Hylana enfrentou mais uma tarde completa e uma noite de viagem. Raras foram às vezes em que ela parou para descansar. Um pouco antes do amanhecer teve de parar para dormir. Foi acordada por uma manhã de calor escaldante. Ao retomar sua caminhada, já não estava tão certa de que conseguiria chegar naquela mesma noite em Carmal. O bárbaro não precisava de ninguém para salvar-lhe a pele. O seqüestro do namorado não passava de uma fraude. Agora, ela tinha certeza absoluta disso. Mesmo assim, para se vingar dos dois cúmplices era melhor chegar a tempo de cumprir a exigência de prazo feita por Jirred. Do contrário, o necromante ficaria desconfiado do atraso dela.
Nesse momento suas reflexões são interrompidas por um barulho vindo as suas costas. Hylana se virou para ver o que se aproximava. Avistou uma carruagem puxada por quatro corcéis negros. Vinha em velocidade média. Antes que o veículo passasse por ela, conseguiu gritar para o cocheiro:
— Pare, por favor!
O cocheiro de pele ressequida e ar sombrio usava um grande chapéu verde escuro de abas largas. Ao ver a bela garota, diminuiu a velocidade. No entanto, não ordenou aos cavalos que parassem.
Enquanto corria ao lado da carruagem, Hylana perguntou ao homem:
— Para onde você está indo meu bom amigo?
— Vou para Dartmor.
— Estou indo pra Carmal. A cidade portuária de Dartmor é caminho. Você me dá uma carona?
— Nas Terras de Lhu, querida, o trabalho não é de graça.
— Sim. Eu sei. Posso pagar.
Quase sem fôlego, Hylana retirou um bom número de moedas do bolso.
O cocheiro puxou as rédeas com toda a força possível:
— Ooooh — gritou para os cavalos.
A carruagem parou.
— Agora você falou minha língua — disse ele.
O homem sorriu e pegou o dinheiro que Hylana lhe entregava.
— Encontre um lugar pra você.
Ele indicou a porta da esquerda da carruagem. Hylana entrou no carro. Havia somente um espaço vago. Mais cinco indivíduos ocupavam os outros lugares. Dois homens, um velho elfo e um anão de barbas pretas e longas. Por sorte, não pareciam sujeitos mal-encarados.
Durante a jornada sobre a estrada pedregosa Hylana evitou cochilar. Imitando os outros passageiros, não conversou com ninguém. A viagem foi tranquila. Chegou em Carmal bem antes do fim da tarde. No entanto, não conseguiu evitar o sono pesado. Despertou quando o cocheiro cutucou o seu ombro com certa força.
— Chegamos! Você desce aqui — ordenou o homem.
Hylana apalpou a adaga de mármore escondida sob a camisa e depois tocou no punho da katana. Seus pertences continuavam no mesmo lugar. Saiu da carruagem sem se despedir dos outros. Hylana tinha pago bem ao cocheiro, por isso ele havia feito uma gentileza estacionando dentro dos muros de Carmal, ao lado de uma feira de badulaques e especiarias.
— Obrigada pela carona, cocheiro — a garota agradeceu, com visível satisfação.
Hylana colocou sobre a cabeça o capuz de um manto vermelho escuro que pegara do quarto de Ansalon. Sem nenhuma dificuldade, se infiltrou naquele mundaréu de transeuntes que compravam bugigangas nas barracas da feira. Enquanto estivesse no meio de uma multidão não seria reconhecida por nenhum guarda. A tarde estava nublada, com certeza, durante a noite a neblina seria espessa.
Ao chegar diante da hospedaria de Tauros, o movimento não era tão intenso. Agora tinha de prestar mais atenção nas pessoas que encontrava pela rua. Seguiu em frente, seu objetivo era chegar na casa de Bor. Refez mentalmente os passos da noite em que o músico tinha alertado-a para o perigo de voltar à hospedaria do minotauro. Depois de caminhar algumas quadras, finalmente encontrou a moradia do amigo.
Bateu na porta de madeira. Não escutando um barulho sequer, bateu de novo. Um pouco depois, pôde ouvir o arrastar de algum objeto no assoalho da casa. Talvez fosse um par de chinelos.
A porta foi aberta por Bor.
— Hylana! — ele a abraçou.
Depois de alguns segundos, puxou-a para dentro da casa. Antes de fechar a porta, vasculhou todos os pontos da rua, queria se certificar de que não havia alguém os espionando.
sexta-feira, 22 de agosto de 2008
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2 comentários:
Realmente é uma moça arrojada essa! Entrando em uma carruagem suspeita com gente estranha dentro e arriscando ser pega ao voltar a um dos lugares por onde passou quando era procurada. Que a sorte a acompanhe!
E aí, Diógenes! Sim, a Hylana as vezes tem mais sorte do que juízo, é coisa da idade! Pra ter experiência, só com o tempo mesmo. Isso faz parte do aprendizado dela, he, he.
Um abraço!
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