sexta-feira, 12 de junho de 2009

Capítulo 3

A torre de Tullging não era a maior de Gigamir, mesmo assim a elfa sentiu vertigem ao contemplar sua altura. Teve a sensação de que teriam de escalar o prédio para consumar a tarefa ardilosa.
Em um saquinho preso a cintura, Gotham trazia nozes. Começou a mastigar a especiaria:
— Descreva Tullging para que possamos lhe trazer a cabeça correta!
— Tullging é um ordinário! Um safado, um idiota...
— Exato! Podemos imaginar. Mas queremos outros detalhes. Uma descrição física nos bastará — Sulth disse sem perder a paciência.
— Bem, é um homem-javali.
Os três mercenários ficaram quietos. Essa informação apenas não era suficiente. Depois do silêncio, Tull percebeu que devia falar mais um pouco sobre o seu desafeto.
— Ele possui quase dois metros de altura. É uma anomalia, sem dúvida alguma. Nenhum homem-javali é tão alto quanto ele. Ao contrário de um corpo esbelto e gorduroso feito o meu, conserva uma massa incrível de músculos por toda a parte. Usa brincos no nariz e nas orelhas. Parece um maldito pirata. Além de tudo, é caolho. Substituiu o órgão perdido com uma jóia vermelha de rara beleza.
— Agora sim, não teremos como trazer a cabeça errada — disse Sulth aos companheiros.
Gotham sorriu revelando os dentes cariados repletos de fragmentos de nozes.
— Não esqueçam. Quero que as presas e o olho postiço de Tullging continuem no mesmo lugar. Entenderam? Do contrário, não lhes pago uma moeda de latão.
Os três balançaram afirmativamente as cabeças.
Tull disse com visível satisfação:
— Vou ornamentar a sala de estar com a carranca completa do meu inimigo. Há, Há, Há! — Sobre a pança repousou a mão esquerda tentando controlar o acesso de gargalhadas doentias.
Assim que o homem-javali se acalmou, Gotham disse:
— Precisamos de um adiantamento!
— Darei cinqüenta peças de ouro pra cada um de vocês. Ao entregarem a encomenda recebem o resto.
— Só isso! Arriscaremos nossas vidas por essa miséria — Sulth botou a mão no cabo do punhal.
Tull, indignado, cuspiu no chão sujo desaprovando a contestação da elfa.
— Não de ouvidos a ela, Tull — disse Hanns.
O homem-javali coçou a barriga.
— A garota é inexperiente em negociações. Ainda tem muito o que aprender conosco. Aceitamos sua oferta — falou Gotham.
— Dê logo as moedas — exigiu Hanns.
O homem- javali pegou três sacos de couro embaixo de uma mesa e entregou um para cada.
— Permanecerei acordado esperando por vocês. Saiam da minha frente! Mexam esses traseiros magros!
Os dois gigantes e a elfa deixaram o sobrado fedorento do contratante.

3 comentários:

Diógenes Daniel disse...

Agora sim, definitivamente só 'gente boa' nessa história! rs...

abraço, Duda!

Diógenes Daniel disse...

Ah! E dá-lhe colorado hoje à noite... hehe

Duda Falcão disse...

He, he, só bandidagem! Não em herói nenhum aí nessa mini-aventura!

Sei que tu torce pro São Paulo, infelizmente terei de torcer pro Coringão! Hoje sou Mano Menezes, se os vermelhos ganharem vão ficar se achando demais...
Hoje vou a o estádio ver o Grêmio colocar uma sacola no Carácas e ficar com o ouvido ligado em Sampa, he, he!

Um abração!