Os sons das botas logo revelaram guardas do cais fazendo a ronda noturna. Traziam martelos de guerra empunhados nas enormes mãos. Vestiam roupas de couro preto que quase os camuflavam na escuridão e na neblina constante da cidade.
Como se a sua voz viesse de uma caverna profunda, um dos guardas perguntou para a elfa:
— Você é Mentati?
A elfa de cabelos negros nada respondeu. Os novos companheiros puderam perceber a expressão de inquietude em seu rosto.
Glimbertrix apontou para a neblina, com esse simples gesto a umidade se dissipou e puderam ver o céu estrelado das Terras de Lhu:
— Vejam! Uma chuva de meteoros. Protejam-se!
O gnomo ordenou aos companheiros:
— Sigam-me!
Do céu uma quantidade incrível de meteoritos caia com velocidade incrível. Parecia um festival de pedras. Eram de todos os tipos: incandescentes, luminosos e com pontas afiadas de gelo em suas estruturas irregulares.
O grupo correu ao lado de Glimbertrix, estavam tensos. Queriam fugir daquela iminente catástrofe. Os guardas, dois ciclopes, protegeram a cabeça com as mãos a procura de um lugar seguro.
Bem longe da vista dos ciclopes Glimbertrix parou de correr. Com o olhar sério encarou os companheiros. Assim que retomou fôlego os surpreendeu com um sorriso e uma canção feita de improviso. O gnomo cantarolou:
Glimbertrix é genial,
Glimbertrix é o maioral!
Ilusão é o meu forte,
Ilusão é meu esporte!
Meteoros... cabum!
Meteoros... cabum!
He, he, he, Não acreditem
em tudo o que os olhos vêem!
Glimbertrix é o maioral!
Fazia uma dança cheia de pulinhos engraçados enquanto cantava. Terminando a performance, disse com ar de satisfação:
— Os guardas devem estar correndo até agora. Vocês estavam com tanto medo que pareciam gamos fugindo de caçadores. Criei uma ilusão. Foi mais do que perfeita dessa vez. Nem sempre é assim.
O gnomo parecia estar se divertindo com aquilo tudo. O grupo não gostou nenhum um pouco do bom-humor de Glimbertrix. Não esboçaram espécie alguma de sorriso. Afinal, também foram enganados pela estripulia ilusória do companheiro. No entanto, era melhor fazer parte da piada de um gnomo do que cair nas mãos dos ciclopes. Desde que a imperatriz de Carmal aumentara seu poder pelas Terras de Lhu, comentava-se que os guardas de um olho só praticavam tortura nos prisioneiros.
— Sem dúvida os meteoros incandescentes foram os mais convincentes. O que acharam? — perguntou o gnomo ainda eufórico com o feito.
— Muito bom Glimbertrix. Obrigado, você nos livrou de um problema! — disse Mentati querendo agradar o pequenino.
— Da próxima vez farei ilusão muito melhor!
— Acho melhor começarmos nossa busca logo. Quando os guardas descobrirem que os meteoros não passaram de ilusão nossas cabeças vão estar a prêmio — disse o mago. — E deixem esse negócio de pagamento pra depois! — ele olhou com severidade para os dois anões. — Teremos tempo para isso depois de concluir o trabalho.
— Por onde começamos nossa busca, gnomo? — perguntou Belo Trigal resignado.
— O templo de Dartmor é próximo daqui. Vamos até lá!
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Capítulo 7
A elfa não se mostrou surpresa com a pergunta do mago e com a reação ameaçadora dele. Respondeu dirigindo-se a Glimbertrix, fitando-o com firmeza olhos nos olhos.
— Gostaria de contribuir com o grupo. A conversa de vocês me interessou muito.
Ela tinha algo de sedutor. Seus olhos eram levemente puxados, a pele de tom amarelado e a boca carnuda de um vermelho vivo.
— O grupo está fechado! Não aceitamos a presença de bisbilhoteiros que ficam escutando a conversa dos outros — disse o mago.
Belo Trigal cutucou o primo e disse baixinho no ouvido de Horm:
— Ele foi tão intrometido quanto ela! Como tem coragem de dizer isso?
Antes que Batel pudesse responder, preferiu escutar o que a elfa tinha a dizer. Dessa vez, ela falou diretamente ao mago:
— Era impossível não escutá-los. Alguém sabe o que significa discrição? Creio que nenhum de vocês sabe o que é isso. Negócios importantes não devem ser tratados em uma taberna repleta de mercenários e bandidos. Chega de gastar saliva com você, bruxo! — disse, nesse momento, colocando força na voz. — Quem decide as coisas por aqui é o menestrel Clark Glimber Amoreira Silvertrix.
Ao escutar seu nome completo, aquilo era coisa rara, o gnomo aceitou-a imediatamente no grupo:
— Não fique chateada com o mago, bela criatura. Ele está apenas nos defendendo. Eu aceito sua participação.
— Daqui a pouco toda Dartmor vai ser contratada! — não se conteve Belo Trigal expondo em voz alta o seu pensamento.
— Antes de seguirmos em frente precisamos acertar o valor do nosso trabalho — disse Batel Horm aproveitando-se da intervenção propícia do primo.
— Tenho poucas moedas comigo. Não pensei que conseguiria tanta gente pra me ajudar. Posso pagar, agora, cinqüenta peças de ouro por contratado. Depois que completarmos a missão prometo mais duzentas moedas para cada um de vocês. E então? Não quero perder mais tempo. Devemos começar nossa busca.
Glimbertrix pegou a bolsa das moedas. Mas antes que pudesse começar a tarefa de separá-las para cada um puderam ouvir passadas pesadas de botas se aproximando deles.
— Gostaria de contribuir com o grupo. A conversa de vocês me interessou muito.
Ela tinha algo de sedutor. Seus olhos eram levemente puxados, a pele de tom amarelado e a boca carnuda de um vermelho vivo.
— O grupo está fechado! Não aceitamos a presença de bisbilhoteiros que ficam escutando a conversa dos outros — disse o mago.
Belo Trigal cutucou o primo e disse baixinho no ouvido de Horm:
— Ele foi tão intrometido quanto ela! Como tem coragem de dizer isso?
Antes que Batel pudesse responder, preferiu escutar o que a elfa tinha a dizer. Dessa vez, ela falou diretamente ao mago:
— Era impossível não escutá-los. Alguém sabe o que significa discrição? Creio que nenhum de vocês sabe o que é isso. Negócios importantes não devem ser tratados em uma taberna repleta de mercenários e bandidos. Chega de gastar saliva com você, bruxo! — disse, nesse momento, colocando força na voz. — Quem decide as coisas por aqui é o menestrel Clark Glimber Amoreira Silvertrix.
Ao escutar seu nome completo, aquilo era coisa rara, o gnomo aceitou-a imediatamente no grupo:
— Não fique chateada com o mago, bela criatura. Ele está apenas nos defendendo. Eu aceito sua participação.
— Daqui a pouco toda Dartmor vai ser contratada! — não se conteve Belo Trigal expondo em voz alta o seu pensamento.
— Antes de seguirmos em frente precisamos acertar o valor do nosso trabalho — disse Batel Horm aproveitando-se da intervenção propícia do primo.
— Tenho poucas moedas comigo. Não pensei que conseguiria tanta gente pra me ajudar. Posso pagar, agora, cinqüenta peças de ouro por contratado. Depois que completarmos a missão prometo mais duzentas moedas para cada um de vocês. E então? Não quero perder mais tempo. Devemos começar nossa busca.
Glimbertrix pegou a bolsa das moedas. Mas antes que pudesse começar a tarefa de separá-las para cada um puderam ouvir passadas pesadas de botas se aproximando deles.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Capítulo 6
Fora da taberna, Glimbertrix observou melhor Batel Horm. O anão tinha o corpo atarracado e repleto de músculos, consigo levava um pesado machado preso às costas. O aventureiro percebeu que o gnomo examinava o machado, então disse:
— Sair às ruas de Dartmor, principalmente a noite, é algo que não se pode fazer de mãos limpas.
Belo Trigal também levava uma arma. Era um arpão de ferro com ponta de prata na mão direita. Parecia utilizá-lo como uma muleta para disfarçar uma perna mais curta que a outra. As tranças de seus cabelos eram longas, batiam no pequeno escudo de metal preso por uma cinta de couro nos ombros. Desde que a imperatriz havia assumido o reino de Carmal, a maioria dos indivíduos andava com armas. Dartmor, sem dúvida, era um lugar perigoso.
O ar empestado pelo fedor de peixes do Mar da Tormenta causava náuseas em quem não estivesse acostumado. O cheiro da cidade causaria nojo aos desavisados. A neblina espessa que agora se formava faria se perder nas vielas escuras alguém sem um mapa ou viajante de primeira estadia no lugar.
De soslaio, o mago, percebeu uma elfa vindo na direção deles. Antes que chegasse mais perto, ameaçador, ele perguntou:
— Por que está nos seguindo, mulher?
— Sair às ruas de Dartmor, principalmente a noite, é algo que não se pode fazer de mãos limpas.
Belo Trigal também levava uma arma. Era um arpão de ferro com ponta de prata na mão direita. Parecia utilizá-lo como uma muleta para disfarçar uma perna mais curta que a outra. As tranças de seus cabelos eram longas, batiam no pequeno escudo de metal preso por uma cinta de couro nos ombros. Desde que a imperatriz havia assumido o reino de Carmal, a maioria dos indivíduos andava com armas. Dartmor, sem dúvida, era um lugar perigoso.
O ar empestado pelo fedor de peixes do Mar da Tormenta causava náuseas em quem não estivesse acostumado. O cheiro da cidade causaria nojo aos desavisados. A neblina espessa que agora se formava faria se perder nas vielas escuras alguém sem um mapa ou viajante de primeira estadia no lugar.
De soslaio, o mago, percebeu uma elfa vindo na direção deles. Antes que chegasse mais perto, ameaçador, ele perguntou:
— Por que está nos seguindo, mulher?
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Capitulo 5
— Hei! Você não foi convidado, abelhudo! — Belo Trigal xingou o intruso.
O homem manteve um capuz sobre a cabeça deixando o rosto na penumbra:
— Posso lhe ajudar gnomo!
— Ajudar no que seu intrometido? Escute bem, aqui não tem lugar pra você! — Belo Trigal parecia bem zangado com o homem.
Os olhos azuis do encapuzado parecem ter brilhado como se fossem a ponta de uma afiada adaga. Belo Trigal ao ver a faísca assustadora na retina do invasor resolveu ficar quieto. Batel Horm tinha receio de magos e aquele intruso parecia ser de uma estirpe misteriosa. O anão não se atreveu a dar um pio sequer. Acreditava que qualquer um que andasse com um manto escondendo o rosto e carregasse cajados era dado a realizar feitiçarias. As Terras de Lhu estavam repletas daqueles sujeitos estranhos. Por isso teria cuidado ao lidar com aquela figura.
— E então, gnomo, gostaria de contar com os meus serviços? — perguntou o humano.
— De que maneira você poderá ajudar, camarada? O que você sabe fazer para contribuir conosco? — Glimberttrix, com grande entusiasmo, o desafiou.
O homem colocou o cotovelo direito sobre a mesa. Um belo anel de prata ornava o dedo indicador dele. Virou a palma da mão para cima e com uma magia simples fez com que as duas canecas dos anões levitassem. Apenas havia dito uma palavra estranha que não foi entendida por nenhum dos três. Batel Horm e Belo Trigal ficaram boquiabertos. O mago sorriu devolvendo os canecos as posições originais. E ainda, brincou:
— Da próxima vez, se forem mais afáveis deixarei os copos cheios.
Glimbertrix, satisfeito, aceitou no mesmo instante os serviços do encapuzado:
— Ótimo! Certamente precisaremos de você.
Os anões emborcaram a molha-goela de suas canecas antes que o mago resolvesse sumir com os objetos. Talvez, por um gesto amigável, até as enchesse como havia dito sem que precisassem pagar.
— Descreva para nós as duas partes do amuleto? — o mago, que escutara a conversa dos fragmentos do amuleto, solicitou ao gnomo.
— Bem, em uma das partes, está esculpida a forma de uma águia. Na outra, uma serpente. As duas peças devem se encaixar perfeitamente.
— Você teria alguma idéia ou pista de onde possamos encontrá-las? — continuou perguntando o mago.
— Está na cidade. Pode estar em qualquer lugar. O que acham de começarmos pelos prédios maiores: a biblioteca, o templo ou o gabinete do encarregado da imperatriz?
— Invadir o gabinete é loucura! — falou Belo Trigal, dessa vez usando um tom mais baixo. — Sermos pegos lá dentro é viagem direta pros calabouços de Carmal.
— Isso não vai acontecer primo. Não seja medroso. E se não encontrarmos em nenhum desses lugares, Glimbertrix?
— Não vamos ser pessimistas. Pra tudo a solução!
— É um trabalho ideal para ladrões! — sugeriu Belo Trigal.
— Já está desistindo do trabalho? — provocador, Batel Horm desafiava o primo.
Belo Trigal abaixou a cabeça e permaneceu calado por um bom tempo.
— Vamos aproveitar a proteção das sombras, a noite veio para nos ajudar. Tenho pressa para realizar o trabalho, me acompanhem — ordenou Glimbertrix levantando-se da cadeira.
Os outros se colocaram de pé e o seguiram.
O homem manteve um capuz sobre a cabeça deixando o rosto na penumbra:
— Posso lhe ajudar gnomo!
— Ajudar no que seu intrometido? Escute bem, aqui não tem lugar pra você! — Belo Trigal parecia bem zangado com o homem.
Os olhos azuis do encapuzado parecem ter brilhado como se fossem a ponta de uma afiada adaga. Belo Trigal ao ver a faísca assustadora na retina do invasor resolveu ficar quieto. Batel Horm tinha receio de magos e aquele intruso parecia ser de uma estirpe misteriosa. O anão não se atreveu a dar um pio sequer. Acreditava que qualquer um que andasse com um manto escondendo o rosto e carregasse cajados era dado a realizar feitiçarias. As Terras de Lhu estavam repletas daqueles sujeitos estranhos. Por isso teria cuidado ao lidar com aquela figura.
— E então, gnomo, gostaria de contar com os meus serviços? — perguntou o humano.
— De que maneira você poderá ajudar, camarada? O que você sabe fazer para contribuir conosco? — Glimberttrix, com grande entusiasmo, o desafiou.
O homem colocou o cotovelo direito sobre a mesa. Um belo anel de prata ornava o dedo indicador dele. Virou a palma da mão para cima e com uma magia simples fez com que as duas canecas dos anões levitassem. Apenas havia dito uma palavra estranha que não foi entendida por nenhum dos três. Batel Horm e Belo Trigal ficaram boquiabertos. O mago sorriu devolvendo os canecos as posições originais. E ainda, brincou:
— Da próxima vez, se forem mais afáveis deixarei os copos cheios.
Glimbertrix, satisfeito, aceitou no mesmo instante os serviços do encapuzado:
— Ótimo! Certamente precisaremos de você.
Os anões emborcaram a molha-goela de suas canecas antes que o mago resolvesse sumir com os objetos. Talvez, por um gesto amigável, até as enchesse como havia dito sem que precisassem pagar.
— Descreva para nós as duas partes do amuleto? — o mago, que escutara a conversa dos fragmentos do amuleto, solicitou ao gnomo.
— Bem, em uma das partes, está esculpida a forma de uma águia. Na outra, uma serpente. As duas peças devem se encaixar perfeitamente.
— Você teria alguma idéia ou pista de onde possamos encontrá-las? — continuou perguntando o mago.
— Está na cidade. Pode estar em qualquer lugar. O que acham de começarmos pelos prédios maiores: a biblioteca, o templo ou o gabinete do encarregado da imperatriz?
— Invadir o gabinete é loucura! — falou Belo Trigal, dessa vez usando um tom mais baixo. — Sermos pegos lá dentro é viagem direta pros calabouços de Carmal.
— Isso não vai acontecer primo. Não seja medroso. E se não encontrarmos em nenhum desses lugares, Glimbertrix?
— Não vamos ser pessimistas. Pra tudo a solução!
— É um trabalho ideal para ladrões! — sugeriu Belo Trigal.
— Já está desistindo do trabalho? — provocador, Batel Horm desafiava o primo.
Belo Trigal abaixou a cabeça e permaneceu calado por um bom tempo.
— Vamos aproveitar a proteção das sombras, a noite veio para nos ajudar. Tenho pressa para realizar o trabalho, me acompanhem — ordenou Glimbertrix levantando-se da cadeira.
Os outros se colocaram de pé e o seguiram.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009
Capítulo 4
Belo Trigal limpou com a manga comprida de sua camiseta a espuma que tinha escorrido pelos seus lábios. Batel Horm esperava pelas palavras de Glimbertrix com maiores esclarecimentos sobre a questão dos aventureiros que desejava encontrar.
— Vocês conhecem alguém que se encaixe nesse perfil? — perguntou o gnomo. — O perfil de um verdadeiro aventureiro.
Antes que os anões pudessem dar qualquer resposta, Glimbertrix puxou uma pequenina bolsa anteriormente escondida na sua vestimenta. E então, revelou em seu interior moedas de ouro que fizeram os olhos dos seus anfitriões brilharem de cobiça.
— Conhecemos, sem dúvida — alardeou Batel Horm atraído pelas moedas. — Somos verdadeiros aventureiros! Tenho certeza de que podemos resolver os seus problemas.
Belo Trigal, enquanto espiava o conteúdo da bolsa de Glimbertrix, confirmou sem a mesma convicção do primo:
— Somos grandes aventureiros! Pode ter certeza disso.
Diversos pares de olhos e ouvidos ficaram interessados na conversa que os três entabulavam.
— Que tipo de empreitada precisaríamos realizar para ficar com esse saco de ouro? — perguntou Batel Horm.
— Teremos de revistar a cidade. Estou a procura de um amuleto.
— Revistar a cidade? Isso esta parecendo trabalho para uma patrulha. Somos apenas três — disse Belo Trigal.
Batel Horm não desanimou:
— E como é esse amuleto?
— Sei que foi partido em dois fragmentos de acordo com o nosso contratante.
— Por duas partes o trabalho custa o dobro — Belo Trigal franzia o cenho.
Um humano puxou uma cadeira vazia ao lado de Glimbertrix. Carregava um cajado retorcido de madeira. Pelo visto queria participar da conversa, já que os três não conseguiam manter a discrição e falavam em voz alta.
— Vocês conhecem alguém que se encaixe nesse perfil? — perguntou o gnomo. — O perfil de um verdadeiro aventureiro.
Antes que os anões pudessem dar qualquer resposta, Glimbertrix puxou uma pequenina bolsa anteriormente escondida na sua vestimenta. E então, revelou em seu interior moedas de ouro que fizeram os olhos dos seus anfitriões brilharem de cobiça.
— Conhecemos, sem dúvida — alardeou Batel Horm atraído pelas moedas. — Somos verdadeiros aventureiros! Tenho certeza de que podemos resolver os seus problemas.
Belo Trigal, enquanto espiava o conteúdo da bolsa de Glimbertrix, confirmou sem a mesma convicção do primo:
— Somos grandes aventureiros! Pode ter certeza disso.
Diversos pares de olhos e ouvidos ficaram interessados na conversa que os três entabulavam.
— Que tipo de empreitada precisaríamos realizar para ficar com esse saco de ouro? — perguntou Batel Horm.
— Teremos de revistar a cidade. Estou a procura de um amuleto.
— Revistar a cidade? Isso esta parecendo trabalho para uma patrulha. Somos apenas três — disse Belo Trigal.
Batel Horm não desanimou:
— E como é esse amuleto?
— Sei que foi partido em dois fragmentos de acordo com o nosso contratante.
— Por duas partes o trabalho custa o dobro — Belo Trigal franzia o cenho.
Um humano puxou uma cadeira vazia ao lado de Glimbertrix. Carregava um cajado retorcido de madeira. Pelo visto queria participar da conversa, já que os três não conseguiam manter a discrição e falavam em voz alta.
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