Diante da porta da farmácia, Gotham disse:
— Precisamos entrar. Por favor, ladrões ponham suas habilidades em prática.
— Muleeza! — Hanns enrolou a língua.
O gigante bêbado pegou a clava que carregava presa a cintura. Com uma pancada no trinco da porta fez saltar faísca para todos os lados. A clava mágica de Hanns soltava uma espécie de fogo alaranjado quando batia contra alguma coisa. Havia comprado aquela arma de um mago, um dos tantos trambiqueiros espalhados pela cidade. O gigante não sabia, mas logo, a carga mágica do objeto se extinguiria por completo.
Chamuscada e com o trinco esfacelado, a grossa porta de madeira se abriu com um ranger agudo. Por sorte ninguém abriu as janelas do prédio vizinho e a rua estava deserta.
— Seu energúmeno! — Sulth quase enlouqueceu. — Quer nos entregar pros guardas? Por que não abriu a fechadura com estilo. Sem sujeira, sem barulho, um verdadeiro ladrão não age desse jeito. Eu já te ensinei isso mais de uma vez! Tudo precisa ser feito com estardalhaço!
O sorriso cariado de Hanns se abriu:
— Gosto de te ver nervosinha!
Entraram na farmácia. Com o canto dos olhos, Sulth viu algo estranho se movimentando no escuro. Duas luzes vermelhas com o formato de bolas de gude voaram pelo recinto até sumirem atrás de um balcão.
Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Quarta-feira, 8 de Julho de 2009
Convite de Lançamento - Draculea
Sábado, 4 de Julho de 2009
Capítulo 6
O gigante bêbado caminhava em ziguezague feito uma barata tonta. A noite já havia descido seu manto negro sobre as ruas de Gigamir. Hanns disse com convicção:
— Agora preciso de fumo.
— Mais essa! — praguejou a elfa.
Hanns liderou o grupo em um destino incerto pelas ruas de Gigamir.
Gotham falou no ouvido de Sulth:
— Precisamos acabar com a bebedeira desse desmiolado.
— Uma farmácia resolverá nosso problema — disse a elfa.
Sulth tinha bons conhecimentos sobre ervas e chás:
— Hanns, venha conosco. Eu sei onde arranjar o fumo que você tanto deseja — a elfa deu uma piscadela pra Gotham.
— Maravilha! Eu gosto de qualidade, ouviu bem?
— Fique tranqüilo, gigante!
A elfa foi à frente. Da rua em que estavam, os três podiam ver a torre de Tullging. As torres da cidade são lugares extremamente adequados para fugir da sujeira que se acumula nos becos. Também, ideais para se proteger da grande quantidade de bandidos que se escondem nas vielas e nas hotelarias de péssima qualidade.
Gotham perdido em devaneios imaginou que um dia pudesse viver em uma torre. E quem sabe, estar rodeado de dezenas de tesouros diferentes. Ter pedras preciosas protegidas por alguma fera terrível da Floresta dos Desejos não era nada mal. O gigante gostava de imaginar coisas interessantes.
As ruas de Gigamir, em sua maioria, eram estreitas: locais escuros e abafados que fediam a lixo e mofo. De avenida espaçosa, existia apenas a que dava acesso ao palácio do rei.
Depois de dobrar uma esquina aqui, outra ali, a elfa disse:
— Chegamos!
Pararam diante de uma farmácia.
— Agora preciso de fumo.
— Mais essa! — praguejou a elfa.
Hanns liderou o grupo em um destino incerto pelas ruas de Gigamir.
Gotham falou no ouvido de Sulth:
— Precisamos acabar com a bebedeira desse desmiolado.
— Uma farmácia resolverá nosso problema — disse a elfa.
Sulth tinha bons conhecimentos sobre ervas e chás:
— Hanns, venha conosco. Eu sei onde arranjar o fumo que você tanto deseja — a elfa deu uma piscadela pra Gotham.
— Maravilha! Eu gosto de qualidade, ouviu bem?
— Fique tranqüilo, gigante!
A elfa foi à frente. Da rua em que estavam, os três podiam ver a torre de Tullging. As torres da cidade são lugares extremamente adequados para fugir da sujeira que se acumula nos becos. Também, ideais para se proteger da grande quantidade de bandidos que se escondem nas vielas e nas hotelarias de péssima qualidade.
Gotham perdido em devaneios imaginou que um dia pudesse viver em uma torre. E quem sabe, estar rodeado de dezenas de tesouros diferentes. Ter pedras preciosas protegidas por alguma fera terrível da Floresta dos Desejos não era nada mal. O gigante gostava de imaginar coisas interessantes.
As ruas de Gigamir, em sua maioria, eram estreitas: locais escuros e abafados que fediam a lixo e mofo. De avenida espaçosa, existia apenas a que dava acesso ao palácio do rei.
Depois de dobrar uma esquina aqui, outra ali, a elfa disse:
— Chegamos!
Pararam diante de uma farmácia.
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Museu do Terror
Resolvi criar um novo blog depois de participar do Concurso Escritores de Terror, promovido pelo Mario Carneiro Jr. O meu conto Museu do Terror acabou gerando uma série de ideias que não consigo deixar trancadas na gaveta. Será um blog voltado para a Literatura Fantástica, percorrendo alguns alçapões escuros da linha do terror.
Basta acessar o link:
A imagem selecionada para o topo do blog ainda é provisória.
Um grande abraço aos amigos leitores!

Hylana divulgada no Estronho

M. D. Amado, além de um ótimo escritor é um divulgador da cultura literária. Em seu site Estronho e Esquésito proporciona ao internauta uma viagem a literatura brasileira contemporânea. Na seção dicas de livros encontramos uma série de autores nacionais de talento. Hylana nas Terras de Lhu aparece entre essa lista. Se puderem visitem o site Estronho de M. D. Amado, eu indico. É só clicar no link.
Um abraço.
Sábado, 27 de Junho de 2009
Invasão

Olá, pessoal! Saiu a lista oficial dos contos participantes do livro organizado por Ademir Pascale, que será editado pela Giz Editorial: Invasão. Fui um dos selecionados com o meu conto: Sonda. Vai ser uma satisfação participar de mais esse livro. E poder participar com todos esses autores, entre eles, alguns dos amigos que mantenho contato pela Internet, o Rober, o Mario Carneiro Jr. e o Nenezio. Confiram a capa do livro e a lista dos autores:
Anderson dos Santos Costa, Angela NadjaBerg Ceschim Oiticica, Christian David, Daniel Pedrosa, Daniele Helena Bonfim, Danny Marks, Nenezio (Divanir Manzato), Duda Falcão, Edmar Souza Júnior, Eduardo Lesnok, Estevan Lutz, Jocir Prandi, Mariana Albuquerque, Mario Carneiro Jr., Miguel Carqueija e Mélanie Evarino Leite, Ricardo Delfin, Rober Pinheiro, Rômulo Mafra, Ronaldo Costa, Ronaldo Luiz Souza, Vinícius Vieira, Waldick Garrett e Wilson Silva.
Detalhe: ainda não foram divulgados os nomes dos contos, quando isso acontecer atualizo a lista.
Capítulo 5
Hanns entrou na primeira taberna que avistou. Sulth estava visivelmente furiosa. Gotham, por sua vez, sempre assumia o papel de conciliador da equipe. O ambiente da taberna recendia a mofo. Por sorte, uma mesa estava desocupada, do contrário, Hanns poderia se enfurecer. O gigante gritou para o garçom:
— Cerveja! Cerveja, gnomo! — bateu na mesa com a mão pesada. — Não tenho todo o tempo do mundo!
— Deixe de ser estúpido, Hanns! — a elfa, reprimiu a atitude do gigante. — Destrate o garçom e o máximo que terá é uma cerveja quente! Entendeu?
Dois músicos tocavam uma melodia alegre. Um bando de orcs se satisfazia com a dança de uma orc semi-nua no palco. Diante do espetáculo as criaturas armadas até os dentes riam de empolgação empunhando canecos de cerveja.
Um gnomo, o garçom, de quase um metro de altura saltou sobre a mesa redonda em que os três companheiros seriam servidos:
— Então, o que vai ser pros gigantes e pra bela senhorita de cabelos azuis?
O garçom vestia uma roupa verde luminosa bem esquisita.
Gotham antes de fazer qualquer pedido reclamou:
— Primeiro, nós queremos que o mago dessa espelunca diminua a temperatura do ambiente. Está muito calor por aqui!
— Desculpe, senhor, mas já faz algum tempo que tivemos de demitir nosso mago do frio. Os negócios não andam muito bem ultimamente.
— Que lixo! — reclamou Sulth esquecendo do próprio conselho que dera para Hanns.
O gigante lembrando da repreensão sorriu para Sulth mostrando os dentes cariados. De tão indignada que a elfa estava por pouco não pulou no pescoço dele.
— E então, o que vai ser? — insistiu o gnomo com sua voz aguda.
— Uma cerveja pra ele — disse Gotham apontando para Hanns.
Hanns olhou para o amigo e segurou o gnomo pela gravatinha borboleta:
— Eu quero uma bebida bem forte! Desisti da cerveja.
Gotham e Sulth olharam com desaprovação para o companheiro.
— Ainda temos algumas doses de escamas de dragão escarlate. Nas Terras de Lhu não existe nada mais forte.
Hanns olhou pros companheiros e o sorriso cariado abriu-se de contentamento. Bonachão ao extremo bateu com a palma da mão sobre a mesa de madeira:
— É exatamente o que preciso. Traga duas doses!
Gotham e Sulth pediram um caneco de Molha Goela, bebida amarga extraída de um vegetal verde que nascia nas proximidades da poderosa cidade de Carmal. A criaturinha deu um salto acrobático, em um instante estava no balcão cochichando algo no ouvido de um gigante que servia as bebidas.
O cheiro do tabaco e de fritura predominava no lugar. Diversas criaturas humanóides conversavam, bebiam e enchiam as panças: gigantes, homens-lagarto, orcs, guerreiros-hienas, um ou outro mago humano escondido sobre o capuz, gnomos das trevas e também anões que trabalhavam nas minas Korialis.
— Um mago poderia acabar com esse cheiro horrível de peixe frito —reclamou Sulth.
Gotham colaborou com as críticas negativas:
— Climatizar o ambiente seria melhor ainda. Isso aqui parece o interior de um vulcão.
— Vocês são dois recalcados! — xingou Hanns. — Deixem de reclamar e vamos ouvir a música.
O garçom chegou com as bebidas. Hanns emborcou todo o líquido escarlate de uma só vez.
— E então, senhor, não é uma maravilha? — perguntou o gnomo.
— Incrível! Mais duas doses!
Gotham, não gostou nada daquilo. O rosto de Hanns tinha adquirido uma coloração rosada. O amigo já estava bêbado.
O gnomo trouxe mais um duplo de escamas de dragão escarlate. Hanns bebeu com satisfação. Depois de acabar pediu mais.
Antes que o garçom fosse buscar outra dose, Gotham o pegou pela gola da camiseta. Ameaçou o gnomo sem que Hanns pudesse escutar:
— Escute aqui, rapazinho! Diga pro gigante que a bebida acabou! Se ele beber mais uma gota sequer eu quebro o seu pescoço. Entendeu?
— Sim! — o garçom tremeu. Foi até o balcão e voltou logo em seguida.
Hanns já reclamava da incompetência do pequenino.
— Senhor, a bebida acabou! – disse o gnomo, demonstrando preocupação na voz.
— O quê? Mas bebi tão pouco — Hanss começou a soluçar.
— Não precisamos mais de bebidas por agora. Temos de trabalhar. Lembra Hanns? — disse Gotham, mantendo a calma e a paciência.
Não houve resposta. Agora o gigante parecia um pouco desorientado.
— Quanto custou essa brincadeira? — Gotham perguntou.
Gotham pagou as bebidas de Hanns, pois o gigante não tinha condições de contar moeda alguma. Doses de escamas de dragão escarlate eram caríssimas. Prometeu pra si mesmo que na primeira oportunidade rapava os bolsos do colega. Os três saíram do bar.
— Cerveja! Cerveja, gnomo! — bateu na mesa com a mão pesada. — Não tenho todo o tempo do mundo!
— Deixe de ser estúpido, Hanns! — a elfa, reprimiu a atitude do gigante. — Destrate o garçom e o máximo que terá é uma cerveja quente! Entendeu?
Dois músicos tocavam uma melodia alegre. Um bando de orcs se satisfazia com a dança de uma orc semi-nua no palco. Diante do espetáculo as criaturas armadas até os dentes riam de empolgação empunhando canecos de cerveja.
Um gnomo, o garçom, de quase um metro de altura saltou sobre a mesa redonda em que os três companheiros seriam servidos:
— Então, o que vai ser pros gigantes e pra bela senhorita de cabelos azuis?
O garçom vestia uma roupa verde luminosa bem esquisita.
Gotham antes de fazer qualquer pedido reclamou:
— Primeiro, nós queremos que o mago dessa espelunca diminua a temperatura do ambiente. Está muito calor por aqui!
— Desculpe, senhor, mas já faz algum tempo que tivemos de demitir nosso mago do frio. Os negócios não andam muito bem ultimamente.
— Que lixo! — reclamou Sulth esquecendo do próprio conselho que dera para Hanns.
O gigante lembrando da repreensão sorriu para Sulth mostrando os dentes cariados. De tão indignada que a elfa estava por pouco não pulou no pescoço dele.
— E então, o que vai ser? — insistiu o gnomo com sua voz aguda.
— Uma cerveja pra ele — disse Gotham apontando para Hanns.
Hanns olhou para o amigo e segurou o gnomo pela gravatinha borboleta:
— Eu quero uma bebida bem forte! Desisti da cerveja.
Gotham e Sulth olharam com desaprovação para o companheiro.
— Ainda temos algumas doses de escamas de dragão escarlate. Nas Terras de Lhu não existe nada mais forte.
Hanns olhou pros companheiros e o sorriso cariado abriu-se de contentamento. Bonachão ao extremo bateu com a palma da mão sobre a mesa de madeira:
— É exatamente o que preciso. Traga duas doses!
Gotham e Sulth pediram um caneco de Molha Goela, bebida amarga extraída de um vegetal verde que nascia nas proximidades da poderosa cidade de Carmal. A criaturinha deu um salto acrobático, em um instante estava no balcão cochichando algo no ouvido de um gigante que servia as bebidas.
O cheiro do tabaco e de fritura predominava no lugar. Diversas criaturas humanóides conversavam, bebiam e enchiam as panças: gigantes, homens-lagarto, orcs, guerreiros-hienas, um ou outro mago humano escondido sobre o capuz, gnomos das trevas e também anões que trabalhavam nas minas Korialis.
— Um mago poderia acabar com esse cheiro horrível de peixe frito —reclamou Sulth.
Gotham colaborou com as críticas negativas:
— Climatizar o ambiente seria melhor ainda. Isso aqui parece o interior de um vulcão.
— Vocês são dois recalcados! — xingou Hanns. — Deixem de reclamar e vamos ouvir a música.
O garçom chegou com as bebidas. Hanns emborcou todo o líquido escarlate de uma só vez.
— E então, senhor, não é uma maravilha? — perguntou o gnomo.
— Incrível! Mais duas doses!
Gotham, não gostou nada daquilo. O rosto de Hanns tinha adquirido uma coloração rosada. O amigo já estava bêbado.
O gnomo trouxe mais um duplo de escamas de dragão escarlate. Hanns bebeu com satisfação. Depois de acabar pediu mais.
Antes que o garçom fosse buscar outra dose, Gotham o pegou pela gola da camiseta. Ameaçou o gnomo sem que Hanns pudesse escutar:
— Escute aqui, rapazinho! Diga pro gigante que a bebida acabou! Se ele beber mais uma gota sequer eu quebro o seu pescoço. Entendeu?
— Sim! — o garçom tremeu. Foi até o balcão e voltou logo em seguida.
Hanns já reclamava da incompetência do pequenino.
— Senhor, a bebida acabou! – disse o gnomo, demonstrando preocupação na voz.
— O quê? Mas bebi tão pouco — Hanss começou a soluçar.
— Não precisamos mais de bebidas por agora. Temos de trabalhar. Lembra Hanns? — disse Gotham, mantendo a calma e a paciência.
Não houve resposta. Agora o gigante parecia um pouco desorientado.
— Quanto custou essa brincadeira? — Gotham perguntou.
Gotham pagou as bebidas de Hanns, pois o gigante não tinha condições de contar moeda alguma. Doses de escamas de dragão escarlate eram caríssimas. Prometeu pra si mesmo que na primeira oportunidade rapava os bolsos do colega. Os três saíram do bar.
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