O grupo deixou o Templo das Divindades por uma porta lateral. O sacerdote entregou para Glimbertrix uma chave:
— Pegue isso, gnomo. É uma cópia da chave do prédio do governador. Já faz tempo que me preveni para essa situação. Agora sumam daqui e voltem o quanto antes — ordenou o sacerdote.
— Por que demorou tanto para nos entregar a chave? — perguntou Glimbertrix.
— Velhos não tem boa memória rapaz. Ande logo!
Finalmente o sacerdote trancou a porta. O grupo de aventureiros estava em uma viela escura. Glimbertrix liderou os companheiros procurando abrigo em baixo das marquises das casas e prédios de Dartmor. Era possível escutar os passos das botas dos ciclopes marchando pelas pedras escorregadias da cidade. Sempre que ouviam a aproximação dos guardas seguiam por um caminho oposto.
Porém, não estavam totalmente preparados para a presença de guardas que estavam escondidos nas sombras e na neblina espessa ao lado de uma casa desbotada.
Um dos ciclopes, com o martelo de guerra em riste, ordenou:
— Parados, todos vocês!
Todos ficaram imóveis, menos Glimbertrix que se aproximou dois passos do guarda:
— Eu disse, parado! — a voz do guarda foi mais enérgica dessa vez.
O interior do capuz do gnomo se iluminou.
— Não interrompa nossa peregrinação — ameaçou Glimbertirx. — Ou seu único olho vai virar geléia na gamela do Verme dos Cadáveres.
O ciclope se curvou pedindo desculpas. Com o colega voltou para o esconderijo nas sombras.
Quando estavam longe dos guardas, Batel Horm foi o primeiro a falar:
— Como você consegui se livrar deles, assim tão fácil?
— Deve ter realizado alguma ilusão — se atravessou o mago do vento, depois de tanto tempo sem dizer absolutamente nada.
— Foi isso mesmo. E das boas. Hoje estou inspirado. Não é sempre que minhas ilusões são tão perfeitas.
— Posso saber o que foi que você aprontou dessa vez? — continuava curioso Batel Horm.
— Todos sabem que esses guardas temem qualquer coisa que tenha mais de um olho na face. Possuem um jeito hostil, pois é a melhor maneira de se defenderem dos outros. No fundo, são uns medrosos. Estar vestido com essas roupas, certamente foi uma maneira de induzi-los a acreditar com mais credibilidade na ilusão que criei. É óbvio, para mim, que os ciclopes temam monges que cultuam o Verme dos Cadáveres. Isso, pelo fato de que a divindade possui dezenas de olhos em seu corpo gelatinoso. Então, iludi o boçal transformando minha face em algo repleto de olhos em chamas. Acho que ele ficou bem impressionado.
— Pelo jeito não suportaram a visão! — disse Batel Horm, admirado.
— São uns supersticiosos! — concluiu o mago do vento.
— Chega de conversa! Precisamos chegar logo ao prédio do governador. Enquanto conversamos diminuímos o nosso passo — disse Mentati. — Tenhamos foco, por favor.
O grupo apressou a caminhada. A neblina havia se tornado mais espessa. Finalmente chegaram ao seu destino.
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Assinar:
Postar comentários (Atom)












2 comentários:
seguindo... e esperando... mago suspeito!
He, he! As revelações vão ficar pro final. Faltam apenas quatro capítulos.
Um abraço.
Valeu pela presença constante!
Postar um comentário