Jamal e Jirred entraram no aposento onde Hylana os aguardava. O necromante trazia na mão direita um cajado de ossos. O objeto era composto por quatro fêmures. Colados por uma substância negra, os ossos permaneciam conectados. Na ponta, uma pedra verde ornava aquele artefato sinistro.
Jirred ordenou que Jamal fosse até o local onde estava Hylana. Devido as correntes presas ao tornozelo, o homem de cabelos compridos e desgrenhados caminhou com dificuldade. Algemas prendiam seus punhos.
— Não tentem nada de estranho — Jirred ameaçou.
— Que bom te ver, querida — disse Jamal esboçando alegria.
A garota manteve o semblante sem pronunciar qualquer coisa.
Jamal um homenzarrão repleto de músculos vestia uma roupa de pele de urso com um cinto de couro e estava descalço. Se aproximou de Hylana sempre bem devagar. Ela, por sua vez, pegou a adaga.
— Onde estão as chaves das algemas? — ela quis saber de Jirred.
— Não se atreva a tentar alguma loucura. Depois que soltar seu namoradinho, me entregue a adaga!
O necromante jogou a chave de ferro e Hylana a pegou no ar.
— Vire-se! — ela disse pra Jamal.
Jamal ficou de costas para que Hylana pudesse soltar as correntes. Foi nesse momento que o bárbaro teve uma surpresa. Com grande agilidade, Hylana pressionou a extremidade pontuda da adaga de mármore na jugular do ex-namorado.
— Vocês pensaram que eu continuaria sendo uma idiota pro resto da vida?
A expressão de Jirred era de susto. Hylana pegou Jamal pelos cabelos compridos e puxou para que ele se virasse na direção dela. Os olhos dele denunciaram medo. Afinal, estava preso. Não tinha como se defender. E além do mais, sabia do que as mulheres eram capazes quando traídas. Tornavam-se perigosas e cometiam qualquer loucura.
— Diga, crápula, por que me enganou?
Jamal permaneceu quieto tentando olhar para o feiticeiro com o canto do olho. Um fio de sangue já lhe brotava da garganta.
— Não faça nenhuma besteira, Hylana. Afaste o punhal da garganta de meu filho — Jirred, agora não se preocupava em esconder a verdade.
— Vocês dois, nenhum merece viver. Me manipularam direitinho. Eu fiz tudo o que vocês planejaram. Por quê?
— Só você, minha querida, podia entrar na casa de Ansalon e roubar o orbe. Aquele feiticeiro idiota não confiava em mais ninguém.
— Você não devia ter mentido sobre a morte de meus pais, Jamal! Eu te amava — disse Hylana para o bárbaro, pressionando ainda mais a adaga em seu pescoço.
— Em primeiro lugar, menina, Jamal a conheceu somente para executar os planos da sacerdotisa. Eu e meu filho somos apenas peças em um jogo de feras.
Jirred devia estar falando a verdade. Afinal, Bor havia flagrado, o golem, mensageiro da sacerdotisa, visitando-o na calada da noite. No entanto, isso não fazia mais a menor diferença para ela.
O necromante continuou a tagarelar:
— E quanto à adaga, você era a única pessoa indicada para penetrar no mosteiro sem levantar suspeita. Jamal foi a isca perfeita pra te induzir a mais esse roubo.
— Eu vou acabar com vocês dois! — Hylana berrou, descontrolada.
— Não vai, não. Acorde! — ordenou, Jirred.
Com certa violência o necromante bateu com o cajado de ossos no chão. Uma luz, feito um relâmpago, clareou o lugar cegando a todos por uns dois ou três segundos. Hylana esfregou os olhos com as mãos para poder enxergar novamente.
sábado, 13 de setembro de 2008
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2 comentários:
Tem certeza de que essa série tá acabando? As coisas só parecem se complicar! Tem essa sacerdotiza agora... Hahaha... A coisa tá ficando feia. Mas confio em Hylana. A garota é uma típica anti-herói, daquelas que a gente duvida de seu caráter mas somos induzidos a torcer para ela!
Parabéns pelo trabalho, Duda.
Oi, Mestre! Sim, a primeira temporada está no fim, agora a conclusão do enredo central ocorrerá de maneira rápida No entanto, você verá que muitas situações ficam em aberto pra dar continuidade a história de Hylana nas Terras de Lhu.
Bom saber que você torce por ela, acho que consegui atingir esse efeito que você disse: a personagem é uma típica anti-herói, mas queremos que alcance seus objetivos, he, he. Valeu!
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