sábado, 18 de julho de 2009

Capítulo 8

Para curar a bebedeira do colega o quanto antes, Sulth dirigiu-se à prateleira dos chás. Fascinada pela quantidade de produtos diversos acondicionados em tubos de vidro, a elfa quase não percebeu a aproximação do guardião da farmácia.
Um gato descomunal do tamanho de uma pantera miou com ferocidade antes de atacar. Todos os pêlos do corpo do animal ficaram arrepiados. Os olhos amedrontavam qualquer um. Pareciam pedras incandescentes prontas para queimar o inimigo ao simples olhar.
Sulth viu o brilho das garras da criatura. O ambiente não estava totalmente na escuridão. Os ladrões haviam deixado a porta de entrada aberta para que alguma luz vinda do exterior pudesse orientá-los.
O gato furioso pulou na direção da elfa. Hanns em um ato de bravura colocou-se entre o guardião e a mulher. As garras da fera rasgaram a pele do gigante entre o pescoço e o peito. Os dois caíram no chão. Antes que o guardião pudesse rasgar o rosto de Hanns, Gotham acertou um chute de direita na cara do animal. A criatura foi arremessada contra o balcão.
Hanns com o efeito da bebida correndo no corpo praticamente não sentiu os ferimentos. O gigante ignorava a dor e a perda de sangue. Levantou do chão de forma estabanada quase caindo novamente. Com a clava tentou acertar o gato que estava se recompondo da pancada. A arma de Hanns passou do lado da orelha da criatura. O chão de madeira ficou chamuscado e as prateleiras tremeram. Gotham desenrolou com extrema perícia uma corda que levava a cintura e fez um laço em sua ponta.
O guardião felino ronronou de forma ameaçadora enquanto encarava os invasores antes da próxima investida. A criatura atacou de novo. O gigante bêbado não foi capaz de evitar que os dentes afiados do adversário mordessem seu ombro.
Assim que a criatura largou Hanns, Gotham com grande habilidade laçou o pescoço do felino. Hanns continuava sem sentir dor. Mas sua visão estava desaparecendo. Tentou um último golpe, enquanto o gato permanecia preso. Errou a tacada. Gotham pôde ver que as faíscas da clava tinham se extinguido. O gigante bêbado caiu no assoalho de madeira perdendo a consciência. Os objetos nas estantes tremeram mais uma vez.
Com um movimento rápido das garras, o guardião arrebentou a corda que o prendia. Gotham tornou-se o novo alvo. O gato negro pulou na direção do gigante que tão rápido quanto o adversário sacou o machado de duas lâminas que carregava as costas. O machado afiado rachou a cabeça do imprudente atacante em duas partes desiguais. O corpo da criatura, estirado no chão, ainda se contorceu uma última vez antes de perder a vida completamente.
Mais tranquila, depois do susto, Sulth voltou até a prateleira, de onde pegou um vidro de formato esquisito. No rótulo havia uma inscrição em élfico.
— Isso vai ajudar! — a elfa disse, enquanto se aproximava de Hanns.
Retirou a rolha que tampava o recipiente. Um cheiro forte exalou pelo ambiente. Nos ferimentos de Hanns, a elfa passou o ungüento. O sangue aos poucos parou de escorrer.
— Temos de sair daqui! — disse Gotham.
O gigante pegou Hanns e o carregou como se fosse um grande sacou de batatas. Antes de saírem da farmácia, Sulth roubou mais alguns pequeninos frascos e os distribuiu entre os bolsos da calça e da camisa.

4 comentários:

Diógenes Daniel disse...

Se beber, não dirija!

Duda Falcão disse...

Leia os contos das Terras de Lhu e saiba como não se deve proceder em sociedade! He, he.
:)

{Åmar ¥asmine}_ÐEXPEX disse...

Huummmm... Aqui encontrei muitas coisas que gosto.. por vários motivos.

O Senhor escreve muito bem e aqela imagem de abertura... ai ai..
*suspirando*

bloody kisses

Duda Falcão disse...

Olá, Yasmine!
Legal que tenha gostado do blog.
Continue acompanhando.
um abraço!