sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Capitulo 5

— Hei! Você não foi convidado, abelhudo! — Belo Trigal xingou o intruso.
O homem manteve um capuz sobre a cabeça deixando o rosto na penumbra:
— Posso lhe ajudar gnomo!
— Ajudar no que seu intrometido? Escute bem, aqui não tem lugar pra você! — Belo Trigal parecia bem zangado com o homem.
Os olhos azuis do encapuzado parecem ter brilhado como se fossem a ponta de uma afiada adaga. Belo Trigal ao ver a faísca assustadora na retina do invasor resolveu ficar quieto. Batel Horm tinha receio de magos e aquele intruso parecia ser de uma estirpe misteriosa. O anão não se atreveu a dar um pio sequer. Acreditava que qualquer um que andasse com um manto escondendo o rosto e carregasse cajados era dado a realizar feitiçarias. As Terras de Lhu estavam repletas daqueles sujeitos estranhos. Por isso teria cuidado ao lidar com aquela figura.
— E então, gnomo, gostaria de contar com os meus serviços? — perguntou o humano.
— De que maneira você poderá ajudar, camarada? O que você sabe fazer para contribuir conosco? — Glimberttrix, com grande entusiasmo, o desafiou.
O homem colocou o cotovelo direito sobre a mesa. Um belo anel de prata ornava o dedo indicador dele. Virou a palma da mão para cima e com uma magia simples fez com que as duas canecas dos anões levitassem. Apenas havia dito uma palavra estranha que não foi entendida por nenhum dos três. Batel Horm e Belo Trigal ficaram boquiabertos. O mago sorriu devolvendo os canecos as posições originais. E ainda, brincou:
— Da próxima vez, se forem mais afáveis deixarei os copos cheios.
Glimbertrix, satisfeito, aceitou no mesmo instante os serviços do encapuzado:
— Ótimo! Certamente precisaremos de você.
Os anões emborcaram a molha-goela de suas canecas antes que o mago resolvesse sumir com os objetos. Talvez, por um gesto amigável, até as enchesse como havia dito sem que precisassem pagar.
— Descreva para nós as duas partes do amuleto? — o mago, que escutara a conversa dos fragmentos do amuleto, solicitou ao gnomo.
— Bem, em uma das partes, está esculpida a forma de uma águia. Na outra, uma serpente. As duas peças devem se encaixar perfeitamente.
— Você teria alguma idéia ou pista de onde possamos encontrá-las? — continuou perguntando o mago.
— Está na cidade. Pode estar em qualquer lugar. O que acham de começarmos pelos prédios maiores: a biblioteca, o templo ou o gabinete do encarregado da imperatriz?
— Invadir o gabinete é loucura! — falou Belo Trigal, dessa vez usando um tom mais baixo. — Sermos pegos lá dentro é viagem direta pros calabouços de Carmal.
— Isso não vai acontecer primo. Não seja medroso. E se não encontrarmos em nenhum desses lugares, Glimbertrix?
— Não vamos ser pessimistas. Pra tudo a solução!
— É um trabalho ideal para ladrões! — sugeriu Belo Trigal.
— Já está desistindo do trabalho? — provocador, Batel Horm desafiava o primo.
Belo Trigal abaixou a cabeça e permaneceu calado por um bom tempo.
— Vamos aproveitar a proteção das sombras, a noite veio para nos ajudar. Tenho pressa para realizar o trabalho, me acompanhem — ordenou Glimbertrix levantando-se da cadeira.
Os outros se colocaram de pé e o seguiram.

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