sábado, 31 de janeiro de 2009

Capítulo 3

Loril, o sol que iluminava as Terras de Lhu, fazia pouco tinha deixado o horizonte para conceder lugar a uma suntuosa lua de cor perolada. Nuvens escuras de um vermelho metálico, de vez em quando, escondiam aquela preciosidade que ornamentava o céu.
O enviado de Maleus, Glimbertrix, parou de olhar pela janela da taberna. Não estava lá para contemplar a noite feito um sonhador. Era hora de agir, assumir sua responsabilidade. Os músicos pararam de tocar e começavam a deixar o palco para um breve intervalo. De um saco atrás das costas, o gnomo tirou um rebec, instrumento em formato de pêra, talhado do mais forte cedro, contendo três cordas super-resistentes, e um arco para deslizar sobre elas de forma que produzisse alto e bom som. Além de ter construído o instrumento, tinha orgulho de dizer que o fio do arco era composto pela crina de um unicórnio. Não perdeu tempo, com maestria tocou o maravilhoso instrumento antes mesmo de subir no palco, agora vazio. Era uma melodia alegre:

“Venho aqui para me apresentar
meu nome é Clark Glimber Amoreira Silvertrix,
mais fácil pra vocês é se lembrar
do meu belo apelido Glimbertrix.

Sou um gnomo que adora cantarolar
contando histórias de todos os tipos.
Sou um autêntico menestrel
vocês podem bem comprovar.

Sou curioso e muito moleque
adoro estar aqui em Dartmor.
Sou curioso e muito moleque
adoro cantar em uma taberna.

Corro o mundo e levo alegria
por onde passo com a Rebeca
meu instrumento musical de estimação.
Mas que ninguém se meta comigo,
pois o arco que produz lindas canções
também reserva terríveis surpresas.
Faço truques e brincadeiras,
Mas minhas traquinagens
são apenas diversão.

Sou curioso e muito moleque
adoro estar aqui em Dartmor.
Sou curioso e muito moleque
Adoro cantar em uma taberna.

Meu apelido é Glimbertrix".

Glimbertrix fez uma mesura ao público e foi muito aplaudido pelos presentes. Principalmente por dois anões que se sentavam à mesa diante do palco. Um deles solicitou a presença do gnomo, enquanto o outro pediu ao garçom que enchesse os copos vazios de molha-goela.
— Sente conosco, gnomo! Vamos tomar um trago.
Glimbertrix não era mais alto do que um metro. Ao sentar-se na cadeira conseguia com dificuldade apoiar os cotovelos sobre a mesa.
— Aceito a companhia dos amigos. Mas no momento prefiro não beber. Se não me levarem a mal. Tenho compromissos sérios pra resolver.
— Que ótimo! Assim pouparemos um pouco das escassas moedas com a estampa da imperatriz — disse o anão que o convidara.
— Não dê atenção ao comentário do meu primo. A imperatriz fará das Terras de Lhu um lugar mais próspero.
O outro anão gargalhou utilizando toda a força dos pulmões, e disse:
— Não me faça rir, Belo Trigal — depois dirigiu a palavra ao gnomo. — Esteja à vontade amigo. E se não gosta da imperatriz fique a vontade pra xingá-la, esse é o lugar certo pra isso. Então, seu apelido é Glimbertrix, não é mesmo? — perguntou, o anão de careca luzente e barba azul.
— Sim, só conto a verdade nas minhas letras. Meu apelido é esse mesmo.
— Hum, alguém honesto nessas paradas, raridade.
— E vocês como se chamam?
— Me chamo Batel Horm — disse o anão da barba azul. — E esse é meu primo Belo Trigal.
O anão apertou a mão do gnomo:
— Prazer, camarada! — ele possuía uma vasta cabeleira e uma espessa barba amarela que pareciam formar uma coisa só.
O garçom trouxe duas canecas cheias. Batel Horm bebeu um gole de molha-goela geladinha, sua barba ficou molhada com a espuma da bebida:
— Aqui é um dos melhores lugares para se estar em Dartmor.
— Estou à procura de aventureiros — disse Glimbertrix sem mais rodeios.
Belo Trigal quase se afogou com a bebida. Batel Horm deu um tapa nas costas do primo e continuou escutando o que o gnomo tinha a dizer.

2 comentários:

Diógenes Daniel disse...

dois anões e um bardo parrudo... ainda que agora falte uma katana, cabeças vão rolar (ao som de canções ainda!)

Duda Falcão disse...

Glimbertrix, o gnomo, fazendo cabeças rolar enquanto canta um som do Ozzy, he, he!