sábado, 25 de abril de 2009

Capítulo 20 - Final

Glimbertrix passou por Batel Horm, o anão estava inconsciente. Do bico, do corvo líder, o gnomo arrancou o amuleto salvador e com toda a velocidade que era possível subiu as escadarias da torre do sino.
— Vá com o pequenino — disse o sacerdote para a elfa. — Do Bruxo dos Corvos eu posso cuidar sozinho!
No alto da torre, Glimbertrix praticamente deu de cara com o dragão negro. Talvez a criatura tivesse mais de trinta metros de altura. Suas asas abertas encobriam os raios de Loril que se espichavam no horizonte. Gideon ao ver o Olho de Tullging instalado no amuleto puxou conversa com o gnomo:
— Meu pequenino, camarada! Veio trazer pra mim o que desejo?
Glimbertrix não conseguiu encarar o dragão negro. Diante do silêncio do gnomo Gideon estendeu uma das gigantescas mãos.
— Coloque aqui o amuleto! — ordenou o dragão. — Não se demore criaturinha! Desse jeito vou ficar zangado!
O gnomo estava prestes a obedecer ao comando da criatura. Mentati chegou a tempo de impedir o companheiro. Às suas costas deu um grito veemente:
— Não!
Glimbertrix com o amuleto na mão apontou-o para a provável posição do coração de Gideon. Com toda força de vontade possível pediu aos deuses que o amuleto funcionasse. Pediu a Lhu que o protegesse.
Moradores olhando pelas frestas das janelas de suas casas puderam ver o raio vermelho que escapou das mãos do gnomo. Na verdade, aquela luz forte se originou do Olho de Tullging encaixado no centro do amuleto da águia e da serpente.
O coração negro do grande Gideon explodiu após ser atingido pelo raio mortífero. A criatura desabou do ar derrubando partes de algumas casas que ficavam ao redor da praça. Ao cair no chão era como se um terremoto houvesse atingido Dartmor. Depois de contemplar o corpo sem vida do inimigo, Mentati puxou o gnomo pelo ombro. Entraram na torre se refugiando dos olhares inquietos de moradores que começavam a deixar suas casas para ver mais de perto o dragão morto.
O gnomo e a elfa se aproximaram do sacerdote.
— Está acabado? — perguntou o velho.
— Sim — respondeu Glimbertrix mostrando o Olho de Tullging.
A pedra havia assumido uma coloração cinza.
— Na pedra não existe mais energia — decretou o sacerdote.
Mentati, Glimbertrix e o velho ainda foram surpreendidos pelo Bruxo dos Corvos. O humano parecia estar totalmente fora de combate depois do último choque. De joelhos e cabeça baixa dava a impressão de ter se resignado com a sua derrota. Mas não, pulou sobre Glimbertrix tentando estrangular o gnomo.
A elfa usando uma técnica eficaz de combate acertou um ponto exato no pescoço do mago. O aliado do dragão caiu inconsciente. Todos suavam, o templo estava quente como se fosse um grande forno de pedra devido as baforadas de fogo de Gideon que atingiram o seu exterior.
— Temos de ajudar Batel — disse Glimbertrix preocupado.
O velho se dirigiu até o anão. O estado do rosto era lastimável.
— Está ardendo em febre — constatou o velho ao colocar a mão sobre a testa dele. — Cuidarei do amigo de vocês. Minha magia de cura é invejável! Até mesmo Hylana, a filha da Imperatriz, já precisou dos meus conhecimentos. Fiquem tranqüilos. Ele vai se recuperar!
— E quanto ao Bruxo dos Corvos? — quis saber Glimbertrix.
— Vou cuidar dele também!
— Você é bom! — disse Mentati para o sacerdote. — O bruxo não merece nossa caridade.
— Não se engane, minha cara! Esse é o Templo das Divindades. O que prevalece aqui é a neutralidade! Dentro dos meus domínios todos merecem respeito, tanto os bons quanto os maus!
Mentati ficou calada.
— Vocês dois devem partir! — disse o velho do pijama azul. — Nenhum caminho que os conduza para o centro da cidade é seguro. Em breve, espiões da imperatriz vão estar por todos os lados querendo saber de que forma foi morto Gideon. Vou deixar que usem o túnel do templo. O caminho os conduzira para perto da estrada velha.
— Cumpri minha missão! Não existe motivo algum para continuar em Dartmor! Vou embora agora mesmo! — disse Mentati.
O sacerdote conduziu o gnomo e a elfa até o túnel do qual falara.
— Devolva-me o Olho de Tullging, gnomo! — solicitou a elfa.
— Por favor, deixe-me levar o amuleto completo para o meu amigo! Ele foi o contratante dessa empreitada.
— Não!
— Não fará nenhum mal se deixar que ele leve o Olho, elfa! A pedra não serve para mais nada. Sua energia foi totalmente sugada quando o dragão pereceu — interviu a favor do gnomo, o sacerdote.
Depois de alguma reflexão ela concordou:
— Tudo bem, Glimbertrix! Leve a pedra, você provou ser um companheiro fiel.
O gnomo fez um pedido ao velho:
— Sacerdote entregue essas moedas de ouro para Batel Horm. Ele as conquistou depois de tudo o que aconteceu. Sobrará também para o primo dele. Mas não deixe que o Bruxo dos Corvos se aproxime delas. É óbvio que ele não as merece.
— Assim será feito!
— Pegue, Mentati! É tudo o que sobrou — Glimbertrix ofereceu as moedas restantes para a elfa.
— Não vim aqui pelo prêmio. Eu tinha uma missão. E tê-la executado me basta!
O gnomo e a elfa seguiram pelo túnel depois de se despedirem do sacerdote do Templo das Divindades. Caminharam no escuro, tateando pelas paredes úmidas até encontrarem a luz de Loril. Saíram do túnel e se depararam com uma plantação de trigo. De lá puderam avistar a estrada velha. Despediram-se prometendo amizade. Glimbertrix foi se encontrar com Maleus e contar as boas novas. Mentati, por sua vez, voltou para as terras Élficas, lugar onde seria eternizada em canções de bardos.

4 comentários:

Diógenes Daniel disse...

acabou! Mais uma boa história! Ficou a curiosidade para o que está por vir.

Duda Falcão disse...

Espero manter essa curiosidade constante. Esse blog é pra continuar mais de um temporada, he, he. Estamos somente na segunda!
Um abraço!

Lisiana disse...

Quanta inovação, na minha visão: professor para blogueiro e contador de história, muito legal!Não vou mentir que li tudo que seria um sacrilégio, mas o farei assim que tiver um tempo disponível ...prometo! Mas pelo que pude fazer pela leitura dinâmica, gostei e muito. Atualmente estou lendo o livro " Lua Nova" do Best Seller : Crepúsculo de Stephenie Meyer, e segue esta linha ( me perdoe pois como falei ,não li todas as histórias para tirar esta conclusão)mas PARABENS.Tenho um livro escrito e pronto, há mais de 5 anos, quem sabe me encorajo desta vez! Valeu!

Duda Falcão disse...

Oi, Lisiana! legal ter a sua passagem por aqui. Continue acompanhando os textos. Quem gosta de aventura se distrai com o texto.
Gostei de saber que você também escreve. Talvez seja hora de mostrar o talento. A Internet possibilita com que possamos colocar nossos textos em uma vitrina, acho melhor do que deixá-los guardados. Vá em frente! Certamente serei um dos seus leitores. Um abraço e continue aparecendo, em junho terá a estreia de uma novela nova no blog.