terça-feira, 3 de março de 2009

Capítulo 10

O grupo dobrou uma esquina e caminhou silenciosamente pelas ruas. Glimbertrix percebeu que naquele momento estavam passando pelo prédio da biblioteca.
— Hei, o que acham de entrarmos primeiro na biblioteca? — perguntou o gnomo.
— Você é quem manda — disse Batel Horm pegando o machado.
Antes que pudesse golpear com potência a pesada porta de carvalho, Mentati agarrou seu ombro.
— Essa não é a melhor forma de resolvermos esse problema — disse a elfa com paciência.
Antes que pudessem arranjar outra solução para entrar no prédio foram surpreendidos pela chegada dos guardas. Os dois, dessa vez, andavam cautelosamente, sem fazer barulho pelas ruas calçadas. Um deles disse:
— Nós sabíamos que vocês eram arruaceiros — o ciclope havia visto o anão preparar o golpe de machado.
— Queriam roubar a biblioteca, não é mesmo? — perguntou o outro com evidente sarcasmo.
— Vamos dar uma lição em vocês — disse o primeiro guarda.
O ciclope levantou o martelo de guerra e acertou de raspão o anão mais próximo. Belo Trigal caiu e gemeu de dor. O ombro havia se deslocado, teve sorte, pois a martelada estava endereçada a sua cabeça.
— Primo! — gritou Batel Horm.
O mago levantou as mãos para o céu. As mangas do manto lhe escorregaram até os cotovelos deixando a mostra braços magros, quase esqueléticos. Cantarolou algo enigmático aos ventos marítimos de Dartmor. Enquanto, mantinha empunhado um retorcido cajado de madeira.
Tudo começou com uma leve brisa que levantou poeira. Um redemoinho de vento juntou folhas secas e sujeira das pedras negras e escorregadias do pavimento.
— Chega de ilusão! Vocês não nos enganam mais! — o segundo guarda vociferou.
O primeiro ciclope se adiantou na direção de Mentati. Mas antes que pudesse fazer qualquer coisa foi capturado juntamente com o companheiro por um mini-ciclone controlado pelo mago. Os dois foram erguidos do chão como se fossem penas de abutre. Estavam a mais de quatro metros do chão. Indefesos e com o estômago revirado, devido aos diversos rodopios que deram no ar, não conseguiam se livrar daquele feitiço bem elaborado.
Quando os inimigos estavam a mais de cinco metros de altura, o mago cessou de controlar o vento. Tinha de guardar um pouco de suas forças mágicas para o restante da noite.
Os dois guardas foram jogados com violência ao chão. Não foi nada bom ouvir o barulho de ossos rachando. Um dos ciclopes quebrou o pescoço e morreu no mesmo instante. O outro ainda teve forças para se apoiar sobre um dos joelhos e retirar um apito do bolso. Antes que o sujeito pudesse apitar, Batel Horm, furioso, selou seu destino com a lâmina afiada do machado penetrando sua face de um olho só. Aquele ciclope não deveria ter se metido com eles, pensou o anão de barbas azuis.
— Estamos encrencados! — disse Batel Horm. — Como você está, primo?
— Meu braço não se mexe. Está doendo muito!
O anão de barbas azuis vasculhou os bolsos dos dois ciclopes e roubou seus parcos recursos. Talvez pudesse pagar uma parte do tratamento do braço de Belo Trigal com as moedas que encontrou.
— Vamos dar o fora daqui primo! — sugeriu Belo Trigal.
— Vou com eles, anão! Volte pra hospedaria e peça ajuda para o curandeiro do quarto doze. O sujeito é meu amigo! Pegue essas moedas.
— Cuide-se, Batel! – disse Belo Trigal apanhando as moedas com a mão boa.
Após a despedida entre os dois Glimbertrix resolveu reorganizar aquela empreitada frustrada até o momento. Sabia que Maleus, não o perdoaria se falhasse na missão. E, certamente, lhe reservaria um castigo. O gnomo disse:
— Perdemos nosso primeiro contratado. Por sorte ele está vivo e se recuperará. Darei as moedas dele para que você as entregue, Batel Horm, quando terminarmos o serviço. Será prudente sairmos daqui agora. Vamos ao templo, fica do outro lado da praça central e deve estar vazio. Vamos! Vamos!

2 comentários:

Diógenes Daniel disse...

heh! De repente me lembrei das sessões de RPG de sábado à noite!

muito bom, Duda!

Duda Falcão disse...

E aí, Diógenes!
Essa história é a adaptação de uma aventura. O anão que saiu machucado nada mais é do que o primeiro jogador indo pra casa mais cedo, he, he...
Valeu presença
Um abraço!