sábado, 27 de junho de 2009

Capítulo 5

Hanns entrou na primeira taberna que avistou. Sulth estava visivelmente furiosa. Gotham, por sua vez, sempre assumia o papel de conciliador da equipe. O ambiente da taberna recendia a mofo. Por sorte, uma mesa estava desocupada, do contrário, Hanns poderia se enfurecer. O gigante gritou para o garçom:
— Cerveja! Cerveja, gnomo! — bateu na mesa com a mão pesada. — Não tenho todo o tempo do mundo!
— Deixe de ser estúpido, Hanns! — a elfa, reprimiu a atitude do gigante. — Destrate o garçom e o máximo que terá é uma cerveja quente! Entendeu?
Dois músicos tocavam uma melodia alegre. Um bando de orcs se satisfazia com a dança de uma orc semi-nua no palco. Diante do espetáculo as criaturas armadas até os dentes riam de empolgação empunhando canecos de cerveja.
Um gnomo, o garçom, de quase um metro de altura saltou sobre a mesa redonda em que os três companheiros seriam servidos:
— Então, o que vai ser pros gigantes e pra bela senhorita de cabelos azuis?
O garçom vestia uma roupa verde luminosa bem esquisita.
Gotham antes de fazer qualquer pedido reclamou:
— Primeiro, nós queremos que o mago dessa espelunca diminua a temperatura do ambiente. Está muito calor por aqui!
— Desculpe, senhor, mas já faz algum tempo que tivemos de demitir nosso mago do frio. Os negócios não andam muito bem ultimamente.
— Que lixo! — reclamou Sulth esquecendo do próprio conselho que dera para Hanns.
O gigante lembrando da repreensão sorriu para Sulth mostrando os dentes cariados. De tão indignada que a elfa estava por pouco não pulou no pescoço dele.
— E então, o que vai ser? — insistiu o gnomo com sua voz aguda.
— Uma cerveja pra ele — disse Gotham apontando para Hanns.
Hanns olhou para o amigo e segurou o gnomo pela gravatinha borboleta:
— Eu quero uma bebida bem forte! Desisti da cerveja.
Gotham e Sulth olharam com desaprovação para o companheiro.
— Ainda temos algumas doses de escamas de dragão escarlate. Nas Terras de Lhu não existe nada mais forte.
Hanns olhou pros companheiros e o sorriso cariado abriu-se de contentamento. Bonachão ao extremo bateu com a palma da mão sobre a mesa de madeira:
— É exatamente o que preciso. Traga duas doses!
Gotham e Sulth pediram um caneco de Molha Goela, bebida amarga extraída de um vegetal verde que nascia nas proximidades da poderosa cidade de Carmal. A criaturinha deu um salto acrobático, em um instante estava no balcão cochichando algo no ouvido de um gigante que servia as bebidas.
O cheiro do tabaco e de fritura predominava no lugar. Diversas criaturas humanóides conversavam, bebiam e enchiam as panças: gigantes, homens-lagarto, orcs, guerreiros-hienas, um ou outro mago humano escondido sobre o capuz, gnomos das trevas e também anões que trabalhavam nas minas Korialis.
— Um mago poderia acabar com esse cheiro horrível de peixe frito —reclamou Sulth.
Gotham colaborou com as críticas negativas:
— Climatizar o ambiente seria melhor ainda. Isso aqui parece o interior de um vulcão.
— Vocês são dois recalcados! — xingou Hanns. — Deixem de reclamar e vamos ouvir a música.
O garçom chegou com as bebidas. Hanns emborcou todo o líquido escarlate de uma só vez.
— E então, senhor, não é uma maravilha? — perguntou o gnomo.
— Incrível! Mais duas doses!
Gotham, não gostou nada daquilo. O rosto de Hanns tinha adquirido uma coloração rosada. O amigo já estava bêbado.
O gnomo trouxe mais um duplo de escamas de dragão escarlate. Hanns bebeu com satisfação. Depois de acabar pediu mais.
Antes que o garçom fosse buscar outra dose, Gotham o pegou pela gola da camiseta. Ameaçou o gnomo sem que Hanns pudesse escutar:
— Escute aqui, rapazinho! Diga pro gigante que a bebida acabou! Se ele beber mais uma gota sequer eu quebro o seu pescoço. Entendeu?
— Sim! — o garçom tremeu. Foi até o balcão e voltou logo em seguida.
Hanns já reclamava da incompetência do pequenino.
— Senhor, a bebida acabou! – disse o gnomo, demonstrando preocupação na voz.
— O quê? Mas bebi tão pouco — Hanss começou a soluçar.
— Não precisamos mais de bebidas por agora. Temos de trabalhar. Lembra Hanns? — disse Gotham, mantendo a calma e a paciência.
Não houve resposta. Agora o gigante parecia um pouco desorientado.
— Quanto custou essa brincadeira? — Gotham perguntou.
Gotham pagou as bebidas de Hanns, pois o gigante não tinha condições de contar moeda alguma. Doses de escamas de dragão escarlate eram caríssimas. Prometeu pra si mesmo que na primeira oportunidade rapava os bolsos do colega. Os três saíram do bar.

2 comentários:

Diógenes Daniel disse...

Já vi esse filme algumas dezenas de vezes... rs

Duda Falcão disse...

He, he, eu também, experiência própria!