Antes mesmo de amanhecer, Hylana continuou a jornada. Pelo caminho que fazia, em breve chegaria a estrada velha. A garota apressou o croax, antes de seguir para Carmal realizaria uma tarefa. Sua consciência lhe dizia que dar um funeral digno ao feiticeiro era o mínimo que deveria fazer. Infelizmente, mesmo esse gesto de arrependimento nunca serviria para limpar sua consciência. A garota não havia dado ao homem chance alguma de se defender. Nem mesmo, permitiu que ele contasse a própria versão da história. Ela não queria nada além de vingança. Tinha acreditado cegamente em Jamal. Que estúpida você foi, Hylana não parava de se xingar em voz alta.
Finalmente chegaram à beira da desolada estrada. Hylana conduziu o croax até o local onde deveria encontrar o corpo do feiticeiro, ou ao menos parte da carcaça. Para sua surpresa nem um vestígio sequer dele. Encontrou apenas os fragmentos de pedra do que outrora havia sido uma gárgula. O que teria acontecido com o defunto? Será que uma fera teria levado o corpo? Talvez. Desceu do croax e procurou por alguma pista. Que tipo de animal teria feito dois rastros paralelos na terra preta? Hylana puxou o croax pelas rédeas e seguiu a pista. Queria saber onde aquilo ia terminar.
Ao longo da estrada avistou o sobrado de pedra do feiticeiro. O rastro terminou onde a terra se tornava mais dura. Hylana não precisava mais de qualquer pista. Teve certeza absoluta de que o corpo estava na casa. Mas quem, nas Terras de Lhu, teria realizado aquele ato de caridade?
sábado, 26 de julho de 2008
domingo, 20 de julho de 2008
24. A habilidade especial do croax
Hylana olhou para trás mais uma vez. Não havia sinal algum das elfas que a perseguiam. Mesmo assim, não era bom vacilar. Muriel e Mariah não desistiriam nunca de recuperar a adaga de mármore que pertencia ao mosteiro.
A consciência de Hylana não lhe permitia mais descanso. Em poucos dias, havia feito coisas terríveis. Envenenou o feiticeiro, roubou a adaga de mármore e colocou pra dormir quase todo o mosteiro dos monges espadachins, traindo a confiança de pessoas que ela conhecia. Talvez, Tarila estivesse morta, a garota se culpava por isso também.
A partir da sua fuga do mosteiro somente o ódio crescia em seu coração. Ódio de si mesma, por ter sido enganada. E também ódio de Jamal. Tanto Tarila, quanto Eliseu sabiam que o bárbaro era filho de um feiticeiro. Talvez todos soubessem, menos ela. Os dois tentaram alertá-la, mas a paixão muitas vezes não dá ouvidos a ninguém. O seu namorado não era órfão coisa nenhuma. Ele havia mentido. Por quê? Vergonha de apresentar o próprio pai. É claro que não, bárbaros raramente sentem vergonha de alguma coisa. Não foi difícil para Hylana supor quem era o misterioso pai de Jamal. Ao desvendar esse pequeno quebra-cabeça, não tinha mais dúvida de que o bárbaro também havia mentido sobre o assassinato dos pais dela. Envenenar o feiticeiro por pura vingança já era uma falha terrível de caráter, mas saber que não havia razão alguma para o ato criminoso deixava a consciência de Hylana mais suja que todas as estrebarias das Terras de Lhu. A garota sentiu-se em uma encruzilhada. Talvez, a melhor coisa a ser feita fosse devolver a adaga ao mosteiro. Chegou a conter o croax e refletiu por alguns minutos a situação em que se encontrava. Decidiu seguir adiante e colocar seu novo plano em prática até o fim.
Hylana e o croax penetraram no princípio do pântano. Árvores negras e decrépitas ornavam o local. O chão em que o croax corria ainda era estável. Porém, mais adiante, logo se tornaria lodo. A garota não prestava atenção na paisagem, a idéia de ter sido manipulada a deixava transtornada e mais ávida por colocar seu plano em ação. Lembrou a frase que Tauros vivia dizendo: “Mentira tem perna curta”. Jamal você me paga, pensou a garota, rilhando os dentes.
Hyalana precisava ficar atenta aos perigos do habitat em que se encontravam. O croax passou a trotar lentamente quando chegaram em terras lodosas. Em breve se aproximariam de um extenso lago repleto de répteis assustadores e piranhas de um metro e meio de comprimento. Da cela do croax, a garota retirou uma espécie de óculos de mergulho. Colocou o objeto sobre o rosto tampando com precisão as narinas. A partir dali respirou somente pela boca que ficava exposta.
A garota apertou com força uma glândula situada no papo do croax. A criatura berrou e através da sua pele começou a expelir um suor fedorento. Penetraram no lago pantanoso. Nenhum animal se aproximou. O cheiro que o croax exalava afastou todo e qualquer predador que tivesse a intenção de devorá-los a menos de um minuto atrás.
O animal nadou com a perícia de um verdadeiro peixe. Somente os ombros e a cabeça de Hylana permaneciam de fora do charco escuro. A cabeça do croax, por vezes submergia, e quando se tornava visível, acima das águas barrentas, lembrava uma cobra pronta para dar o bote.
Assim que deixaram o pântano e aportaram em terras secas e mais seguras, Hylana tirou a máscara. A pele do croax ainda exalava um resquício do cheiro podre produzido pelas glândulas de seu corpo bizarro. Hylana espirrou, estava molhada e com frio. A cela especial do croax era de grande utilidade. Tinha um compartimento capaz de guardar completamente seco qualquer pequeno objeto. Aquele local era o ideal para guardar uma pederneira. Os dois dormiram se aquecendo ao lado de uma fogueira acesa pela garota. O sono serviu para descansar os ossos. No entanto, a consciência de Hylana não lhe deu mais trégua. Sentia vergonha de tudo aquilo que tinha feito.
A consciência de Hylana não lhe permitia mais descanso. Em poucos dias, havia feito coisas terríveis. Envenenou o feiticeiro, roubou a adaga de mármore e colocou pra dormir quase todo o mosteiro dos monges espadachins, traindo a confiança de pessoas que ela conhecia. Talvez, Tarila estivesse morta, a garota se culpava por isso também.
A partir da sua fuga do mosteiro somente o ódio crescia em seu coração. Ódio de si mesma, por ter sido enganada. E também ódio de Jamal. Tanto Tarila, quanto Eliseu sabiam que o bárbaro era filho de um feiticeiro. Talvez todos soubessem, menos ela. Os dois tentaram alertá-la, mas a paixão muitas vezes não dá ouvidos a ninguém. O seu namorado não era órfão coisa nenhuma. Ele havia mentido. Por quê? Vergonha de apresentar o próprio pai. É claro que não, bárbaros raramente sentem vergonha de alguma coisa. Não foi difícil para Hylana supor quem era o misterioso pai de Jamal. Ao desvendar esse pequeno quebra-cabeça, não tinha mais dúvida de que o bárbaro também havia mentido sobre o assassinato dos pais dela. Envenenar o feiticeiro por pura vingança já era uma falha terrível de caráter, mas saber que não havia razão alguma para o ato criminoso deixava a consciência de Hylana mais suja que todas as estrebarias das Terras de Lhu. A garota sentiu-se em uma encruzilhada. Talvez, a melhor coisa a ser feita fosse devolver a adaga ao mosteiro. Chegou a conter o croax e refletiu por alguns minutos a situação em que se encontrava. Decidiu seguir adiante e colocar seu novo plano em prática até o fim.
Hylana e o croax penetraram no princípio do pântano. Árvores negras e decrépitas ornavam o local. O chão em que o croax corria ainda era estável. Porém, mais adiante, logo se tornaria lodo. A garota não prestava atenção na paisagem, a idéia de ter sido manipulada a deixava transtornada e mais ávida por colocar seu plano em ação. Lembrou a frase que Tauros vivia dizendo: “Mentira tem perna curta”. Jamal você me paga, pensou a garota, rilhando os dentes.
Hyalana precisava ficar atenta aos perigos do habitat em que se encontravam. O croax passou a trotar lentamente quando chegaram em terras lodosas. Em breve se aproximariam de um extenso lago repleto de répteis assustadores e piranhas de um metro e meio de comprimento. Da cela do croax, a garota retirou uma espécie de óculos de mergulho. Colocou o objeto sobre o rosto tampando com precisão as narinas. A partir dali respirou somente pela boca que ficava exposta.
A garota apertou com força uma glândula situada no papo do croax. A criatura berrou e através da sua pele começou a expelir um suor fedorento. Penetraram no lago pantanoso. Nenhum animal se aproximou. O cheiro que o croax exalava afastou todo e qualquer predador que tivesse a intenção de devorá-los a menos de um minuto atrás.
O animal nadou com a perícia de um verdadeiro peixe. Somente os ombros e a cabeça de Hylana permaneciam de fora do charco escuro. A cabeça do croax, por vezes submergia, e quando se tornava visível, acima das águas barrentas, lembrava uma cobra pronta para dar o bote.
Assim que deixaram o pântano e aportaram em terras secas e mais seguras, Hylana tirou a máscara. A pele do croax ainda exalava um resquício do cheiro podre produzido pelas glândulas de seu corpo bizarro. Hylana espirrou, estava molhada e com frio. A cela especial do croax era de grande utilidade. Tinha um compartimento capaz de guardar completamente seco qualquer pequeno objeto. Aquele local era o ideal para guardar uma pederneira. Os dois dormiram se aquecendo ao lado de uma fogueira acesa pela garota. O sono serviu para descansar os ossos. No entanto, a consciência de Hylana não lhe deu mais trégua. Sentia vergonha de tudo aquilo que tinha feito.
domingo, 13 de julho de 2008
23. Tarila
— Então, foi por isso que voltou? — perguntou Tarila, as costas de Hylana.
Ao escutar a voz conhecida, Hylana se virou surpresa. Não contava com isso. Imaginou que seu plano seria perfeito. Tinha certeza que Tarila também seria apanhada pelo pesado sono causado pelo sonífero.
— Não tente me deter Tarila — a voz de Hylana vacilou.
Nunca poderia confrontar-se contra a técnica da mestra:
— Preciso da adaga para salvar alguém que amo — explicou Hylana.
— Não me venha falar de amor, menina. Meus espiões relataram que você foi seduzida por um marginal — Tarila demonstrava impaciência no tom da voz.
— Não fale assim de Jamal — ameaçou, a garota.
— Ser filho de um necromante não pode dar em boa coisa! — comentou Tarila, irada.
— Jamal nunca conheceu os pais! Não diga coisas que você não sabe. Isso só pode ser mentira — afirmou Hylana, com convicção.
— Isso é o que você pensa! Mas a verdade sempre vem à tona, de uma maneira ou outra.
Antes que Tarila pudesse continuar a conversar, sentiu uma picada dolorida no pescoço. A mestra olhou para o alto e no parapeito da janela aberta viu uma figurinha medonha. Um goblin de pele vermelha sorria satisfeito.
A mestra caiu sobre o amontoado de almofadas.
O goblin, servo de Jirred, pulou de uma altura de quatro metros sobre os objetos macios.
— Vamos, sair logo daqui! Jirred ficará orgulhoso de nós.
Percebendo a hesitação de Hylana, ele disse:
— Não se preocupe com ela. Ela está sob o efeito de um veneno que paralisa os músculos. Daqui um dia ou dois estará bem.
Os dois correram como verdadeiros fugitivos. Desceram as escadas pulando diversos degraus a cada vez. Antes que chegassem ao primeiro andar, foram interceptados pelas irmãs Muriel e Mariah. O olhar de Muriel poderia ter acabado com Hylana ali mesmo se fosse um raio mortal.
Sem misericórdia, com sua katana, Hylana arrancou a cabeça do goblin que corria a sua frente. O pele vermelha caiu nas escadas sem ao menos suspeitar o que havia lhe tirado a vida. Essa atitude não estava nos planos de Hylana mas foi a forma que encontrou para despistar as duas irmãs:
— Rápido Mariah! — gritou, Hylana a seguir. — Tarila foi atingida por um dardo venenoso desses assassinos. Goblins invadiram o mosteiro! Querem roubar a adaga de mármore!
— Venha Muriel — ordenou a irmã.
Mariah caiu na armadilha de Hylana e puxou a irmã pelas vestes. Muriel a acompanhou, mesmo sem estar convencida das palavras de Hylana. Enquanto se afastava, com os olhos alvejava o seu antigo desafeto.
A ladra da adaga ainda passou por dois ou três elfos despertos. Contou a mesma mentira que tinha dito as irmãs, e nenhum deles a interceptou. A algumas dezenas de metros da entrada do mosteiro, o croax revirava a terra a procura de minhocas. A garota correu até o seu animal. Quando o montou, ainda pôde ver Mariah e Muriel chegando a rua. As duas ordenavam que ela voltasse.
Na consciência de Hylana, ecoavam as palavras de Tarila, “Jamal, filho de um necromante”. Lembrou também do alerta de Eliseu, o banguela, “O pai dele é um picareta. É um velho envolvido com magia negra”. Ela não queria acreditar na realidade que aos poucos se desvendava.
Antes de voltar a Carmal, tinha uma tarefa a realizar. Por isso, seguiu um caminho mais longo pelos pântanos a oeste do mosteiro. O pântano era um lugar perigoso demais para se viajar, no entanto, ela não precisava se preocupar, afinal, sua montaria era excelente nesse tipo de terreno.
A velocidade do croax não deu qualquer chance de aproximação alguma às elfas que a perseguiam montadas em simples cavalos. Mariah e Muriel comeram poeira. A partir daquele momento, Mariah aceitaria cada palavra de acusação que Muriel tinha contra Hylana. As irmãs elfas, sem dúvida, nesse momento, estariam jurando agarrá-la, pensou a garota. Mas, isso não era problema para ela se preocupar agora. Seguiu em frente, exigindo do croax toda a agilidade disponível.
Ao escutar a voz conhecida, Hylana se virou surpresa. Não contava com isso. Imaginou que seu plano seria perfeito. Tinha certeza que Tarila também seria apanhada pelo pesado sono causado pelo sonífero.
— Não tente me deter Tarila — a voz de Hylana vacilou.
Nunca poderia confrontar-se contra a técnica da mestra:
— Preciso da adaga para salvar alguém que amo — explicou Hylana.
— Não me venha falar de amor, menina. Meus espiões relataram que você foi seduzida por um marginal — Tarila demonstrava impaciência no tom da voz.
— Não fale assim de Jamal — ameaçou, a garota.
— Ser filho de um necromante não pode dar em boa coisa! — comentou Tarila, irada.
— Jamal nunca conheceu os pais! Não diga coisas que você não sabe. Isso só pode ser mentira — afirmou Hylana, com convicção.
— Isso é o que você pensa! Mas a verdade sempre vem à tona, de uma maneira ou outra.
Antes que Tarila pudesse continuar a conversar, sentiu uma picada dolorida no pescoço. A mestra olhou para o alto e no parapeito da janela aberta viu uma figurinha medonha. Um goblin de pele vermelha sorria satisfeito.
A mestra caiu sobre o amontoado de almofadas.
O goblin, servo de Jirred, pulou de uma altura de quatro metros sobre os objetos macios.
— Vamos, sair logo daqui! Jirred ficará orgulhoso de nós.
Percebendo a hesitação de Hylana, ele disse:
— Não se preocupe com ela. Ela está sob o efeito de um veneno que paralisa os músculos. Daqui um dia ou dois estará bem.
Os dois correram como verdadeiros fugitivos. Desceram as escadas pulando diversos degraus a cada vez. Antes que chegassem ao primeiro andar, foram interceptados pelas irmãs Muriel e Mariah. O olhar de Muriel poderia ter acabado com Hylana ali mesmo se fosse um raio mortal.
Sem misericórdia, com sua katana, Hylana arrancou a cabeça do goblin que corria a sua frente. O pele vermelha caiu nas escadas sem ao menos suspeitar o que havia lhe tirado a vida. Essa atitude não estava nos planos de Hylana mas foi a forma que encontrou para despistar as duas irmãs:
— Rápido Mariah! — gritou, Hylana a seguir. — Tarila foi atingida por um dardo venenoso desses assassinos. Goblins invadiram o mosteiro! Querem roubar a adaga de mármore!
— Venha Muriel — ordenou a irmã.
Mariah caiu na armadilha de Hylana e puxou a irmã pelas vestes. Muriel a acompanhou, mesmo sem estar convencida das palavras de Hylana. Enquanto se afastava, com os olhos alvejava o seu antigo desafeto.
A ladra da adaga ainda passou por dois ou três elfos despertos. Contou a mesma mentira que tinha dito as irmãs, e nenhum deles a interceptou. A algumas dezenas de metros da entrada do mosteiro, o croax revirava a terra a procura de minhocas. A garota correu até o seu animal. Quando o montou, ainda pôde ver Mariah e Muriel chegando a rua. As duas ordenavam que ela voltasse.
Na consciência de Hylana, ecoavam as palavras de Tarila, “Jamal, filho de um necromante”. Lembrou também do alerta de Eliseu, o banguela, “O pai dele é um picareta. É um velho envolvido com magia negra”. Ela não queria acreditar na realidade que aos poucos se desvendava.
Antes de voltar a Carmal, tinha uma tarefa a realizar. Por isso, seguiu um caminho mais longo pelos pântanos a oeste do mosteiro. O pântano era um lugar perigoso demais para se viajar, no entanto, ela não precisava se preocupar, afinal, sua montaria era excelente nesse tipo de terreno.
A velocidade do croax não deu qualquer chance de aproximação alguma às elfas que a perseguiam montadas em simples cavalos. Mariah e Muriel comeram poeira. A partir daquele momento, Mariah aceitaria cada palavra de acusação que Muriel tinha contra Hylana. As irmãs elfas, sem dúvida, nesse momento, estariam jurando agarrá-la, pensou a garota. Mas, isso não era problema para ela se preocupar agora. Seguiu em frente, exigindo do croax toda a agilidade disponível.
domingo, 6 de julho de 2008
22. Sono profundo
O tilintar do sino metálico tocado por Gorgias acordou todos os monges. Ao ouvir o sinal, Hylana se levantou e se vestiu com pressa. Devia ter dormido mais ou menos uma hora desde a conversa com o cozinheiro.
Através da janelinha do quarto percebeu que o dia estava cinza. Alguns monges circulavam sem pressa pelo pátio em direção ao refeitório. Depois que Hylana saiu do quarto encontrou vários deles pelo caminho. Para cada um que cruzou abaixava a cabeça em atitude de respeito. Não encontrou qualquer obstáculo até que uma elfa de cabelos longos e vermelhos a interceptou:
— Hylana!
— Mariah? — perguntou Hylana surpresa.
— Sim. Eu mesma. Por que o espanto? Não faz tanto tempo assim que não nos vemos.
— É verdade. Três anos não é muito tempo. Principalmente para os elfos. A longevidade não é um problema para vocês.
Mariah sorriu.
— Parece que foi ontem que você nos deixou — lembrou a elfa abraçando Hylana. — Venha. Vamos comer. Gorgias deve ter caprichado no tempero.
— Como assim caprichado no tempero?
— Ora, ele gosta muito de você. Não se faça de tonta. Ele sempre fez as suas vontades.
Hylana deu um sorriso triste:
— Primeiro preciso ir a estrebaria. Quero ver como está o meu animal que se feriu ontem a noite.
— O croax já foi alimentado. Não precisa se preocupar.
— Tenho certeza que cuidaram bem dele. Mesmo assim preciso ir vê-lo. Ele é um animal muito temperamental. Especialmente depois de uma jornada tão cansativa.
— Tudo bem. Mas não demore. A essa hora, todos já devem saber que você voltou.
Mariah foi na direção do pátio, enquanto Hylana deixou o mosteiro e seguiu na para a estrebaria, que ficava ao lado do prédio.
Com passadas largas chegou ao local onde estava o croax. Diversos cavalos descansavam em suas respectivas cocheiras. Cavalos negros, marrons, brancos e verdes, a maioria de puro sangue.
Bem ao fundo, avistou o croax comendo feno. A mão macia de Hylana acariciou a sua testa. A montaria sempre lhe retribuía o carinho com uma lambida pegajosa. Depois desse momento de amizade, Hylana colocou a cela no animal. Em poucos minutos pretendia zarpar do mosteiro com a adaga de mármore vermelha em sua posse.
Com uma certa pressa Hylana puxou o croax para a entrada principal e o deixou solto a procura de minhocas o seu alimento preferido. A hora do desjejum era sagrada. Por isso, todos já deviam estar sentados em suas cadeiras a espera do tradicional desjejum de Gorgias.
Hylana chegou até o pátio de treinamento. Parou sobre a conhecida areia avermelhada imaginando os combates que ali já haviam sido travados. O barulho vindo do refeitório ainda era alto. Pôde escutar o som dos talheres sendo deitados sobre a mesa. Lembrou da vez que completara dez anos e no seu primeiro combate na arena do mosteiro tinha vencido Muriel... Um cântico começou a ser entoado antes do desjejum. Foi um combate equilibrado, qualquer uma poderia ter vencido, mas Hylana soube ter sangue frio na hora certa, e dar o golpe fatal com a katana de madeira... Os monges pararam de cantar. A garota escutou o barulho de talhares batendo contra os pratos. Depois daquele dia, Muriel passou a olhar para Hylana com ódio... O céu estava um pouco mais claro naquele instante. Um alvoroço tomou conta do refeitório. Com certeza, intuiu Hylana, a maioria dos monges havia adormecido. Na certa, apenas alguns elfos imunes ao sono teriam escapado da erva sonífera. Agora, era o momento exato de invadir a sala onde a adaga era guardada.
Do pátio, Hylana foi direto para o corredor do mosteiro. Voltou ao quarto onde dormira e pegou sua katana. Com frieza, pensou que talvez tivesse de usá-la. Subiu dois lances de escadaria até alcançar a sala do tesouro que viera buscar. Para a sua sorte encontrou a porta do ambiente circular aberta. Na parede da esquerda dois vitrais extremamente belos deixavam a luz de Loril infiltrar-se no espaço. Em um pedestal, de mármore, repousava a adaga dentro de uma cúpula de vidro. Almofadas de diversas cores ornamentavam o chão de pedra clara. Ali era um bom lugar para se meditar. Aquele objeto era o símbolo do mundo dos sonhos, e pertenceu ao fundador da ordem dos monges espadachins.
Com a katana, Hylana arrebentou a cúpula de vidro. Um estridente sinal de alarme tocou em todo o mosteiro. Os monges que ainda estavam acordados ao ouvir o som imediatamente correram na direção da sala.
Hylana pegou o prêmio com tanta adrenalina correndo pelo corpo que não percebeu as duas figuras que a observavam de dois lugares diferentes. De imediato colocou na cintura a adaga de mármore que provavelmente salvaria a vida de Jamal.
Através da janelinha do quarto percebeu que o dia estava cinza. Alguns monges circulavam sem pressa pelo pátio em direção ao refeitório. Depois que Hylana saiu do quarto encontrou vários deles pelo caminho. Para cada um que cruzou abaixava a cabeça em atitude de respeito. Não encontrou qualquer obstáculo até que uma elfa de cabelos longos e vermelhos a interceptou:
— Hylana!
— Mariah? — perguntou Hylana surpresa.
— Sim. Eu mesma. Por que o espanto? Não faz tanto tempo assim que não nos vemos.
— É verdade. Três anos não é muito tempo. Principalmente para os elfos. A longevidade não é um problema para vocês.
Mariah sorriu.
— Parece que foi ontem que você nos deixou — lembrou a elfa abraçando Hylana. — Venha. Vamos comer. Gorgias deve ter caprichado no tempero.
— Como assim caprichado no tempero?
— Ora, ele gosta muito de você. Não se faça de tonta. Ele sempre fez as suas vontades.
Hylana deu um sorriso triste:
— Primeiro preciso ir a estrebaria. Quero ver como está o meu animal que se feriu ontem a noite.
— O croax já foi alimentado. Não precisa se preocupar.
— Tenho certeza que cuidaram bem dele. Mesmo assim preciso ir vê-lo. Ele é um animal muito temperamental. Especialmente depois de uma jornada tão cansativa.
— Tudo bem. Mas não demore. A essa hora, todos já devem saber que você voltou.
Mariah foi na direção do pátio, enquanto Hylana deixou o mosteiro e seguiu na para a estrebaria, que ficava ao lado do prédio.
Com passadas largas chegou ao local onde estava o croax. Diversos cavalos descansavam em suas respectivas cocheiras. Cavalos negros, marrons, brancos e verdes, a maioria de puro sangue.
Bem ao fundo, avistou o croax comendo feno. A mão macia de Hylana acariciou a sua testa. A montaria sempre lhe retribuía o carinho com uma lambida pegajosa. Depois desse momento de amizade, Hylana colocou a cela no animal. Em poucos minutos pretendia zarpar do mosteiro com a adaga de mármore vermelha em sua posse.
Com uma certa pressa Hylana puxou o croax para a entrada principal e o deixou solto a procura de minhocas o seu alimento preferido. A hora do desjejum era sagrada. Por isso, todos já deviam estar sentados em suas cadeiras a espera do tradicional desjejum de Gorgias.
Hylana chegou até o pátio de treinamento. Parou sobre a conhecida areia avermelhada imaginando os combates que ali já haviam sido travados. O barulho vindo do refeitório ainda era alto. Pôde escutar o som dos talheres sendo deitados sobre a mesa. Lembrou da vez que completara dez anos e no seu primeiro combate na arena do mosteiro tinha vencido Muriel... Um cântico começou a ser entoado antes do desjejum. Foi um combate equilibrado, qualquer uma poderia ter vencido, mas Hylana soube ter sangue frio na hora certa, e dar o golpe fatal com a katana de madeira... Os monges pararam de cantar. A garota escutou o barulho de talhares batendo contra os pratos. Depois daquele dia, Muriel passou a olhar para Hylana com ódio... O céu estava um pouco mais claro naquele instante. Um alvoroço tomou conta do refeitório. Com certeza, intuiu Hylana, a maioria dos monges havia adormecido. Na certa, apenas alguns elfos imunes ao sono teriam escapado da erva sonífera. Agora, era o momento exato de invadir a sala onde a adaga era guardada.
Do pátio, Hylana foi direto para o corredor do mosteiro. Voltou ao quarto onde dormira e pegou sua katana. Com frieza, pensou que talvez tivesse de usá-la. Subiu dois lances de escadaria até alcançar a sala do tesouro que viera buscar. Para a sua sorte encontrou a porta do ambiente circular aberta. Na parede da esquerda dois vitrais extremamente belos deixavam a luz de Loril infiltrar-se no espaço. Em um pedestal, de mármore, repousava a adaga dentro de uma cúpula de vidro. Almofadas de diversas cores ornamentavam o chão de pedra clara. Ali era um bom lugar para se meditar. Aquele objeto era o símbolo do mundo dos sonhos, e pertenceu ao fundador da ordem dos monges espadachins.
Com a katana, Hylana arrebentou a cúpula de vidro. Um estridente sinal de alarme tocou em todo o mosteiro. Os monges que ainda estavam acordados ao ouvir o som imediatamente correram na direção da sala.
Hylana pegou o prêmio com tanta adrenalina correndo pelo corpo que não percebeu as duas figuras que a observavam de dois lugares diferentes. De imediato colocou na cintura a adaga de mármore que provavelmente salvaria a vida de Jamal.
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