sexta-feira, 27 de março de 2009

Capítulo 14

O amuleto em forma de círculo imitava uma cobra de aspecto grotesco que engolia o próprio rabo. Estava esculpida em uma pedra avermelhada.
— Exato, caro gnomo — confirmou o sacerdote. — É a peça da serpente.
— Encontrar o amuleto foi mais fácil do que imaginei — disse Batel Horm.
— Ainda temos de procurar pela segunda metade do amuleto! — Glimbertrix lembrou. — A peça com formato de águia.
— Eu sei onde vocês podem encontrá-la — falou com tranqüilidade o sacerdote. — O governador de Dartmor usa a peça para enfeitar a parede do seu gabinete.
— Que palerma! Não sabe o valor do amuleto — disse Glimbertrix.
— Poucos sabem, gnomo. Por isso não me preocupei em roubá-la! — falou o sacerdote.
— Onde fica esse gabinete? — perguntou Mentati.
— No prédio da administração.
— Eu sei onde é — falou o gnomo.
— Vamos aproveitar que ainda é noite e concluir a missão. Vamos roubar o amuleto logo — disse Batel Horm, já cansado daquela conversa.
— Fiquem em silêncio! — ordenou o sacerdote. — Escutem!
Com medo do que o sacerdote pudesse fazer eles ficaram quietos. Das ruas úmidas e de pedras escorregadias de Dartmor escutaram passos pesados. Parecia que uma marcha era realizada durante a madrugada.
— Guardas! — concluiu Mentati.
— Parece que estão espalhados por toda parte. Deve ter acontecido algo muito grave. Do contrário, o capitão da guarda não ordenaria tal vigília no meio da noite. O que terá acontecido? — o sacerdote perguntou.
Não houve resposta, apesar do grupo ter certeza do motivo que havia mobilizado a tropa naquela madrugada: a morte dos ciclopes que procuravam por Mentati.
— Se quisermos montar o amuleto temos de deixar esse empecilho de lado! — disse o sacerdote para si mesmo. — Tragam a peça da águia até o templo. Algo me diz que as peças do jogo estão se movimentando. A serpente ficará comigo até que vocês voltem!
— Mas... Eu tenho de levar essa peça comigo. Não posso sair daqui sem ela — disse Glimbertrix frustrado.
— Caro, gnomo, não fique angustiado. O amuleto estará seguro dentro do templo. Vocês devem trazer a outra peça para que possamos conectá-la ao Olho de Tullging e a serpente. Só então, teremos a arma capaz de liquidar Gideon, o dragão negro.
— Pelo som das passadas, as ruas estão repletas de ciclopes — vociferou Batel Horm.
— Isso não será problema — falou o sacerdote.
Antes que notassem sua falta, o mago do vento se aproximou novamente do grupo. Uma de suas pálpebras ainda tremia depois do choque.

2 comentários:

Diógenes Daniel disse...

mago mais que suspeito...

Duda Falcão disse...

He, he! É verdade. O conto agora se desenrolará rapidamente. Restam apenas seis capítulos.
Um abraço!