Alguns minutos depois, enquanto aguardavam nas escadarias, Glimbertrix e os outros ouviram passos sorrateiros vindos do interior da edificação. Escutaram uma chave girando na pesada porta de madeira que em seguida foi aberta. Mentati colocou o indicador sobre os lábios. Era um sinal claro de que solicitava silêncio. O grupo não deu um pio enquanto invadia o Templo das Divindades de Dartmor.
Logo que entraram puderam escutar um apito de som agudo vindo de fora do templo. Fecharam a pesada porta com urgência. Aquele sinal sonoro se repetiu mais algumas vezes antes que Glimbertrix falasse:
— Com certeza encontraram os corpos dos guardas. Os assassinos serão caçados.
— Hoje, se alguém for visto transitando pelas ruas será interrogado — falou Batel Horm que já era morador da cidade fazia algum tempo. — Isso, é claro, se não for direto para o calabouço. Lá, dizem, qualquer informação é conseguida através da tortura. Não importa que consigam extrair do indivíduo a informação verdadeira. Mesmo assim utilizarão de métodos pouco aceitáveis. Podem aguardar pelas notícias de gente desaparecida.
— Eu não queria que isso acontecesse. Mas nossa missão é de suma importância — falou o gnomo com ar de seriedade.
— É melhor ficarmos um tempo por aqui — disse Mentati para acabar com aquele assunto.
Do lado da porta de entrada havia uma escadaria que levava a torre do sino. Foi por aquele caminho que a elfa descera. O Templo das Divindades era repleto de esculturas magníficas. Na parede da direita, sentado em um trono estava Gling, o deus terremoto. Ao seu lado, a deusa da caça empunhava um arco e flecha. Do lado esquerdo, uma caveira de pedra segurava ameaçadoramente uma foice. Outro deus, sobre a cabeça empunhava um relâmpago. O deus dos ladrões assaltava a bolsa de uma pessoa desprevenida. Eram muitas as imagens, qualquer admirador de arte ou mitologia ficaria encantado de poder estudá-las com esmero. Nos pedestais de pedra, de cada figura, bruxuleavam acesas velas de diversas cores.
No fundo da edificação, um dragão olhava de soslaio para o grupo. Era a maior e mais bela arte daquele templo.
— Lhu! — disse Glimbertrix admirado.
Não era a primeira vez que o gnomo via a imagem do dragão. No entanto, sempre ficava estupefato com o poder de realismo que o autor havia concedido a escultura. Ao lado do dragão de pedra, uma porta de madeira estava semi-aberta.
Glimbertrix liderou o grupo até aquela porta. No ombro de uma estátua, de um homem com uma espada, o mago do vento viu pousado um corvo. Não teceu nenhum comentário.
Pela abertura da porta foi possível enxergar um toco de vela aceso sobre um pires. Por sua vez, a louça encontrava-se sobre um móvel de canto. Glimbertrix chegou mais perto e espiou dentro do recinto. Deitado em uma cama, agasalhado por um cobertor grosso, dormia um velho. Somente seu rosto de barbas brancas estava destapado. Usava um gorro azul de ponta longa.
Batel Horm que caminhava atrás de Glimbertrix pisou no calcanhar do gnomo.
— Ai! — gemeu, o pequeno líder.
O velho tossiu e abriu as pálpebras revelando olhos esverdeados. O homem sentou na cama imediatamente e agarrou um bordão com aspecto de cristal que estava encostado na parede.
— Alto lá! — o velho esfregou um dos olhos com a mão livre. — O que fazem invasores no Templo das Divindades?
sábado, 14 de março de 2009
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2 comentários:
1 ano depois, e lá está Lhu! (quer dizer, uma estátua, né...)
Sim, aos poucos vamos conhecendo o tal Lhu! Certamente ele terá sua própria história! Mas isso terá de esperar mais um longo curso de tempo. Muita coisa ainda terá de ser contada antes de vermos o dragão alçando voo pelo seu próprio mundo, he, he.
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