segunda-feira, 20 de abril de 2009

Capítulo 19

Os corvos se acumularam sobre Batel Horm e Mentati. Suas bicadas eram potentes, capazes de rasgar a pele. O anão estava ficando cansado de ter que estraçalhar aquele mundaréu de pássaros negros. Por enquanto, todos os ferimentos em seu corpo eram cortes leves, mas se o ataque continuasse naquele ritmo não aguentaria por muito tempo.
Lá fora, um guinchar horrível quase fez parar o coração de todos os que estavam no templo. No vitral mais alto do prédio, o grupo pôde ver uma enorme sombra barrar a luz de Loril.
— Meu mestre chegou! — gritou o Bruxo dos Corvos. — Nada poderá salvá-los agora!
Os vitrais do Templo das Divindades explodiram. Cacos coloridos se espalharam pelo ar. O dragão havia soltado uma rajada de fogo sobre a edificação. Todos protegeram a face para evitar a terrível chuva de vidro. A temperatura aumentou drasticamente, fazendo com que o suor escorresse de seus corpos. Muitos corvos foram dardejados pelos cacos de vidro. O rosto de Batel Horm foi atingido pelos objetos pontiagudos e cortantes. O anão soltou o machado e urrou de dor.
Pelas janelas puderam ver o grande dragão negro, Gideon. Era a primeira vez que o sacerdote via um dragão daquele tamanho. Ele havia caminhado por aquelas terras como poucos já haviam feito. Dava pra dizer que nas Terras de Lhu, nos últimos tempos, os dragões eram criaturas raras de se encontrar.
— Estamos fritos — disse Glimbertrix segurando-se nas dobras do casaco azul do sacerdote. — Pobre Batel Horm!
— Não perca as esperanças, gnomo — disse o velho sacerdote. — O templo poderá nos proteger durante algum tempo, enquanto eu ainda tiver forças. Do anão cuidaremos daqui a pouco!
Gideon lançou mais uma baforada de fogo. Mas as chamas não ultrapassaram as janelas, foram barradas por uma poderosa mágica de proteção. Usando toda concentração disponível o sacerdote impedia que o templo se transformasse em uma fogueira gigante.
— Acabem logo com o dragão! Não sei quanto tempo poderei suportar os ataques — ele ordenou.
Glimbertrix reuniu coragem ao perceber que o velho estava resistindo. Correu na direção das escadarias que levavam a torre. Antes de subir gritou para o sacerdote uma pergunta essencial:
— Não sei como usar o amuleto?
— Mire a pedra na direção do coração de Gideon. Tenha fé no poder do amuleto! Agora, vá! — o sacerdote contraía os músculos da face como se estivesse fazendo uma força incrível.
— Não vá tão cedo amiguinho — disse o Bruxo dos Corvos para Glimbertrix.
O mago do vento manipulou o ar fazendo com que o gnomo levitasse do solo de pedra.
— Mentati! Pegue o amuleto e acabe com o dragão! — Glimbertrix jogou o objeto na direção da elfa.
Do ombro do mago voou o maior dos corvos. Aquela ave era o mensageiro líder. Suas penas tinham um brilho formidável que passava do negro ao azul escuro dependendo da incidência de luz sobre o corpo alado. Essa ave era a ligação dos corvos com o bruxo. Valendo-se de um vôo perfeito, o corvo líder agarrou com o bico o amuleto jogado por Glimbertrix. As penas diferenciadas e o tamanho anormal de seu corpo decidiram sua sorte. A pontaria e a visão de Mentati sempre foram motivos de admiração entre o seu povo. Com uma das lâminas afiadas que levava escondida à cintura, a elfa com um arremesso preciso acertou a ave de mau agouro. O corvo parou de bater as asas e caiu sem vida no chão do templo.
O elo mental entre o mago do vento e o corvo líder foi interrompido com a morte da criatura. Com isso, todos os outros corvos ficaram desorientados. As aves pararam de atacar os inimigos e pousaram em locais diferentes do templo. Algumas sobre os bancos de madeira e outras sobre as estátuas do Templo das Divindades.
Abalado com a perda do seu valoroso animal, o mago dos ventos esqueceu de Glimbertrix. O gnomo caiu em pé de uma pequena altura. Seu tornozelo direito torceu, mesmo sentindo dor correu sem jeito até o corvo líder.
— Desista enquanto é tempo, Bruxo dos Corvos! — o sacerdote ameaçou.
Indignado, o mago voou com rapidez na direção do velho. Com seu cajado de madeira retorcida girou um golpe feroz pra cima do adversário. O sacerdote não teve dificuldades em se defender. Seu bastão de cristal arrebentou a arma do oponente. Um choque percorreu o corpo do aliado de Gideon. Ele caiu de joelhos derrotado.

2 comentários:

Diógenes Daniel disse...

pobres corvos! Nas mãos de gente tão mal intencionada...
pô, tá acabando, né?

Duda Falcão disse...

Os corvos foram manipulados pelo Bruxo. O carinha era do mal, desde o inicio podíamos perceber, he, he.

Sim, o próximo capítulo é o final.
Vou postar, no máximo até domingo.
Segunda tem estreia do site Terras de Lhu, com a versão em pdf, ilustrações, mapa e talz.
E na outra semana o início de uma nova aventura!