seus espiões circulam por algumas cidades de Lhu. Com certeza, é por causa da pedra que os ciclopes me procuravam. Até mesmo a imperatriz deve estar preocupada com as idéias malucas do dragão.
— A imperatriz almeja o poder completo. Duvido que o dragão não seja sua próxima vitima — falou Batel Horm.
— Sem o Olho de Tullging é uma tarefa complicada se livrar de Gideon, mesmo para a imperatriz. Todos sabem que não é fácil acabar com um dragão ancião. Simples armas não funcionam contra eles. Não é à toa que são chamados de abençoados. A maioria das pessoas acredita que eles são apenas lendas. Faz tanto tempo que se exilaram do convívio com as outras criaturas racionais. Vale dizer que os abençoados conhecem um sem número de magias incríveis — concluiu Metati.
— A pedra deve ser protegida por nós meus caros. Ao menos até que alguém se habilite a dar cabo do dragão — decretou o sacerdote.
— Meu contratante é a pessoa certa. Por isso estou aqui. Vou levar para ele o amuleto com a pedra — falou com convicção Glimbertrix.
— Não posso deixar que você leve o amuleto e muito menos o Olho de Tullging, Glimbertrix — disse Mentati. — Fui selecionada para essa tarefa pelos meus superiores. Todas as formas de vida nas Terras de Lhu correm perigo.
— Vim para cumprir minha tarefa, elfa! — o gnomo se tornou ríspido em uma atitude de confronto.
O sacerdote pressentindo uma eminente disputa entre o gnomo e Mentati teve de tomar uma decisão. Aproximou-se de uma escrivaninha no canto do quarto. O móvel estava abarrotado de livros, pergaminhos, penas de ganso para escrever, uma ampulheta e diversos potes de tintas coloridas. Abriu uma gaveta e de lá pegou um objeto.
— Aqui está o que procuram!
Na mão do sacerdote estava uma das partes do amuleto.
— A peça da serpente! — disse admirado Glimbertrix.
O mago do vento se aproveitou da distração do grupo para se afastar do quarto. Saiu sorrateiramente e se posicionou nas sombras ao lado da estátua do homem que segurava uma espada.
sábado, 14 de março de 2009
Capítulo 12
Alguns minutos depois, enquanto aguardavam nas escadarias, Glimbertrix e os outros ouviram passos sorrateiros vindos do interior da edificação. Escutaram uma chave girando na pesada porta de madeira que em seguida foi aberta. Mentati colocou o indicador sobre os lábios. Era um sinal claro de que solicitava silêncio. O grupo não deu um pio enquanto invadia o Templo das Divindades de Dartmor.
Logo que entraram puderam escutar um apito de som agudo vindo de fora do templo. Fecharam a pesada porta com urgência. Aquele sinal sonoro se repetiu mais algumas vezes antes que Glimbertrix falasse:
— Com certeza encontraram os corpos dos guardas. Os assassinos serão caçados.
— Hoje, se alguém for visto transitando pelas ruas será interrogado — falou Batel Horm que já era morador da cidade fazia algum tempo. — Isso, é claro, se não for direto para o calabouço. Lá, dizem, qualquer informação é conseguida através da tortura. Não importa que consigam extrair do indivíduo a informação verdadeira. Mesmo assim utilizarão de métodos pouco aceitáveis. Podem aguardar pelas notícias de gente desaparecida.
— Eu não queria que isso acontecesse. Mas nossa missão é de suma importância — falou o gnomo com ar de seriedade.
— É melhor ficarmos um tempo por aqui — disse Mentati para acabar com aquele assunto.
Do lado da porta de entrada havia uma escadaria que levava a torre do sino. Foi por aquele caminho que a elfa descera. O Templo das Divindades era repleto de esculturas magníficas. Na parede da direita, sentado em um trono estava Gling, o deus terremoto. Ao seu lado, a deusa da caça empunhava um arco e flecha. Do lado esquerdo, uma caveira de pedra segurava ameaçadoramente uma foice. Outro deus, sobre a cabeça empunhava um relâmpago. O deus dos ladrões assaltava a bolsa de uma pessoa desprevenida. Eram muitas as imagens, qualquer admirador de arte ou mitologia ficaria encantado de poder estudá-las com esmero. Nos pedestais de pedra, de cada figura, bruxuleavam acesas velas de diversas cores.
No fundo da edificação, um dragão olhava de soslaio para o grupo. Era a maior e mais bela arte daquele templo.
— Lhu! — disse Glimbertrix admirado.
Não era a primeira vez que o gnomo via a imagem do dragão. No entanto, sempre ficava estupefato com o poder de realismo que o autor havia concedido a escultura. Ao lado do dragão de pedra, uma porta de madeira estava semi-aberta.
Glimbertrix liderou o grupo até aquela porta. No ombro de uma estátua, de um homem com uma espada, o mago do vento viu pousado um corvo. Não teceu nenhum comentário.
Pela abertura da porta foi possível enxergar um toco de vela aceso sobre um pires. Por sua vez, a louça encontrava-se sobre um móvel de canto. Glimbertrix chegou mais perto e espiou dentro do recinto. Deitado em uma cama, agasalhado por um cobertor grosso, dormia um velho. Somente seu rosto de barbas brancas estava destapado. Usava um gorro azul de ponta longa.
Batel Horm que caminhava atrás de Glimbertrix pisou no calcanhar do gnomo.
— Ai! — gemeu, o pequeno líder.
O velho tossiu e abriu as pálpebras revelando olhos esverdeados. O homem sentou na cama imediatamente e agarrou um bordão com aspecto de cristal que estava encostado na parede.
— Alto lá! — o velho esfregou um dos olhos com a mão livre. — O que fazem invasores no Templo das Divindades?
Logo que entraram puderam escutar um apito de som agudo vindo de fora do templo. Fecharam a pesada porta com urgência. Aquele sinal sonoro se repetiu mais algumas vezes antes que Glimbertrix falasse:
— Com certeza encontraram os corpos dos guardas. Os assassinos serão caçados.
— Hoje, se alguém for visto transitando pelas ruas será interrogado — falou Batel Horm que já era morador da cidade fazia algum tempo. — Isso, é claro, se não for direto para o calabouço. Lá, dizem, qualquer informação é conseguida através da tortura. Não importa que consigam extrair do indivíduo a informação verdadeira. Mesmo assim utilizarão de métodos pouco aceitáveis. Podem aguardar pelas notícias de gente desaparecida.
— Eu não queria que isso acontecesse. Mas nossa missão é de suma importância — falou o gnomo com ar de seriedade.
— É melhor ficarmos um tempo por aqui — disse Mentati para acabar com aquele assunto.
Do lado da porta de entrada havia uma escadaria que levava a torre do sino. Foi por aquele caminho que a elfa descera. O Templo das Divindades era repleto de esculturas magníficas. Na parede da direita, sentado em um trono estava Gling, o deus terremoto. Ao seu lado, a deusa da caça empunhava um arco e flecha. Do lado esquerdo, uma caveira de pedra segurava ameaçadoramente uma foice. Outro deus, sobre a cabeça empunhava um relâmpago. O deus dos ladrões assaltava a bolsa de uma pessoa desprevenida. Eram muitas as imagens, qualquer admirador de arte ou mitologia ficaria encantado de poder estudá-las com esmero. Nos pedestais de pedra, de cada figura, bruxuleavam acesas velas de diversas cores.
No fundo da edificação, um dragão olhava de soslaio para o grupo. Era a maior e mais bela arte daquele templo.
— Lhu! — disse Glimbertrix admirado.
Não era a primeira vez que o gnomo via a imagem do dragão. No entanto, sempre ficava estupefato com o poder de realismo que o autor havia concedido a escultura. Ao lado do dragão de pedra, uma porta de madeira estava semi-aberta.
Glimbertrix liderou o grupo até aquela porta. No ombro de uma estátua, de um homem com uma espada, o mago do vento viu pousado um corvo. Não teceu nenhum comentário.
Pela abertura da porta foi possível enxergar um toco de vela aceso sobre um pires. Por sua vez, a louça encontrava-se sobre um móvel de canto. Glimbertrix chegou mais perto e espiou dentro do recinto. Deitado em uma cama, agasalhado por um cobertor grosso, dormia um velho. Somente seu rosto de barbas brancas estava destapado. Usava um gorro azul de ponta longa.
Batel Horm que caminhava atrás de Glimbertrix pisou no calcanhar do gnomo.
— Ai! — gemeu, o pequeno líder.
O velho tossiu e abriu as pálpebras revelando olhos esverdeados. O homem sentou na cama imediatamente e agarrou um bordão com aspecto de cristal que estava encostado na parede.
— Alto lá! — o velho esfregou um dos olhos com a mão livre. — O que fazem invasores no Templo das Divindades?
sábado, 7 de março de 2009
Capítulo 11
Esgueirando-se pelas sombras de Dartmor, o grupo formado pelo gnomo, uma elfa, um anão e um humano, logo chegou à frente da escadaria do templo.
— Quem é bom em abrir trancas? — perguntou Glimbertrix.
Batel Horm subiu as escadarias com o machado na mão.
— Espere anão! Existem outras maneiras de invadirmos um lugar sem precisarmos destruí-lo — disse o mago apontando para o alto do templo. — Lá em cima, na torre do sino existem janelas. Qual de vocês topa um passeio nas asas do vento?
Nenhum deles respondeu.
— Você gostaria de voar Mentati? — ele arriscou.
— Se você tiver poderes suficientes pra isso, bruxo! — a elfa o desafiou.
— Acredite, ainda tenho grande quantidade de energia pra gastar essa noite.
Mais uma vez o mago controlou o vento. Mentati sentiu uma brisa gélida invadir suas roupas fazendo com que sua pele se arrepiasse. A elfa levitou carregada por braços invisíveis. Em poucos segundos atingiu as janelas da torre do sino. Invadiu o templo e sumiu do olhar do grupo de aventureiros.
— Quem é bom em abrir trancas? — perguntou Glimbertrix.
Batel Horm subiu as escadarias com o machado na mão.
— Espere anão! Existem outras maneiras de invadirmos um lugar sem precisarmos destruí-lo — disse o mago apontando para o alto do templo. — Lá em cima, na torre do sino existem janelas. Qual de vocês topa um passeio nas asas do vento?
Nenhum deles respondeu.
— Você gostaria de voar Mentati? — ele arriscou.
— Se você tiver poderes suficientes pra isso, bruxo! — a elfa o desafiou.
— Acredite, ainda tenho grande quantidade de energia pra gastar essa noite.
Mais uma vez o mago controlou o vento. Mentati sentiu uma brisa gélida invadir suas roupas fazendo com que sua pele se arrepiasse. A elfa levitou carregada por braços invisíveis. Em poucos segundos atingiu as janelas da torre do sino. Invadiu o templo e sumiu do olhar do grupo de aventureiros.
terça-feira, 3 de março de 2009
Capítulo 10
O grupo dobrou uma esquina e caminhou silenciosamente pelas ruas. Glimbertrix percebeu que naquele momento estavam passando pelo prédio da biblioteca.
— Hei, o que acham de entrarmos primeiro na biblioteca? — perguntou o gnomo.
— Você é quem manda — disse Batel Horm pegando o machado.
Antes que pudesse golpear com potência a pesada porta de carvalho, Mentati agarrou seu ombro.
— Essa não é a melhor forma de resolvermos esse problema — disse a elfa com paciência.
Antes que pudessem arranjar outra solução para entrar no prédio foram surpreendidos pela chegada dos guardas. Os dois, dessa vez, andavam cautelosamente, sem fazer barulho pelas ruas calçadas. Um deles disse:
— Nós sabíamos que vocês eram arruaceiros — o ciclope havia visto o anão preparar o golpe de machado.
— Queriam roubar a biblioteca, não é mesmo? — perguntou o outro com evidente sarcasmo.
— Vamos dar uma lição em vocês — disse o primeiro guarda.
O ciclope levantou o martelo de guerra e acertou de raspão o anão mais próximo. Belo Trigal caiu e gemeu de dor. O ombro havia se deslocado, teve sorte, pois a martelada estava endereçada a sua cabeça.
— Primo! — gritou Batel Horm.
O mago levantou as mãos para o céu. As mangas do manto lhe escorregaram até os cotovelos deixando a mostra braços magros, quase esqueléticos. Cantarolou algo enigmático aos ventos marítimos de Dartmor. Enquanto, mantinha empunhado um retorcido cajado de madeira.
Tudo começou com uma leve brisa que levantou poeira. Um redemoinho de vento juntou folhas secas e sujeira das pedras negras e escorregadias do pavimento.
— Chega de ilusão! Vocês não nos enganam mais! — o segundo guarda vociferou.
O primeiro ciclope se adiantou na direção de Mentati. Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa foi capturado juntamente com o companheiro por um mini-ciclone controlado pelo mago. Os dois foram erguidos do chão como se fossem penas de abutre. Estavam a mais de quatro metros do chão. Indefesos e com o estômago revirado, devido aos diversos rodopios que deram no ar, não conseguiam se livrar daquele feitiço bem elaborado.
Quando os inimigos estavam a mais de cinco metros de altura, o mago cessou de controlar o vento. Tinha de guardar um pouco de suas forças mágicas para o restante da noite.
Os dois guardas foram jogados com violência ao chão. Não foi nada bom ouvir o barulho de ossos rachando. Um dos ciclopes quebrou o pescoço e morreu no mesmo instante. O outro ainda teve forças para se apoiar sobre um dos joelhos e retirar um apito do bolso. Antes que o sujeito pudesse apitar, Batel Horm, furioso, selou seu destino com a lâmina afiada do machado penetrando sua face de um olho só. Aquele ciclope não deveria ter se metido com eles, pensou o anão de barbas azuis.
— Estamos encrencados! — disse Batel Horm. — Como você está, primo?
— Meu braço não se mexe. Está doendo muito!
O anão de barbas azuis vasculhou os bolsos dos dois ciclopes e roubou seus parcos recursos. Talvez pudesse pagar uma parte do tratamento do braço de Belo Trigal com as moedas que encontrou.
— Vamos dar o fora daqui primo! — sugeriu Belo Trigal.
— Vou com eles, anão! Volte pra hospedaria e peça ajuda para o curandeiro do quarto doze. O sujeito é meu amigo! Pegue essas moedas.
— Cuide-se, Batel! – disse Belo Trigal apanhando as moedas com a mão boa.
Após a despedida entre os dois Glimbertrix resolveu reorganizar aquela empreitada frustrada até o momento. Sabia que Maleus, não o perdoaria se falhasse na missão. E, certamente, lhe reservaria um castigo. O gnomo disse:
— Perdemos nosso primeiro contratado. Por sorte ele está vivo e se recuperará. Darei as moedas dele para que você as entregue, Batel Horm, quando terminarmos o serviço. Será prudente sairmos daqui agora. Vamos ao templo, fica do outro lado da praça central e deve estar vazio. Vamos! Vamos!
— Hei, o que acham de entrarmos primeiro na biblioteca? — perguntou o gnomo.
— Você é quem manda — disse Batel Horm pegando o machado.
Antes que pudesse golpear com potência a pesada porta de carvalho, Mentati agarrou seu ombro.
— Essa não é a melhor forma de resolvermos esse problema — disse a elfa com paciência.
Antes que pudessem arranjar outra solução para entrar no prédio foram surpreendidos pela chegada dos guardas. Os dois, dessa vez, andavam cautelosamente, sem fazer barulho pelas ruas calçadas. Um deles disse:
— Nós sabíamos que vocês eram arruaceiros — o ciclope havia visto o anão preparar o golpe de machado.
— Queriam roubar a biblioteca, não é mesmo? — perguntou o outro com evidente sarcasmo.
— Vamos dar uma lição em vocês — disse o primeiro guarda.
O ciclope levantou o martelo de guerra e acertou de raspão o anão mais próximo. Belo Trigal caiu e gemeu de dor. O ombro havia se deslocado, teve sorte, pois a martelada estava endereçada a sua cabeça.
— Primo! — gritou Batel Horm.
O mago levantou as mãos para o céu. As mangas do manto lhe escorregaram até os cotovelos deixando a mostra braços magros, quase esqueléticos. Cantarolou algo enigmático aos ventos marítimos de Dartmor. Enquanto, mantinha empunhado um retorcido cajado de madeira.
Tudo começou com uma leve brisa que levantou poeira. Um redemoinho de vento juntou folhas secas e sujeira das pedras negras e escorregadias do pavimento.
— Chega de ilusão! Vocês não nos enganam mais! — o segundo guarda vociferou.
O primeiro ciclope se adiantou na direção de Mentati. Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa foi capturado juntamente com o companheiro por um mini-ciclone controlado pelo mago. Os dois foram erguidos do chão como se fossem penas de abutre. Estavam a mais de quatro metros do chão. Indefesos e com o estômago revirado, devido aos diversos rodopios que deram no ar, não conseguiam se livrar daquele feitiço bem elaborado.
Quando os inimigos estavam a mais de cinco metros de altura, o mago cessou de controlar o vento. Tinha de guardar um pouco de suas forças mágicas para o restante da noite.
Os dois guardas foram jogados com violência ao chão. Não foi nada bom ouvir o barulho de ossos rachando. Um dos ciclopes quebrou o pescoço e morreu no mesmo instante. O outro ainda teve forças para se apoiar sobre um dos joelhos e retirar um apito do bolso. Antes que o sujeito pudesse apitar, Batel Horm, furioso, selou seu destino com a lâmina afiada do machado penetrando sua face de um olho só. Aquele ciclope não deveria ter se metido com eles, pensou o anão de barbas azuis.
— Estamos encrencados! — disse Batel Horm. — Como você está, primo?
— Meu braço não se mexe. Está doendo muito!
O anão de barbas azuis vasculhou os bolsos dos dois ciclopes e roubou seus parcos recursos. Talvez pudesse pagar uma parte do tratamento do braço de Belo Trigal com as moedas que encontrou.
— Vamos dar o fora daqui primo! — sugeriu Belo Trigal.
— Vou com eles, anão! Volte pra hospedaria e peça ajuda para o curandeiro do quarto doze. O sujeito é meu amigo! Pegue essas moedas.
— Cuide-se, Batel! – disse Belo Trigal apanhando as moedas com a mão boa.
Após a despedida entre os dois Glimbertrix resolveu reorganizar aquela empreitada frustrada até o momento. Sabia que Maleus, não o perdoaria se falhasse na missão. E, certamente, lhe reservaria um castigo. O gnomo disse:
— Perdemos nosso primeiro contratado. Por sorte ele está vivo e se recuperará. Darei as moedas dele para que você as entregue, Batel Horm, quando terminarmos o serviço. Será prudente sairmos daqui agora. Vamos ao templo, fica do outro lado da praça central e deve estar vazio. Vamos! Vamos!
domingo, 1 de março de 2009
Capítulo 9
O corvo, vindo da estrada velha, pousou sobre o mastro de um navio encalhado no porto de Dartmor. Da escuridão, surgiu outro parente que voou na direção dele. Lado a lado, postados sobre a madeira podre, trocaram grasnados na brisa gelada que soprava do mar. Os dois comunicavam-se com a intimidade de velhos amigos. O segundo corvo levantou voo a procura de alguém. Sua missão consistia na entrega de uma mensagem.
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